quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Jesus de Nazaré (Paul Verhoeven)

Este livro tem como autor o famoso realizador Paul Verhoven (Robocop, Instinto Fatal, Desafio Total) e resulta do seu manifesto interesse pela figura de Jesus da Nazaré.
Nesta obra, Verhoven tem como base os seminários de Jesus, onde académicos, teólogos e outros interessados, discutem e debatem Jesus e a sua herança e impacto na história da Humanidade. De facto, é justamente a partir destas discussões que o autor tenta lançar alguma luz sobre a figura de Jesus. A premissa de Verhoven é a de que Jesus não é tanto uma figura mágica, mas sim um homem, um líder cujo carisma e mensagem moveu as massas e criou uma vaga de fundo que iria mudar a história humana.
Assim, Verhoven “humaniza” a figura de Jesus. Para cada milagre o autor tenta encontrar uma explicação de como tais histórias poderiam ter surgido. Não é coincidência pois que o autor se baseie no evangelho de João, conhecido por humanizar ele próprio a figura de Jesus e como tal ser dos textos menos acreditados da doutrina cristã.
Não podemos alhear a isto a similaridade com o que preconizou Ernst Cassirer no seu Ensaio sobre o Homem. Para este autor, o grande impacto do Cristianismo (tradição judaico-cristã) foi o de ser das primeiras religiões (e consequentemente a lei da época) a introduzir um código de ética e conduta para a vida do homem.
Jesus é então visto como uma figura humana, com os seus vícios e virtudes que, para Verhoven, de início não aceita a sua condição de Messias mas cuja experiência de vida acaba por mudar a sua visão de si mesmo. E ao dizer isto, Verhoven não estará tanto a minimizar a figura de Jesus, mas sim a aclamar a possível divindade em cada um dos comuns mortais. Cada um de nós tem dentro de si a possibilidade de com a sua fé, crença e convicção mudar o destino dos outros.
Mais do que um hino à fé católica, este livro é um hino ao humanismo. Se não é possível aferir da veracidade real dos factos que ocorreram (e não é!), podemos no entanto retirar a mensagem subjacente que ficou para a história.




Autor: Paul Verhoeven


Editora: Guerra & Paz


Páginas: 336


Género: Ensaio

Lugares Inesquecíveis de Portugal - Vencedor do passatempo



O meu obrigada a todos os que tornaram este passatempo num sucesso. Foram 80 as sugestões que me chegaram e com a ajuda da editora chegámos ao nome do vencedor que nos falou de Santo Tirso com paixão e em verso.

Arnaldo António Teixeira de Oliveira Santos

Destaques Estampa

Aqui fica a lista dos títulos que a Estampa lançou (ou ainda vai lançar) durante o mês de Setembro.

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No Roseiral dos Mártires (Christopher de Bellaigue)
Neste livro atento e magnificamente concebido, Christopher de Bellaigue traz-nos as vozes e as memórias desses revolucionários determinados. Mullahs e universitários, artistas, comerciantes e místicos - o autor conhece-os como parte do seu quotidiano de jornalista que fala fluentemente persa e é casado com uma iraniana e também os conhece como observador, um ocidental isolado numa das mais enigmáticas e impenetráveis sociedades do mundo.

As Combinações Alimentares (Gudrun Dalla Via)
Escolher e dosear os alimentos individuais com base no facto de serem genuínos, nutritivos ou leves não deixa de ser necessário, mas não é o suficiente. É também necessário saber combiná-los e dissociá-los, respeitando algumas regras simples, para que os sucos gástricos e as enzimas fundamentais no processo digestivo, desenvolvam as suas próprias funções de acordo entre si e não opondo-se uns aos outros. Aplicando as sugestões deste livro, evitar...


iiiiiii

Os Poltergeist e a Sensibilidade Paranormal (Paul Schmolling/Philip Stander)
Através de séculos houve relatos de pancadas nas portas e nas paredes, de móveis que se arrastam sozinhos ou são arremessados por mãos invisíveis, de água, facas e até pedras que caem de um céu sem nuvens. Muitos identificam estas ocorrências como manifestações de Poltergeist - um termo que engloba uma grande variedade de experiências fora do normal, desde "coisas aos tombos no meio da noite" aos inexplicáveis barulhos e sons e às fantasmagóricas...

O Fim da Igreja e o Último Papa (Jorge Blaschke)
Após a morte de João Paulo II, Joseph Ratzinger enfrenta uma situação difícil: a falta de vocações e o progressivo envelhecimento da cúria; a luta pelo controlo no interior do Vaticano; grandes escândalos de abusos sexuais e homossexuais entre os seus clérigos, assim como uma estrutura cada vez mais piramidal e próxima das características de uma ditadura. A tudo isto junta-se o descontentamento e a perplexidade de uma sociedade que não compreende...


iiiiiii

Palavras de Amor e Carinho
Palavras de Amor e Carinho contém grandes citações sobre aquilo que de mais importante existe - o Amor e o Carinho que damos aos outros e que deles recebemos. Traga-as sempre consigo e leia-as como uma meditação sobre a vida. ...

Muito Apaixonados!
Êxtase! Apertos de coração! O soberbo romance, as tonturas, o despenhar em abismos...191 magníficas citações acerca do amor, a mais poderosa força das nossas vidas. Um maravilhoso presente!......


iiiiiii

A Bênção da Felicidade
Uma maravilhosa colectânea...Centenas de citações acerca de paz, amizade, alegria e a simples felicidade desta vida - um verdadeiro tesouro....

Pai és Fantástico
"O pai é um homem comum, tentando fazer o seu melhor para parecer um super-homem." Pam Brown...


iiiiiii

Casamento, Uma Dávida
Este é um presente perfeito para aquele que ama, a pessoa que escolheu para estar ao seu lado até ao final da vida...Mais de 200 das mais maravilhosas reflexões alguma vez escritas acerca do casamento e de se estar apaixonado. Aprecie!...

Um Amigo...
194 coisas maravilhosas que foram ditas acerca dos bons amigos. O presente perfeito...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Destaques Esfera dos Livros

Aqui fica a lista dos títulos que a Esfera dos Livros lançou (ou ainda vai lançar) durante o mês de Setembro.

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A Idade do Armário (Penélope Villar, Rodrigo Marrecas de Abreu)
A psicóloga Penélope Villar e o nutricionista Rodrigo Marrecas de Abreu juntaram-se para responderem neste livro a grandes dúvidas que assolam os pais quando chega a etapa da puberdade.

Entre a infância e a adolescência, há uma etapa intermédia – o início da puberdade – em que os pais assistem impotentes às transformações físicas e comportamentais dos seus filhos, que mais lhes parecem seres extraterrestres vindos de um planeta distante. A sua única vontade: enfiá-los num armário e só os deixar sair quando esta estranha fase tiver passado.

Na verdade, a puberdade é uma etapa difícil para os pais que muitas vezes não sabem como lidar com as transformações que estão a ocorrer à sua frente, dentro de sua casa. É fácil surgirem dificuldades de comunicação entre pais e filhos, que originam conflitos e afastamento… Mas convém lembrar que esta é também uma etapa assustadora para os filhos, que têm de lidar com todas as alterações no seu corpo, nas suas emoções e nas suas relações sociais.

Reconhece estas situações?

- O meu filho agora come tudo o que vê à frente, o que se passa?
- As amigas da minha filha já fizeram a mudança de idade ela não, devo preocupar-me?
- Como lhe explico, e em que idade, o que é a menstruação?
- É suposto falar-lhe de sexo?
- Mãe, estou cheia de borbulhas, não quero ir à escola assim.

Com este livro os autores pretendem ajudar os pais a sobreviverem à Idade do Armário. Fale com eles e descubra com ultrapassar sem conflitos esta fase.

