domingo, 20 de junho de 2010

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata (Annie Barrows e Mary Ann Shaffer)

Tenho de confessar que o título deste livro me deixou deveras curiosa. E pensei “mas quem é que na plenitude da sua sanidade mental vai dar este nome a um livro”?
Porque geralmente os livros tem títulos pequenos e chamativos. Percebi logo que este era um livro diferente dos outros, que usava um titulo assim para deixar o leitor curioso para ver o que está por trás dele, ao que a sinopse deveras agradável ajuda.
Este livro é em parte póstumo pois a escritora que o estava a escrever faleceu antes de o conseguir acabar. Assim foi a sobrinha que teve de o terminar, tornando-se assim co-autora do livro. No entanto a escrita é bastante uniforme e natural não sendo possível distrinçar onde começou uma autora e onde terminou outra, o que muitas vezes acontece em livros semelhantes, o que poderia afectar a qualidade da história.
Outra peculiaridade deste livro é que ele é escrito em forma epistolar, ou seja em forma de cartas da personagem principal Juliet, para os habitantes de uma ilha perto do Canal chamada Guernsey, para as suas amigas e para o seu irmão. Este formato permite uma leitura fácil, rápida e aditiva.
Esta história passa-se no período após a segunda Guerra Mundial e conta como os habitantes da ilha de Guernsey enfrentaram a guerra com a ajuda da sua curiosa sociedade. Devido ao livro se passar nesta época particularmente difícil seria de esperar que o livro se tornasse triste e pesado. O que surpreendentemente não acontece porque o livro é leve e cândido e põe-nos um sorriso no rosto mesmo falando de temas tão sérios.
Este livro faz também com que qualquer amante da literatura se identifique com as personagens do livro, pois é o seu amor aos livros que lhes permite manterem-se unidos e ultrapassarem os momentos mais traumáticos, talvez seja isso que torna os personagens deste livro tão palpáveis e reais aos olhos do leitor,
Numa palavra: adorei!




Autor: Annie Barrows e Mary Ann Shaffer


Editora: Objectiva


Páginas: 448


Género: Romance epistolar

sábado, 19 de junho de 2010

Shadow, o Confronto - Passatempo


“Shadow, o Confronto” é o livro de estreia desta jovem escritora, que nos transporta para um mundo de magia, fantasia e mistério, povoado de elfos, duendes e gnomos, criaturas de um mundo fantástico e deslumbrante, no qual imperam sonhos, aventuras e emoções.
Enredados em incríveis jogos de poder, autênticos labirintos sufocantes que os obrigam a ultrapassar inúmeros obstáculos, Shadow e Niadji aprendem o valor da lealdade, da abnegação e, acima de tudo, do amor, assente na partilha e na cumplicidade.
Auxiliados por um cortejo de figuras fascinantes, vivendo aventuras mirabolantes e absolutamente surreais, em que o Bem e o Mal se confundem e se misturam vezes sem conta, fazendo-os questionar-se sobre a essência do Ser, os dois jovens emaranham-se nas suas próprias emoções, culminando na verdadeira descoberta do seu íntimo.

Aqui está mais um passatempo exclusivo para os seguidores. Tenho um exemplar para oferecer de Shadow, o Confronto.
O vencedor, desta vez, será o primeiro a responder correctamente às duas perguntas que estão no formulário.
Participem até às 18h00 de amanhã, dia 20 de Junho!


Regras do passatempo

1) Ser seguidor do blog.
2) Preencher todos os dados solicitados correctamente.
3) Apenas participantes com moradas de Portugal.
4) Apenas uma participação por cada nome, email e morada.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Shadow, o Confronto (Joana Miguel Ferreira)