A Minha Sala de Aula é uma Trincheira (Bárbara Wong)
Com o regresso ao trabalho e às aulas é importante conhecer um pouco mais sobre o estado da educação em Portugal. A Jornalista Bárbara Wong falou com professores, pais e estudantes de todo o pais para conhecer as suas histórias. O resultado é este livro que nos conta verdadeiramente o que se passa na sala de aula.

A Minha Sala de Aula é uma Trincheira. 10 Mitos sobre os professores é um livro que conta historias surpreendentes de professores, como o Jonas que trabalhou até ao último dia da sua vida com um cancro na língua, depois de várias juntas médicas e recusas de reforma, da Elisa que nunca mais ficou de costas para os alunos porque numa aula, o seu rabo foi fotografo através de um telemóvel de um aluno, num dia em que levava uma saia um pouco transparente, as fotografias foram espalhadas pela escola e internet, todas identificadas como “O cu da Elisa”, ou da professora Acácia que sai das aulas de física com os cabelos cheios de bolas de papel atiradas pelos alunos.

Conta também histórias de alunos como a de Ondina que é ameaçada de morte por um grupo de alunas, do Ilídio que se atira ao rio por estar farto de ser agredido pelos seus colegas ou do Eurico, de 12 anos, que ouvia insultos diariamente na escola. Por causa dos tratamentos oncológicos o rapaz ouvia mal e por isso chamavam-lhe “surdo”, como não usava os balneários da escola chamavam-lhe “porco”. Eurico que estava a combater a doença oncológica, desde os seis anos, começou a entrar em depressão com a situação que se vivia na escola.

Este livro ajuda a desconstruir mitos formados sobre a profissão de professores. É importante perceber que, hoje em dia, os professores não estão sempre de férias, que não se preocupam com os alunos, que faltam quando querem e que não sabem educar. Perceba junta da autora como podemos ajudar a tornar a educação num dos pilares mais fundamentais da nossa sociedade.



365 Dias com Histórias da História de Portugal
(Luís Almeida Martins)

À segunda-feira conheça os grandes factos e pequenos episódios que marcaram a História de Portugal, à terça é a vez de ser apresentado aos seus protagonistas, na quarta trave guerras sangrentas e batalhas vitoriosas e na quinta veja-se envolvido em revoluções e conspirações que abalaram o poder. A sexta é dia de ficar a par das histórias de alcova, de traições e infidelidades de reis, rainhas e não só e no sábado surpreenda-se com os mitos, lendas e curiosos mistérios dos nossos nove séculos de História.

Para terminar a semana, ao domingo é tempo de descansar a ler episódios relacionados com grandes escritores, artistas e monumentos de Portugal. O convite é irrecusável. Só precisa de poucos minutos por dia para, de forma concisa e divertida, fazer uma extraordinária viagem pela História de Portugal ao longo de 365 dias. Cada dia é uma nova descoberta. Uma nova história.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os Imperfeccionistas - Passatempo


Neste romance de estreia, Tom Rachman retrata um grupo de personagens que trabalham num jornal de língua inglesa em Roma. Os capítulos leem-se como se de contos se tratassem, entrecruzando o dia a dia dos homens e das mulheres que dão vida àquele jornal. À medida que a era digital se sobrepõe à imprensa tradicional deixando as personagens num futuro incerto, a história do jornal é revelada… incluindo a surpreendente verdade por trás das intenções do seu fundador.

«Um romance tão divertido como pungente... e que por vezes nos corta a respiração!»
Financial Times

«Um romance alternadamente lúdico e comovente, arquitetado como um cubo de Rubick.... É tão bom que li duas vezes.»
New York Times Books Review


Estará à venda a partir de amanhã um dos livros que foi considerado pelo New York Times como um dos melhores de 2011 e cujos direitos de adaptação ao cinema estão já vendidos à produtora de Brad Pitt.
E é com grande prazer que o Páginas com Memória se associa à Editorial Presença para oferecer um exemplar deste livro aos seus leitores.
Para tal terão de responder correctamente a uma pergunta até ao dia 25 de Setembro. Boa sorte!





Regras do passatempo

1) Preencher todos os dados solicitados correctamente.
2) Apenas participantes com moradas de Portugal.
3) Apenas uma participação por cada nome, email e morada.
4) O não cumprimento da regra 3) poderá levar a exclusão em passatempos futuros.
5) Os participantes que sejam seguidores do blog terão uma chance extra no sorteio dos livros. As pessoas que não forem seguidoras terão a chance correspondente à inscrição.

Destaques Esfera do Caos

Aqui fica a lista dos títulos que a Esfera do Caos lançou (ou ainda vai lançar) durante este mês.

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A Primazia do Texto (Vários)
Ensaios em Homenagem a Maria Lúcia Lepecki

Organização: Petar Petrov e Marcelo G. Oliveira

De Eça a Saramago, de Camilo a Cardoso Pires, da literatura brasileira às literaturas africanas de expressão portuguesa, da crítica à teoria, da periodização aos estudos bíblicos, quarenta e cinco ensaios em homenagem a um dos nomes mais marcantes da universidade portuguesa das últimas décadas.

Na senda da memória... (Sónia Cravo)
Muito provavelmente, uma das revelações do ano no domínio da literatura em língua portuguesa. Literatura, entenda-se, naquele sentido clássico e robusto que nos remete para a arte de bem escrever…

“Sónia Cravo surge agora com uma narrativa surpreendente a todos os títulos: original quer a nível do tema central e dos motivos que lhe dão consistência e com­plexidade, quer a nível da sua riqueza vocabular, tão inusual que deixa quem lê suspenso entre o arcaísmo e o neo­lo­gismo, entre o achado escritural e o acaso tipográfico (tão joyceano), fazendo a frase explo­dir perante os nossos olhos suspensos. E isto acontece quase continuamente, num ritmo que não deixa sossegar o mais prevenido dos leitores. (…) Mateus, o narrador de toda esta estória de que é personagem nuclear, começa por nos surgir como alguém que não vê senão sexo em cada mulher que o rodeia, e disso faz obsessão central do seu dia-a-dia; mas que, por um acaso que a seu tempo o leitor des­cobrirá, vê-se obrigado, entre dois assassinatos que bali­zam os acontecimentos, a enve­redar por caminhos e a viver situações de todo inusitadas, num terror constante em que «o silêncio multiplica ideias» que o vão dilacerando. (…) Eis um texto que, a todos os níveis, surpreenderá o leitor. E como uma boa estória (um bom romance aberto) é aquela que, no fim, nos confronta com múltiplos possíveis horizontes, assim acon­tece aqui: «E no silêncio ouço-me, há uma voz que sussurra: espera, espera só mais um pouco.» Espera: paciência e esperança. Que futuro estará reservado a Mateus?”
José Ferraz Diogo - Excerto das Palavras de abertura.


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Entre suspiros (Nuno De Freitas)

DEIXEMOS FALAR O LIVRO…
Tens-me na tua mão, totalmente desprotegido, à mercê dos teus olhos que me vão con­sumindo as letras. À medida que me vais lendo, vou ocupando sem pedir um lugar no teu peito, para lá das portas do teu coração. Bem sei que não passo de um livro, mas tenho escondido entre a minha capa um grande segredo. Tenho fragmentos da tua vida que, quando colados aos meus, dão uma história que já foi vivida em unís­sono.

... E TAMBÉM O AUTOR
É entre suspiros que vou pregando as letras neste quadro que nada mais é que um espe­lho de uma vida. Vou navegando em mares de sentimentos e, quando menos se espera, atraco no porto da realidade só para deixar a minha marca mais interventiva, mas, logo, logo, estou de volta ao teu (meu) mar de amor.

Diogo de Paiva de Andrade - Antologia (António Guimarães Pinto)
Presente na fase derradeira do Concílio de Trento, como teólogo do rei D. Sebastião, a participação de Diogo de Paiva de Andrade foi determinante, não só pelas opiniões que verbalmente emitiu em várias sessões, mas também pela redacção e publicação (em Veneza, em 1564) de Orthodoxarum explicationum libri decem, obra que poderemos qualificar como o primeiro breviário ou manual da doutrina contra-reformista.

Manejando a língua do Lácio com inegável elegância e eficácia persuasivas, Diogo de Paiva de Andrade deixou-nos também, em vernáculo, um legado literário que nos autoriza a qualificá-lo como o paradigma da parenética portuguesa do século XVI e um clássico da nossa língua, hoje total e injustamente esquecido.

Com a organização desta ampla Antologia pretendeu-se contribuir para colocar no lugar cimeiro que lhe cabe no quadro da Cultura Portuguesa uma figura cuja fama foi bem notória entre os teólogos e oradores sagrados seus contemporâneos e que prestigiou o nome de Portugal na Europa culta dos séculos XVI e XVII — bastará lembrar que Leibniz não poupou elogios ao seu vasto saber e à sua argúcia intelectual.


iiiiiii

Tópicos de Filosofia e Ciência Política (Viriato Soromenho Marques)
Nova edição revista e ampliada da obra «A Revolução Federal»

O federalismo estimula a capacidade dos povos para enfrentar corajosamente os grandes desafios, sejam eles o da construção de uma ordem constitucional à escala continental, ou o da mobilização de recursos numa dimensão planetária, para combater os imensos perigos do colapso económico, da desregulação financeira, da crise ambiental — com par­ticular visibilidade para as alterações climáticas — e da carestia energética e alimentar.

O DN Jovem Entre o Papel e a Net (Helena De Sousa Freitas)
Durante mais de uma dezena de anos, as terças-feiras foram aguardadas com ansiedade por muitos jovenscriadores portugueses. Escritores, fotógrafos, ilustradores e cartoonistas em início de jornada contavam as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados.
Mas subitamente tudo se alterou. O suplemento juvenil do Diário de Notícias migrou para uma Internet então inacessível à maioria dos portugueses. O anúncio da mudança, feito no próprio DN Jovem a poucos dias do seu 13º aniversário, foi acolhido com indignação.

Levantaram-se vozes de protesto, circulou um manifesto e aqueceram os ânimos no interior do jornal, mas nada travou a medida, que fracturou a existência do suplemento e marcou o acentuar de um desinvestimento que culminaria na sua extinção.

Esta é a primeira “biografia” daquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático.

domingo, 18 de setembro de 2011

A Conquistadora (Teresa Medeiros)

Por estranho que possa parecer, antes de ter deixado a sua marca indelével no romance, com livros repletos de personagens cómicos, caprichoso e enternecedores, Teresa Medeiros escreveu A Conquistadora, publicado pela primeira vez em 1989, no qual brilha uma princesa guerreira chamada Gelina, que até envergonharia a própria Xena. Tal como ela, Gelina sobreviveu a um passado trágico, que a marcou e a transformou numa feroz mas belíssima donzela de guerreira e, mais uma vez, por debaixo de um exterior formidável há um coração terno que busca redenção e amor.
Uma história que decorre na Irlanda pagã, o herói do nosso romance é o histórico Conn das Cem Batalhas, o alto-rei de Tara que uniu o norte com o sul, com o seu bando de guerreiros, os Fianna (de forma geral, semelhantes aos Cavaleiros da Távola Redonda), ele impôs a paz e a ordem aos muitos pequenos e caóticos reinos de Erin. No início da história, Conn está no seu apogeu – tendo já atingido a magnanimidade mas não sendo um jovem.
Todavia o desastre parece agigantar-se no horizonte. O reino de Conn está ainda rodeado por inimigos invejosos, o seu rival, Eoghan Mogh, vai tomando seu tempo e esperando uma oportunidade para tomar as rédeas do poder. E ainda mais presente e concreto, um terrível monstro aterroriza a população, dizimando um a um dos seus Fionna.
A Conquistadora é uma leitura divertida, combinando de forma admirável o romance, a aventura e o inimitável charme da autora. É uma mudança muito bem recebida no género, distanciando-se daqueles romances que parecem seguir a fórmula de “ligar os pontos” como algo romances mais recentes que nos parecem um tanto ou quanto desprovidos de conflito interno e exterior, algo que esta obra nos oferece de forma exímia. Em nosso ver, os melhores romances apresentam obstáculos aparentemente intransponíveis entre o herói e a heroína – conferindo ao leitor uma estranha e apreensiva que não nos abandona até ao final. Algo que aqui encontramos em grandes doses.Mas há também que notar que A Conquistadora é um primeiro romance, e tal como muitas obras iniciais tem algumas falhas técnicas, anacronismos históricos e até erros gramaticais. A trama é um pouco desordenada, contém algumas incoerências do ponto de vista e algumas confusões botânicas gritantes. Por exemplo, Medeiros, menciona abóboras e tomates – ambos os vegetais são provenientes do Novo Mundo e, obviamente, desconhecidas desta Irlanda. Ou por que seria o banho de Gerlina perfumado de gardénias, que vêm das selvas de África.Normalmente erros destes têm o efeito de provocar em quem lê algum desencanto. Mas naquilo em que a obra falha em excelência técnica compensa com um entusiasmo empolgante. Na realidade, até nos recordámos frequente da Xena, a Princesa Guerreira, já que além de ser uma heroína que enverga uma espada também a série abusava de toda e qualquer acuidade histórica, e fazia-o com orgulho, e com sucesso!Por isso, apesar de A Conquistadora nunca poder vir a ser o melhor trabalho de Medeiros, é um romance entretido e muito capaz de nos deliciar.




Autor: Teresa Medeiros


Editora: Planeta Manuscrito


Páginas: 336


Género: Fantasia

Destaques Contraponto

Aqui fica a lista dos títulos que a Contraponto lançou (ou ainda vai lançar) durante o mês de Setembro.

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Promessa de Sangue (Richelle Mead)
A saga continua e uma vez mais o amor tem de superar todas as dificuldades.

A vida de Rose Hathaway nunca mais será a mesma… O recente ataque à Academia São Vladimir devastou por completo o mundo dos Moroi. Muitos morreram e os poucos que foram levados com vida pelos Strigoi esperam um destino ainda pior… Porém, apenas uma vítima importa: Dimitri Belikov. Rose vai ter de escolher entre cumprir a sua promessa e proteger Lissa – a sua melhor amiga e a última das princesas Dragomir – ou abandonar a Academia e dar caça ao homem que ama.

Deverá Rose ir até ao fim do mundo para encontrar Dimitri e cumprir a promessa que ele lhe suplicou que fizesse? Terá ela força para destruir Dimitri ou irá sacrificar-se pela oportunidade de um amor eterno?

Frankenstein – Livro 2 – A Cidade das Trevas (Dean Koontz)
Em Frankenstein – O Filho Pródigo, Dean Koontz começou a contar uma nova versão do clássico da literatura gótica, na qual o demoníaco Victor Frankenstein continua a tentar criar uma raça de seres perfeitos, e apenas Deucalião, o seu primeiro «monstro», parece ser capaz de lhe fazer frente.

Em A Cidade das Trevas, a saga do criador e da criatura continua. Os espécimes da Nova Raça, as mais recentes criaturas de Victor Helios (antes Frankenstein), são na verdade assassinos perfeitos, e começam a espalhar um reino de terror pela cidade de Nova Orleães. À medida que Deucalião, com a ajuda de dois detectives, tenta impedi-los, vai descobrindo que estas criaturas podem ser assustadoramente semelhantes a seres humanos – sobretudo na sua tendência para a crueldade…


iiiiiii

Conspiração 365 – Setembro (Gabrielle Lord)
Convencido de que Oriana esteve por trás do rapto da sua irmã, Cal junta-se a Boges para arquitectarem um plano a fim de conseguirem obter as informações de que tanto precisam. Para isso, introduzem um aparelho de escuta na casa de Oriana, disparando-o através da janela.