É extraordinário que a autora tenha começado a escrever um livro desta envergadura tão jovem, embora a sua escrita seja simples e talvez até um pouco juvenil como é natural, sem dúvida este livro destaca-se pela sua originalidade.
Nos livros de fantasia em que muitos são pouco mais que ideias copiadas de outros, principalmente no género juvenil, e outros para se destacarem têm de recorrer a grandes enredos, demasiado complexos e por vezes até confusos perdendo assim o âmago da história, este livro surpreende-nos pela sua originalidade, frescura e simplicidade que nos faz relembrar os tradicionais contos de fadas que não precisam de grandes malabarismos ou floreados para prender e encantar o leitor.
A história é muito boa, só é pena a autora não ter optado por a ter desenvolvido um pouco mais, pois é um pouco pequena e penso que a autora tinha aqui muito material que podia ter explorado mais a fundo.
Adorei a aura de mistério que rodeia toda história sobre a origem de Shadow, que nos faz muitas vezes ficar a divagar e tentar encontrar as nossas próprias soluções para o mistério.
O final é, de facto muito bom, por ser um choque a todas as nossas expectativas e ter um efeito de total surpresa para o leitor.
Estou curiosa para o desenvolvimento da escrita desta jovem e talentosa escritora.




Autor: Joana Miguel Ferreira


Editora: Papiro Editora


Páginas: 200


Género: Fantasia

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Especial Cassandra Clare


A Editora Planeta trouxe esta semana a Portugal a autora Cassandra Clare que é um sucesso em todo o mundo e que em Portugal vem criando uma sólida legião de fãs.
Tive a oportunidade de falar com ela numa entrevista que correu muito bem e onde a autora se revelou extremamente simpática e igualmente culta.
A conversa, pois foi disso que acabou por se tratar, mais do que uma entrevista, valeu muito a pena e acho que todos os fãs, bem como aqueles que ainda têm dúvidas sobre se devem ler os livros da autora, ficarão muito satisfeitos com aquilo que a autora tem a dizer.
Até que comece a semana dedicada por inteiro à autora, podem ir lendo a crítica a Cidade dos Ossos e Cidade das Cinzas.
E fiquem atentos à próxima semana pois valerá a pena e haverá surpresas!

Destaques Planeta

A um génio literário e uma obra incacaba junta-se a imaginação de Matthew Pearl e um mistério que promete cativar o leitor. O resultado é O Livro Incacabado de Dickens, um livro altamente elogiado e que poucos deixarão de ler!



Quando morreu, em 1870, Charles Dickens estava a escrever O Mistério de Edwin Drood, um romance policial, novidade na altura, a pedido do seu amigo Wilkie Collins. Com 6 capítulos finalizados, a história ia apenas a meio. Como quereria Dickens terminá-la ninguém sabe, embora muito se tenha especulado desde então.
Em O Livro Inacabado de Dickens, Matthew Pearl parte deste acontecimento inesperado para recriar a Londres vitoriana, com capas e bengalas e candeeiros a gás, para mergulhar nos antros de ópio da cidade londrina, para desmontar a pirataria e a rivalidade literária entre Boston e Londres e para rever toda a obra do grande romancista inglês. Tudo isto ganha vida no romance de Matthew Pearl.
Fazendo uso de flashbacks, o autor vai intercalando figuras históricas, como Osgoog, editor da Fields & Osgood, com personagens ficcionadas, factos reais com situações imaginadas, muita intriga, homicídios, reviravoltas inesperadas e até um louco que diz que se chama Dick Datchery, uma personagem do romance incompleto de Dickens.
Quando a notícia da morte inesperada de Dickens chega aos escritórios da sua editora em Boston, Osgoog decide partir para Londres na esperança de encontrar o manuscrito de Dickens. Para ele, não se trata apenas de resolver um mistério mas também de uma tentativa de salvar a sua editora da ruína financeira em que se encontra.
Mas localizar a continuação do romance de Dickens revela-se mais difícil e perigoso do que Osgood inicialmente previra. E, afinal, haverá conclusão para a história iniciada por Dickens?
Charles Dickens é um nome incontornável da literatura anglo-saxónica. Os títulos dos seus livros formam uma enorme lista de êxitos, Oliver Twist, David Copperfield e Grandes Esperanças, entre outros.