Será que espiar esta mulher irá revelar a localização da Jóia e do Enigma ou, em contrapartida, colocar Cal na linha de fogo? Com os seus inimigos a aumentarem à velocidade que diminuem os seus dias, Cal arrisca quase tudo para permanecer vivo e recuperar a sua antiga vida.

O relógio não pára… Cada segundo pode ser o último…

Academia de Vampiros (Richelle Mead)
Após dois anos de fuga, Lissa, a princesa da elite de vampiros Moroi, e a sua amiga e protectora Rose são apanhadas e arrastadas de novo para a Academia São Vladimir, escondida nas profundezas da floresta de Montana. Aí, Rose deverá continuar a sua formação de Dhampir, enquanto Lissa será educada para se tornar rainha.

No entanto, é dentro dos portões de São Vladimir que a segurança de Lissa e Rose se encontra mais ameaçada. Os horríveis e sanguinários rituais dos Moroi, a sua natureza oculta e o seu fascínio pela noite criam um enigmático mundo repleto de complexidades sociais.

Rose e Lissa vêem-se forçadas a deslizar por este perigoso mundo, resistindo à tentação de romances proibidos e sem nunca baixarem a guarda, ou os vampiros rivais farão de Lissa uma Strigoi para a eternidade...

Relançamento

sábado, 17 de setembro de 2011

Alera (Cayla Kluver)

A jovem Alera, de 17 anos, é a princesa herdeira de Hytanica. A tradição impõe que ela case no seu décimo oitavo aniversário, data na qual o seu pai retirar-se-á das suas responsabilidades enquanto rei. Alera tornar-se-á rainha, mas o verdadeiro governante do reino será o seu marido. O pai dela já tem o candidato perfeito alinhado para isso, Steldor, o orgulhoso filho do Capitão da Guarda, porém além não consegue suportá-lo. Alera quer um casamento por amor, mas Steldor para ser o único que vai de encontro a todas as exigências do seu pai.
A maior inquietação de Alera passava por evitar as preferências matrimoniais do pai, até que um intruso é encontrado no perímetro do castelo. Com o inesperado reaparecimento de um rapaz raptado por Cokryi, o reino inimigo de Hytanica, há dezasseis anos e até agora presumido como morto, o que leva a que as frágeis tréguas entre estes dois reinos voltem a ser postas em causa. Ninguém sabe muito bem o que achar deste jovem, Narian, e quais são as suas lealdades, todavia a jovem herdeira acha-o extremamente cativante.
Alera – A Princesa Herdeira, é um romance fantástico e o primeiro volume de uma trilogia, ainda mais interessante pelo facto da autora ser extremamente jovem. Cayla Kluver tem apenas dezoito anos (na altura do lançamento do livro ela tinha apenas 14 anos, uma edição de autor em formato electrónico), ou seja é uma obra escrita por uma adolescente.Mas apesar da idade da autora, há uma profundidade de escrita com que não estávamos realmente à espera.
Alera é uma protagonista afectuosa, é uma princesa, mas é também alguém que tem de lidar com os problemas adolescentes normais inerentes a tornar-se adulta, enquanto procura equilibrar os seus próprios desejos com as elevadas expectativas dos seus pais, e como tal não deixa de revelar alguma imaturidade, já que por vezes toma decisões incrivelmente estúpidas, uma vez que muitas vezes não pensa nas consequências das suas acções.
Como outros pontos fortes deste triângulo amoroso – Narian é misterioso, o enigmático anti-herói com um coração de ouro, mas há coisas que Alera não sabe acerca do seu passado que podem conduzir qualquer relação entre ambos a algo de verdadeiramente desastroso, para além do facto de Steldor esconder mais do que mostra, e a sua possível ascensão ao trono atrair apoios de onde seria inesperado à partida.
Saltando do patamar humano descobrimos uma dimensão interessante do romance conferida pela diferenças civilizacionais entre as duas nações em oposição. Hytaca é uma sociedade dominada por homens, enquanto Cokryi é uma sociedade matriarcal. E a razão para esta inimizade centenária foi terá surgido com o desrespeito de um embaixador de Hytanica para com a rainha de Cokryi, algo que conduziu à guerra entre estes dois estados. Um outro tema subjacente a esta obra é o da liberdade de escolha. Alera não é a única personagem que se tem de debater com o sentido de dever e destino imaginados para si, e esta dualidade não é limitada entre o dever e o desejo mas quais são as escolhas certas a fazer independentemente se vão de encontro aos desejos dos outros.




Autor: Cayla Kluver


Editora: Planeta Manuscrito


Páginas: 424


Género: Fantasia

O Templário d'el-Rei (António Balcão Vicente)

Num romance escrito por um historiador, António Balcão Vicente, pode esperar-se uma obra cheia de detalhes e pormenores da época e dos rituais Templários.
O romance da filha abandonada não é o ponto alto do livro, no entanto mostra-nos que os todos homens são feitos de carne e osso, e que sucumbem também ao pecado da carne.
Nos rituais Templários fala-se aos cavaleiros de abstinência sexual. A ideia não era fazer deles santos, tratava-se de uma questão de guerra psicológica para não sofrerem quando tiverem de matar uma mulher ou criança ou quando virem estas a serem mortas. Desta forma nunca seriam militares mais fracos mas sim mais fortes, em tudo semelhante aos dias de hoje em que não quer militares com família nos palcos de guerra, por ser muito complicado gerir emoções.
Nos Templários era a mesma coisa e aqui ficciona-se um excelente Templário e conhecido no mundo de Portugal, Leão, Aragão e Castela em que tem uma filha que por ironia do destino chega onde deveria chegar caso o pai dela nunca a abandonasse.
O melhor do livro são as referencias super detalhadas da época, sobretudo no caso dos rituais, como se praticavam e porquê.
Nada melhor que um historiador para criar todo o realismo numa obra ficcionada do que escrever a realidade de uma época Templária.
Esta obra servirá de referência durante anos aos interessados nos Templários, e será uma forma muito relaxante e interessante de conhecer as pessoas importantes na formação da Península Ibérica, como Dom Pedro II de Aragão e Dona Isabel de Portugal, e como se serviam essas pessoas, uma verdadeira retrospectiva do século XIII na região e como se envolviam os nobres com os Templários.




Autor: António Balcão Vicente


Editora: Ésquilo


Páginas: 416


Género: Romance Histórico

Destaques Clube do Autor

Aqui fica a lista dos títulos que o Clube do Autor lançou (ou ainda vai lançar) durante o mês de Setembro.

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A Última Testemunha de Auschwitz (Denis Avey com Rob Broomby)
A Última Testemunha de Auschwitz é a história verdadeira e impressionante de um soldado britânico que entrou de livre vontade em Buna-Monowitz, o campo de concentração conhecido como Auschwitz III, para testemunhar na própria pele os horrores sofridos pelos judeus. A sua atitude acabaria ainda por ajudar a salvar um prisioneiro judeu…

No Verão de 1944, Denis Avey era um dos prisioneiros de guerra do campo de trabalho E715, próximo de Auschwitz III. Muito se ouvia falar da brutalidade aplicada aos prisioneiros judeus que aí estavam presos, mas Denis Avey queria certificar-se de que os boatos eram de facto verdadeiros. Tomou então a decisão de ir pessoalmente testemunhar tudo o que lhe fosse possível, colocando em risco a sua própria vida.

Denis Avey arquitectou um plano para trocar de lugar com um prisioneiro judeu e conseguiu infiltrar-se num dos sectores do campo. Passou lá a noite por duas vezes e viveu em primeira mão a crueldade de um lugar onde os trabalhadores escravos eram condenados à morte através do trabalho forçado.