Destaques Presença

Desde o início dos tempos que os nefilins, a raça que descende de anjos e humanos, procura dominar a humanidade semeando o medo, provocando guerras e infiltrando-se nas mais poderosas e influentes famílias da história. Apenas a sociedade secreta de angelologistas, com os seus conhecimentos ancestrais, tem conseguido detê-los. Agora, a Irmã Evangeline do Convento de Santa Rosa, no estado de Nova Iorque, está prestes a juntar-se a eles. Mas conseguirá ela resistir ao imenso poder dos nefilins e evitar o apocalipse? Uma narrativa vigorosa, complexa e inteligente que funde elementos bíblicos, míticos e históricos e envolve o leitor da primeira à última página.



Depois dos vampiros terem ocupado os escaparates nos últimos anos, este promete ser o tempo dos anjos.
Angelologia parece ser um dos títulos mais interessantes na vaga que se aproxima.
Só acho pena que a Presença tenha tido de colocar o livro na sua colecção Via Láctea que acaba por receber todas as obras de fantasia da editora mas que continua a parecer ter uma vocação juvenil. E acho que, pelo contrário, este livro encontrará um público muito diversificado.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Testemunho (Anita Shreve)

Este livro tem um tema bastante polémico e quando começamos a ler ficamos, definitivamente, sem saber exactamente o que pode sair de um livro com uma sinopse tão arrojada.
Num colégio elitista onde se valorizam muitas as aparências e a boa reputação dos alunos pois deles depende a do colégio ocorre uma orgia entre Sienna uma menina de 14 anos e três rapazes maiores de idade. Tudo não teria passado de uma experiência sexual (apesar de um pouco extrema) senão tivesse sido filmada e levada ao director e depois ter sido divulgada através da internet.
Os jovens que participam na orgia com Sienna são detidos apesar de alegarem que foi ela que os provocou, o caso é considerado de abuso sexual de uma menor por os outros três jovens já serem maiores.
Assim uma situação que podia ser uma experiencia quase inócua vai provocar um furacão não apenas na vida dos jovens que tomaram parte nela, mas também dos seus, assim como da pequena comunidade que fazem parte.
O inovador neste livro, para além da ousadia do tema, é a história ser contada por vários pontos de vista, não apenas dos jovens envolvidos, mas também dos seus pais e de parte da comunidade. Esta mudança constante de perspectivas contribuiu em muito para o enriquecimento da história, pois permite-nos entender os vários lados da história de uma forma muito mais abrangente e as desastrosas consequências que terá a descoberta desta orgia.
O livro está extremamente bem escrito e é de uma grande arrojo e ousadia, proporcionando ao leitor uma leitura viciante , que não admite longas pausas.




Autor: Anita Shreve


Editora: Porto Editora


Páginas: 288


Género: Romance

terça-feira, 15 de junho de 2010

Observações (Jane Harris)

Não sei muito bem como definir este livro. É de facto um romance histórico ocorrido na época victoriana, mas têm muitos elementos de thriller, mistério e até de humor satírico. O que posso dizer é que este livro é único e que com certeza vai agradar a um público muito abrangente, pois tem um pouco de tudo para todos os gostos.
A narradora deste fantástica e inusitada história é Bessy, uma adolescente que foge da mãe, uma mulher sem qualquer escrúpulo que a vendia para exploração sexual. A rapariga acaba por encontrar emprego numa mansão rural degradada como empregada da bela e excêntrica Arabella que estuda as empregadas como cobaias e anota os seus registos num pequeno livro chamado Observações. A história do livro anda toda à volta da relação entre as duas com umas breves referências ao passado de Bessy.
A narrativa pelo ponto de vista da personagem é adorável, ora alegre, ora triste, ora infantil, ora lúcido. As duas personagens principais tem imensas facetas que são ricamente exploradas ao longo do livro, tornando-o num romance histórico muito diferente dos habituais.
Gostei também bastante do lado satírico do livro que através da personagem de Bessy caricatura muito dos valores morais, costumes e ordem hierárquica da sociedade victoriana.
Este livro irá, por todas as suas qualidades e pela sua diversidade, agradar a todos os leitores.