Surpreendentemente, sobreviveu para testemunhar o período posterior à «marcha da morte», em que milhares de prisioneiros foram assassinados pelos nazis fugindo ao avanço do exército soviético. Após a sua própria caminhada através da Europa Central, foi repatriado para a Grã-Bretanha.

Durante décadas, não conseguiu revisitar o passado que lhe assombrava os sonhos, mas agora Denis Avey foi finalmente capaz de contar toda a história – tão apaixonante como comovente – oferecendo-nos uma visão única do íntimo de um homem comum cuja coragem é quase inacreditável.

Não podemos ver o vento (Clara Pinto Correia)
Uma história arrepiante que revela os abismos da alma humana e os segredos mais bem guardados da nossa guerra.

Não podemos ver o vento é o novo romance de uma das mais importantes escritoras portuguesas, que nos fala sobre os segredos mais bem guardados da guerra colonial em Moçambique. “Foi, sem sombra de dúvida, o trabalho de campo mais cansativo que alguma vez me meti por amor a um romance”, desabafa a autora.

Mariana, uma psicóloga ruiva de coração ardente e determinação férrea, está na casa dos trinta quando conhece Guilherme. Mãe de duas gémeas demasiado bonitas, atrevidas e curiosas para seu próprio bem, Mariana começa a frequentar o Solar de Turismo de Habitação que Guilherme dirige na Serra do Barroso para preencher de forma criativa e pedagógica os tempos livres das filhas. Estabelece rapidamente uma grande amizade com o proprietário e à medida que essa relação se vai estreitando começam a emergir os temas que lançarão a psicóloga na sua investigação sem retorno: a Guerra Colonial em Moçambique, a formação dos Grupos Especiais e dos Grupos Especiais Pára-Quedistas, as suas incríveis missões-relâmpago de contraguerrilha, o uso de estupefacientes fornecidos pelo próprio Exército Português, e outros segredos.

Não Podemos Ver o Vento é um puzzle em que as peças vão encaixando para revelar aspectos imprevistos dos abismos da alma humana e histórias verdadeiras de um dos segredos mais bem guardados da Guerra. A última peça do puzzle, no entanto, ao revelar o quadro na sua totalidade, também o modifica por completo: afinal havia ainda mais um segredo, o mais impressionante de todos, e desse nem Guilherme falou nem Mariana suspeitou. E não é que não tenha estado sempre à vista.


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De Olhos Pousados em Deus (Zora Neale Hurston)
De Olhos Pousados em Deus, uma das mais importantes obras da literatura americana do século XX, é uma tocante história de amor passada no Sul dos Estados Unidos que brilha pela sua inteligência, beleza e uma sensatez sentida.

Contada pela voz cativante de uma mulher que se recusa a viver na dor, na amargura ou no medo, De Olhos Pousados em Deus apresenta-nos Janie Crawford, uma mulher negra de pensamentos e sentimentos profundos, que embarca numa demanda em busca do seu verdadeiro eu.

A viagem de Janie inicia-se aos dezasseis anos, quando a avó moribunda a obriga a casar com Logan Killicks, um homem mais velho que Janie despreza. Revoltando-se contra as tentativas de Logan em transformá-la numa moura de trabalho, Janie decide fugir com Joe Starks, um homem da cidade com grandes sonhos. Os dois seguem para Eatonville, onde, passado pouco tempo, Joe se transforma no seu presidente de Câmara, chefe dos correios e proprietário de terras.

Depois da morte de Joe, Janie apaixona-se por um trabalhador de espírito livre muito mais novo do que ela. Tea Cake é o verdadeiro amor de Janie e na sua companhia ela tem finalmente liberdade para se transformar nela mesma.

Uma verdadeira pérola literária, a obra de Hurston continua tão relevante e comovente hoje como quando foi publicada pela primeira vez, em 1937. Oprah Winfrey considera De Olhos Pousados em Deus a sua «história de amor favorita de todos os tempos». A admiração pelo romance levou Oprah a produzir uma adaptação televisiva do mesmo, tendo como actriz principal Halle Berry.

Meu Querido Cromo - as minhas calças estão assombradas
(Jim Benton)
Meu querido cromo está de volta! Jamie, a rapariga mais divertida do mundo, continua a partilhar no seu diário, o cromo, as peripécias hilariantes que vive na Escola Preparatória Carapau.

É incrível como um único par de calças pode ter tanta influência no Universo. Depois de vestir as calças de ganga mais fixes de sempre, Jamie sentia-se a rapariga mais bonita à face da Terra. Só que, afinal, as calças têm vida própria e desejos muitos esquisitos… Estão Assombradas!!!!!

"Querido Cromo,

A Isabella disse que não foi a transformação que aumentou a Popularidade da Margaret e nos empurrou para o fundo da escala. Foram as calças. Também garantiu que não foi o meu grito na aula de Ciências que me fez trocar de novo de parceiro de laboratório e me juntar com o Famoso Palerma, Mike Pinsetti. Foram as calças. E disse que não fui eu quem fiz vocês-sabem-o-quê para cima do Hudson Rivers. FORAM AS CALÇAS!"

Depois de "Meu querido cromo, vamos fazer de conta que isto nunca aconteceu", chega agora "Meu querido cromo, as minhas calças estão assombradas", e as aventuras de Jamie com as suas amigas parvas fazem deste divertido livro um fenómeno internacional.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Destaques Oficina do Livro

Aqui fica a lista dos títulos que a Oficina do Livro lançou (ou ainda vai lançar) durante este mês de Setembro.


TELEFONEMA 41 – Na Pista do Violador de Telheiras
(Paulo Jorge Neves)

O maior predador sexual de que há memória em Portugal abusou de onze raparigas entre os 14 e os 22 anos e tentou fazer o mesmo a outras três que, no entanto, conseguiram escapar do criminoso que ficou para a história como o Violador de Telheiras.

Henrique, um homem de aspecto normal e boa reputação entre vizinhos, colegas e conhecidos, dizia à sua noiva que ia ao ginásio antes de partir à caça das suas vítimas, quase sempre à terça-feira, espalhando o terror nos arredores de Lisboa. Primeiro em Telheiras, depois Alfragide, Linda-a-Velha e Oeiras. Começou por atacar de cara destapada e só usou passa-montanhas quando percebeu que a Polícia Judiciária andava no seu encalço.

Não seria uma perseguição fácil para os polícias, como se demonstra neste relato magistral que nos transporta, com sentido de pormenor e rigor, para os bastidores da investigação. A 2.ª Secção dos Crimes Sexuais da PJ precisou de quase três anos para apanhar este jovem engenheiro, calculista, minucioso e com o cadastro limpo, que se confundia na multidão da grande cidade. Até que a divulgação pública do seu retrato-robô, uma das numerosas diligências da polícia, levou uma mulher sob anonimato a ligar para os investigadores e a denunciá-lo: foi o decisivo Telefonema 41.



O Amor e o Facebook (Cláudia Morais)

Partindo de casos concretos, “O Amor e o Facebook” oferece dezenas de pistas para uma correcta utilização da maior rede social do mundo, evitando que se torne um problema para a nossa vida sentimental e sublinhando as suas virtudes e potencialidades no campo dos afectos.

O seu amor é à prova de Facebook? As redes sociais vieram para ficar nas nossas vidas, mas até que ponto são reais as ligações de amizade que lá estabelecemos?

Que riscos corremos com a exposição a que nos sujeitamos no nosso perfil e com o conhecimento que passamos a ter da vida dos outros? Que consequências é que essa rede de contactos pode ter no nosso casamento ou namoro?

Será possível proteger a nossa relação enquanto competimos com alguém que, pelo menos no plano virtual, se apresenta ao nosso marido ou mulher como quase perfeito?

Destaque Gestãoplus

Aqui fica a novidade da Gestãoplus para Setembro.



G de Gente - A Força da Natureza Humana e os Caminhos da Neurogestão
(Jorge Marques)

Prefácio do Prof. Doutor Fernando Carvalho Rodrigues
«A razão de ser deste livro é a minha crença numa Economia de Homens Inteligentes e não na fé e no velho paradigma que nos diz que a riqueza do mundo resulta da acção de indivíduos movidos apenas pela busca racional dos seus interesses, indivíduos que se encaixam mecanicamente no perfil do Homem Económico. (…) A economia é feita por Homens e para Homens que são e têm, simultaneamente, comportamentos racionais, emocionais, sociais, espirituais, culturais.(…)

A minha crença é numa gestão que inicie novos caminhos, a que chamei Neurogestão. Destaco aqui, entre outras variáveis e como pontos fortes, a ideia do regresso à nossa Natureza Humana, a ideia de uma Vida nas Organizações comparável à vida biológica, de uma Força de Trabalho mais feminina e talentosa, da construção urgente de organizações e de um país que mobilizem todas as capacidades e inteligência dos seus trabalhadores e cidadãos.

A minha crença é nas supercapacidades do Homem, que têm sido, sem uma explicação razoável, muito mal estudadas, conhecidas e aproveitadas até hoje!

O mundo dos negócios, a nível global, envolve hoje mais de 6 mil milhões de atores. É a família mais influente do mundo, mais do que qualquer governo, país, religião, etnia. As mudanças no mundo passarão sempre por aqui.»

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pack Romance - Passatempo



É com grande prazer que hoje lanço um passatempo onde vou oferecer um pack com dois romances muito sugestivos editados recentemente pela Esfera dos Livros.
E para ganharem terão de mostrar que estão cheios de ideias para escreverem o vosso próprio romance!
Em conjunto com a própria editora iremos escolher as duas melhores ideias para romances sugeridas e cada um dos vencedores terá direito a ler estes dois livros em sua casa.
Podem consultar mais informações sobre Por ti, Resistirei e Preciso de Ti, aqui e aqui.
Têm até dia 1 de Outubro para se inspirarem!




Regras do passatempo

1) Preencher todos os dados solicitados correctamente.
2) Apenas participantes com moradas de Portugal.
3) Apenas uma participação por cada nome, email e morada.
4) O não cumprimento da regra 3) poderá levar a exclusão em passatempos futuros.

Destaques Europa-América

Aqui fica a lista dos títulos que a Europa-América lançou (ou ainda vai lançar) durante o mês.

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Merrick (Anne Rice)
Neste romance hipnótico, a autora das Crónicas do Vampiro e da saga das Bruxas Mayfair demonstra mais uma vez o seu dom para a criação do mito e da magia.

Desta vez ela vai juntar vampiros e bruxaria para criar um ambiente verdadeiramente arrepiante.

No centro da história encontra-se Merrick, a «Bruxa de Endor», a bela e misteriosa feiticeira, descendente de uma sociedade mestiça de Nova Orleães familiarizada com as cerimónias de voodoo. Entre os seus ancestrais encontram-se também as grandes Bruxas Mayfair — de quem ela nada conhece senão o poder e a magia que herdou.
E a ela junta-se David Talbot — vampiro, herói, aventureiro e contador de histórias, companheiro dos já conhecidos Vampiros Lestat e Louis de Point du Lac. É ele quem vai narrar a lenda de Merrick, uma lenda que nos leva da Nova Orleães do passado e do presente às selvas da Guatemala, das ruínas Maias a civilizações ainda mais antigas e inexploradas.

Esta é, assim, uma história cheia de tensão, onde dois seculares poderes ocultos se juntam numa dança de sedução, morte e renascimento.

Eu Sou Uma Criatura Emocional (Eve Ensler)
Neste livro atrevido, a autora internacionalmente aclamada e dramaturga Eve Ensler oferece-nos monólogos ficcionais e histórias inspiradas por raparigas de todos os cantos do mundo.

Intenso, terno e inteligente, Eu Sou Uma Criatura Emocional é uma celebração da voz autêntica que existe dentro de cada rapariga e um apelo inspirador a todas, para que não tenham medo de falar mais alto, de seguir os seus sonhos e de se tornarem as mulheres que sempre estiveram destinadas a ser.

Eve Ensler é uma dramaturga de renome internacional cujas peças anteriores incluem Floating Rhoda and the Glue Man, Lemonade, Necessary Targets e Monólogos da Vagina, pela qual recebeu um Prémio Obie.
Ensler é fundadora e directora artística da V-Day (www.vday.org), o movimento global para acabar com a violência para com as mulheres e raparigas e que foi inspirado pelos Monólogos da Vagina. Em sete anos, a V-Day conseguiu angariar mais de 25 milhões de dólares para grupos populares de todo o mundo. Eve Ensler vive na cidade de Nova Iorque.


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Perdida (Mo Hayder)
Anoitece quando o inspector Jack Caffery chega para falar com a desesperada vítima de car-jacking. O que lhe é dito deixa-o horrorizado. O automóvel foi levado à força. E no banco traseiro havia um passageiro. Uma menina de onze anos. Que ainda não foi encontrada.

O assaltante não demora muito a entrar em contacto com a Polícia. E Caffery tem cada vez mais a certeza de que ele está a planear roubar outro automóvel. E outra criança. Quem é o assaltante? Como é que ele escolhe as suas vítimas? E — mais importante que tudo — conseguirá Caffery encontrar a criança? Antes que seja tarde de mais…

O Verdadeiro Poder do Vaticano (Jean-Michel Meurice)
Como será que Pio XI e Pio XII encaravam realmente Hitler e Mussolini, com quem estabeleceram vários acordos? Aprovariam o seu comportamento, precisariam deles, pensariam que os podiam manipular?

Terá a Igreja precipitado a queda da república espanhola? Qual o motivo do silêncio ensurdecedor de Pio XII durante a Shoah? O que sabia ele verdadeiramente? Será que podia ter agido de outra forma? Terá comandado secretamente as democracias cristãs que surgiram na Europa no pós-guerra? Qual o papel do papado na contestação do comunismo, no conflito israelo-árabe, e qual o papel de João Paulo II na queda do Muro de Berlim?

São muitas as questões fervilhantes às quais este livro, construído a partir de um documentário que o autor realizou para o canal Arte, tenta dar resposta. Aproveitando a abertura recente dos arquivos secretos datados do período anterior a 1939, o autor reúne pela primeira vez numa mesma investigação os maiores especialistas da história da Igreja, laicos e por vezes muito críticos, e os eclesiásticos mais eminentes, como os cardeais Poupard, Etchegaray, Cottier (o teólogo de João Paulo II), Sodano, Tauran... que tiveram um papel nesta diplomacia tão singular do Estado do Vaticano.

Com prefácio de Henri Madelin, este livro minucioso é uma história secreta e apaixonante do século XX.


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O Verdadeiro Tesouro dos Templários (Jacques Rolland)
Jacques Rolland é categórico: existe efectivamente um Tesouro dos Templários. E nem os historiadores clássicos nem os autores de histórias fabulosas sonham sequer em contestá-lo. Pelo contrário, ninguém apresenta provas e a maior parte dos autores confunde os leitores ao levá-los por caminhos já demasiado trilhados.

Nesta obra, um exame minucioso da Ordem do Templo permite a elaboração de várias hipóteses muito importantes, frutos de um estudo aprofundado da corrente revolucionária que foi esta Ordem.

A Ordem do Templo não poderia ter sido fundada sem um conjunto de circunstâncias excepcional, um emaranhado inesperado de acontecimentos que convergiram sobre as terras de França e do Oriente. Assim sendo, para voltar a reunir este conjunto de circunstâncias e acontecimentos, é necessário perceber primeiro por que razão este fenómeno templário surgiu em França e porque tentou, por todos os meios, enraizar-se nas terras a oriente.
Jacques Rolland tem em consideração o contexto político-religioso dos séculos X e XI, para neles descobrir a existência virtual, de certa forma ainda subliminar, dos elementos constitutivos deste Tesouro.

Este ensaio encontra-se organizado em cinco partes bem distintas, mas que revelam uma unidade singular: o simbolismo do Tesouro, as catedrais, onde o encontramos hoje em dia, as pistas falsas e, por fim, a demanda do Graal.

Como Construir Muros de Pedra (John Vivian)
Uma bela parede de pedra... Para ter uma, só precisa de um monte de pedras, alguns utensílios e este livro!

Aprenda tudo sobre:

• fundações
• o método básico «um sobre dois»
• fendas
• calcular a relação altura/largura
• usar pedra de menor qualidade
• muros de retenção
• construir muros, cercas e degraus
• mover pedras e pedregulhos

Figuras e exemplos excelentes de boas paredes, assim como de algumas mais fracas, acompanham o texto cativante do autor, que explica passo-a-passo como construí-las. Inclinações, problemas de drenagem, entulho — vai encontrar estes desafios e muitos mais explicados e prontos a superar.

Se o Seu Material de Eleição É a Pedra, Então Este Livro É Para Si!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Destaques ArtePlural

Aqui fica a lista dos títulos que a ArtePlural lançou (ou ainda vai lançar) durante este mês de Setembro.

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Guia de planeamento pessoal e astrológico – 2012 (Nuno Michaels)
Imagine um guia anual, para gerir o seu tempo dia após dia, como nunca imaginou… Um guia onde o tempo está vivo, que espelha não tanto – ou não só – o calendário dos homens mas o ritmo dos céus, anotando e esclarecendo as mudanças, os diálogos e as interações das energias celestes.

Esse guia é precisamente este que tem nas mãos: um manual para o autoconhecimento, uma fonte permanente de inspiração e crescimento, um convite para tirar o melhor partido da sua vida.

Descubra nas páginas deste livro uma ferramenta única e original que lhe permitirá planear o seu tempo; formular os objetivos adequados nos momentos mais auspiciosos; escolher as melhores datas para os seus eventos e tarefas; acompanhar os ritmos pessoais e coletivos, aprendendo astrologia enquanto a vê funcionar no quotidiano; integrar e desenvolver qualidades novas todos os meses e manter um diálogo permanente sobre o seu próprio desenvolvimento pessoal.

Faça-se acompanhar deste guia e terá sempre consigo um oráculo, a sabedoria do cosmos e um companheiro de viagem e de bolso para uma vida mais fluida e consciente ao longo do ano.

Momentos 2012 (Paulo Coelho)
Todas as agendas do Paulo Coelho são um enorme sucesso. Uma agenda que encherá cada um dos seus dias de alegria, com uma selecção de frases do autor de maior sucesso dos nossos tempos, Paulo Coelho, e coloridas e exuberantes ilustrações de uma reconhecida artista colombiana.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Rainha Vermelha (Philippa Gregory)

Philippa Gregory tem um talento único para criar uma história e dar vida aos seus personagens. O fascinante da escrita de Gregory é que, embora os seus romances sejam ficção, percebe-se a enorme pesquisa efectuada nos fundamentos históricos subjacentes à construção da sua obra. A sua escrita é extremamente fácil de ler, compreender e seguir, sem contudo perder a sua profundidade.
A Rainha Vermelha é um livro de leitura fácil e agradável, talvez um tudo-nada “curto”, dado que nos deixa com àgua na boca para ler mais páginas desta brilhante escritora. Eu li este livro em duas noites não me conseguindo conter para saber o final do livro. Pessoalmente prefiro histórias repletas de detalhe e conteúdo, e esta obra está recheada de detalhes sumarentos para se perceber toda a história real que está por de de trás do livro, como por exemplo o triunfo do filho de Margarida Beaufort, Henrique Tudor.A autora narra a história de uma guerra pelo trono de Inglaterra, a batalha entre a Casa de York e a Casa de Lancaster, neste caso na perspectiva dos Lancaster, atravês do olhar de Margarida Beaufort, mãe do celebre Henrique Tudor.O romance retrata-nos o crescimento e amadurecimento da religiosíssima Margarida Beaufort, do seu casamento com Tudor, quando ainda era uma criança, passando pela esperança em conceber o herdeiro do trono, à experiencia do nascimento do seu filho, onde descobre que sua mãe havia instruído as parteiras para em caso de terem que escolher entre ela e o bebé, escolherem o bebé.Após o nascimento, Margarida coloca o seu filho no topo de suas prioridades, acreditando piamente que o seu filho deve ser o rei de Inglaterra. Margarida é extremamente devota, e acredita ouvir a voz de Deus, e que por Ele é dirigida e guiada. A autora diz claramente, que Margarida acreditava ser quase divina, e via-se como mãe do rei de Inglaterra. A piedade e as visões de Margarida desempenhavam um papel fulcral em suas acções. Ela comparava-se a Joana d'Arc e afirmava estar muito próxima de Deus.A história continua retratando a vida de Margarida após o nascimento do filho, mostrando como ela é afastada dele durante a sua infância, adolescência e inicio da vida adulta, enquanto ele é criado por outras pessoas, incluindo um seu inimigo.A autora oferece-nos uma história fantástica, fazendo de Margarida Beaufort, uma mulher forte e profunda, com uma grande multidimensionalidade algo raro em personagens de ficção histórica, que nos permite ter uma noção realista de quem terá sido de facto esta mulher. No entanto é importante não esquecer que embora alicerçada e factos reais, esta história é ficção. Embora nos traga à luz do dia factos históricos bem menos celebres que a posterior história da Dinastia Tudor.É com grande mestria que Philippa Gregory retira Margarida Beaufort das sombras da História em que geralmente é apenas um nome de referência por ter sido mãe de Henrique VIII, fazendo-a viver, respirar e sonhar atravês da sua magnifica escrita. Ninguém o poderia ter feito melhor.Se é verdade que existem poucos romances históricos verdadeiramentes bons, também verdade que existem poucos autores do género realmente bons e Philippa Gregory faz sem duvida parte desse pequeno grupo.Um livro de leitura obrigatória não só para quem gosta de ficção histórica e se interessa pela monarquia da Inglesa, mas por quem gosta de ler um livro de ficção escrita com mestria e repleto de conteudo histórico fiavél. Uma verdadeira pérola do romance histórico.





Autor: Phillipa Gregory


Editora: Civilização


Páginas: 408


Género: Romance Histórico

À conversa com António Cândido Franco

Foi há cerca de um ano que primeiro tive contacto com a obra deste autor português mas foi depois de ler o seu mais recente recente romance, Os Pecados da Rainha Santa Isabel, que senti uma vontade de aprofundar o conhecimento que tinha sobre o autor.
Essa sua obra, inteligente e desafiante, é uma p0rta estreita para uma sala ampla repleta de conhecimento. Esta entrevista dá alguns passos por ela dentro.
Foi conduzida via email e o resultado é um conjunto de considerações muito interessantes. O meu agradecimento ao autor pela sua disponibilidade!





- Porque decidiu escrever sobre a Rainha Santa Isabel?
Mário Cesariny em conversa que teve comigo em Dezembro de 1997 chamou-me a atenção para as relações que Isabel de Aragão tivera com Arnaldo Vilanova, um pensador herético que lhe interessava há muito, a ele, Mário Cesariny, e a quem muitos anos antes dedicara um poema. Os Poetas têm impressões de alma, breves como um verso, que valem um tratado de muitas páginas da mais pura Ciência. De resto, a leitura, pela mesma época, dos quadros dramáticos de António Patrício, em Dinis e Isabel, terá ajudado a calar em mim tão estupenda figura. No mesmo sentido correu a leitura da reedição de Titânia, História Hermética em Três Religiões e Um Só Deus Verdadeiro com Vistas a Mais Luz como Goethe Queria, com nota final inédita, em que Mário Cesariny discorre sobre Isabel de Aragão.

- Isabel de Aragão tem, como diz, "aspectos heréticos na sua espiritualidade". Esta heresia faz de Isabel uma figura única na história portuguesa?
Único é aquele que vive para si, sem nome, sem figura, sem estirpe. Isabel de Aragão deixou uma vasta descendência, menos carnal do que psíquica, que fazem dela uma precursora dum vasto movimento cultural, tão largo que chegou até nós, mau grado as tentativas de erradicação por parte do tribunal inquisitorial. O ideário dos Descobrimentos, tal como se formou nos reinados do Eloquente e do seu filho, bem expressos na pintura de Nuno Gonçalves ou em certos passos da prosa de Fernão Lopes, tem uma dívida imensa para com a espiritualidade heterodoxa de Isabel de Aragão.

- Procura na sua obra ter um olhar "revelador" sobre estas facetas menos conhecidas de figuras do nosso passado?
As figuras do passado só revivem através de focos que as desnudem nos seus propósitos mais recônditos e desconhecidos. Só a revelação do segredo reconstrói uma alma como arquétipo indelével. E só o arquétipo interessa a Poesia.

- Em obras anteriores escreveu sobre Inês de Castro e Leonor Teles. Que relação estabelece entre estas três mulheres da Idade Média?
Estamos a falar de três gerações de mulheres, que ocuparam todas três a mesma posição na corte portuguesa, em momentos sucessivos, no curto espaço de pouco mais de meio-século, vivendo nos mesmos espaços e com certeza com valores e comportamentos muito próximos. Atente-se na importância que um desses espaços, Santa Clara de Coimbra, tem no itinerário de duas destas mulheres: é fundado por Isabel de Aragão nos primeiros lustros do século XIV e ressacralizado por Inês de Castro três, quatro décadas após, no momento da sua execução, inumação e exumação, esta na exaltante cerimónia do beija-mão da rainha-morta, cujo rasto escrito remonta ao derradeiro capítulo da Crónica de Dom Pedro de Fernão Lopes, escrita ainda no reinado do segundo filho do Justiceiro.

- Alguma outra figura feminina da Idade Média Portuguesa que gostasse de abordar na sua escrita?
As filhas de Sancho I, uma fundadora de Celas e outra dos franciscanos de Alenquer, são figuras invulgares, a merecer atenção. E Mécia, rainha de Portugal, esposa de Sancho II, é uma figura trágica e poderosa.

- Tem um interesse específico por esta época (Idade Média)?
A Idade Média é uma das raras idades, se não mesmo a única, pelo menos no contínuo histórico do Ocidente, que foi estática. O tempo, que é o acelerador da História, o anti-ansiolítico por excelência, era quase desconhecido. Ora acelerar a História é perder a possibilidade de sair fora de si, é viver em permanente angústia. Quem não sai fora de si não conhece o êxtase, que foi o apanágio de todas as culturas humanas anteriores ou laterais à História. A Idade Média, pela proximidade sensível a que está de nós, tão perto que lhe podemos tocar com os dedos, é uma fonte de sonho, um modelo inspirador duma outra forma de viver mais exaltante, menos egoísta, mais duradoira.

- Nos seus livros História e lenda cruzam-se. Porquê?
A História sem a Lenda é como um corpo sem espessura psíquica. A História é uma fisiologia mecânica, que apenas nos dá a conhecer, quando outras intenções não se intrometem, o movimento das formas. Para haver um organismo que seja mais do que um autómato mecânico precisamos duma alma. A Lenda, tão viva nas suas ideações, é a alma da História.

- Para além dos romances históricos tem também uma vasta obra ensaística e escreve poesia. Tem predilecção por algum campo da escrita?
Platão diz no Fedro – ou diz Sócrates por ele – que há duas espécies de Loucura, a fisiológica, que merece tratamento médico, e a divina, que é uma possessão e uma graça. Entre a Loucura divina distingue quatro tipos: a mística, sob a inspiração de Dionisos; a profética, debaixo do influxo de Apolo; a amorosa, orquestrada por Eros e Afrodite; a poética, sob a influência das Musas, antes de mais Calíope, mãe de Orfeu e de Camões. Tanto faz que se escrevam versos ou linhas de prosa, ensaios ou poemas, romances históricos ou diálogos dramáticos, o que importa é a possessão. À luz deste critério, não há genéros, tudo é o mesmo.

- Escreveu sobre Teixeira de Pascoaes. É um escritor que o marcou e o influenciou?
Teixeira de Pascoaes é o melhor exemplo que conheço dum poeta possesso ou enlouquecido pelo génio divino. A sua obra é um incêndio gigantesco que continuará até ao fim do mundo a consumir o sangue da humanidade. Mário Cesariny viu nele um poeta mais importante do que Fernando Pessoa.

- E Florbela Espanca?
Outra possessa. Vale tanto como a Sibila de Delfos. Bem podemos ir a Vila Viçosa todos os anos, a 8 de Dezembro, dia do seu nascimento e da sua morte, deixar uma rosa em memória desta filha eleita de Calíope.

- Como e quando é que começou a escrever?
Foi com os materiais arrepiantes das primeiras leituras – Zorro, Texas Jack, Tintim, os Cinco, os Sete, os romances que a Portugália Editora publicava numa colecção chamada “livros para rapazes, muito Alexandre Dumas e muito Adolfo Simões Müller – que ideei a primeira escrita.

- Que outras influências tem na sua escrita?
A dos escritores selvagens. Aqueles que não pretendem (só) escrever bem, numa tradição erudita, academizante, artística e antropofágica, mas construir a escrita sobre as sobras vivas dum acto mágico. São esses os escritores que me interessam. Dou dois exemplos: Luiz Pacheco e António Gancho.

- Como vê o actual estado da Literatura Portuguesa?
A chamada República das Letras é uma treta. Escritores médios, ou mesmo medíocres, como José Saramago ou José Echegaray, ganham o Nobel, e outros geniais, como Agustina Bessa Luís, Herberto Hélder ou Raul Brandão vivem retirados, quase apagados, alguns inéditos. Não é atributo nosso – já Camões foi preterido por Pedro de Andrade Caminha – mas das épocas clássicas, utilitaristas, incapazes duma obra colectiva. A lei do mercado actual asselvajou o processo, levando a desmandos incalculáveis. Livros nulos – merda em forma de página – voam às dezenas de milhar de exemplares (basta para isso que o seu autor seja presença popular na televisão); livros geniais, como os de Agustina e os de Hélder, ficam-se por umas centenas ou uns escassos milhares.

- Para além de escritor é também Professor Universitário. Como é que as rotinas dessa profissão o influenciam ou ajudam no processo de escrita?
A Escola é um relógio de Fábrica; em vez de badaladas de bronze tem campainhas estridentes. A Poesia é uma ampulheta silenciosa, cuja areia marca apenas a duração do ritmo. Nem sempre mundos assim distintos podem conviver em paz.

- Pode-se esperar por novas incursões suas pelas figuras marcantes da idade média portuguesa? Serão sempre as femininas ou haverá modelos masculinos que lhe interessam?
A História da Civilização Ocidental escondeu durante séculos a Mulher. Tirando um curto período da Idade Média, responsável pela primeira leva de emancipação feminina, no seio da qual se gerou a agitação da poesia trovadoresca, em particular as cantigas de Amigo, de enunciação feminina, a Mulher não foi vista nem achada no horizonte da nossa cultura. Daí o seu fascínio, pois a fantasia só se exerce sobre aquilo que está escondido. Há figuras masculinas que mantém o mesmo encanto, pois tudo o que delas sabemos se revela um novelo de suposições que se desfazem ao primeiro sopro. Cristóvão Colombo é uma dessas figuras sem biografia, um segredo, um selo por abrir, que mantém inalterado o seu desmedido poder poético de sedução.