Autor: Jane Harris


Editora: Editorial Presença


Páginas: 448


Género: Romance/Romance Histórico

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A cirurgia do prazer - Vencedores do Passatempo


Tive de escolher entre um conjunto de participações muito originais mas acabei por chegar a três vencedores.

zezito

celestebernardo

elsa

Parabéns! Vou passar os vossos dados à editora para receberem o vossolivro em casa.
Continuem a participar!

Destaques Europa-América

A Europa-América tem, este mês, um conjunto muito interessante de propostas.
Desde logo, a continuação da reedição dos títulos de Anne Rice, agora prontos a conquistar toda uma nova geração que ainda não experimentou o melhor da ficção sobre vampiros.
Três novos títulos na recém-recuperada colecção de livros de bolso, três autores incontornáveis da literatura mundial a preços acessíveis.
Tom Sawyer a assinalar o centenário da morte de Mark Twain e uma história em torno da juventude de Jesus completam o leque de propostas que, acho, não se devem perder.



Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.
Anne Rice é a autora consagrada de vários best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.










Issa… a história da juventude de Jesus.
A milhares de quilómetros de Belém, duas forças poderosas e enigmáticas
estão prestes a encontrar-se. Os Kushans. Uma civilização perdida da Ásia Central com uma ordem secreta portadora do Sinete e possuidora do poder dos Antigos. Jesus. O jovem que abandonou a pátria e a família pela Índia… e viria a tornar-se o Salvador do mundo. Poderá a convergência entre o reino perdido dos Kushans e os «anos desconhecidos» de Jesus esclarecer o mundo moderno?
Issa: A Maior História Nunca Contada é uma crónica dessa extraordinária convergência, que tece uma dramática tapeçaria composta de pessoas, lugares e acontecimentos, cujos fios incluem o pequeno Jesus, conhecido no Oriente como Santo Issa, Maitreya, o Buda Vindouro, a família real dos Kushans, um dos Três Reis Magos e muitos outros.
Lois Drake trabalha há mais de vinte anos nas áreas do marketing e da publicidade. Nascida e criada no Sul da Califórnia, tem viajado bastante e também exerceu funções de professora primária no Alasca e na Finlândia.
Tornou-se fascinada pelos primeiros anos de Jesus depois de ler acerca da sua viagem ao Oriente, na obra Os Anos Desconhecidos de Cristo, de Elizabeth Clare Prophet. Ela ficou especialmente intrigada com a possibilidade da intersecção das viagens de Jesus pela Índia com a misteriosa raça Kushan.
É uma apaixonada pelo Tibete e a sua antiga cultura. Tem feito numerosas viagens ao Tibete na companhia do seu marido e juntos fundaram a Friendship Homes and Schools, uma organização sem fins lucrativos que começou por prestar assistência aos órfãos no Tibete e em zonas remotas da China.
A Sr.ª Drake, uma contadora de histórias talentosa, que adora escrever histórias para crianças e adultos com uma mensagem espiritual, vive em Prescott, no Arizona.

As Aventuras de Tom Sawyer (1876), o clássico de Mark Twain, narra as aventuras de um jovem rapaz no Sul dos EUA, antes da Guerra da Secessão.
Tom vive com a sua tia Polly e o seu meio-irmão Sid na cidade de St. Petersburg, nas margens do Mississípi. Em várias tropelias e aventuras, Tom e os seus amigos procuram tesouros em casas assombradas, escondem-se numa ilha deserta e anseiam ser piratas e ladrões. E quando Tom e Huck visitam à noite um cemitério, pois crêem que tal passeio é uma cura milagrosa para as verrugas, e testemunham um assassinato, não têm outro remédio senão fugir de St. Petersburg.
Obra clássica de Mark Twain, As Aventuras de Tom Sawyer é um dos mais vivos retratos das aventuras da infância e da juventude e conserva a sua frescura e vivacidade. Em suma, uma obra intemporal.
Mark Twain é o pseudónimo literário de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), popular autor americano e jornalista famoso pelo seu humor. Foi tipógrafo e piloto de barcos a vapor no Mississípi durante a guerra civil americana. Escreveu livros de viagens e celebrizou-se com as obras As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn.








«Billy Budd: o Marinheiro antecipa o modernismo pela sua forma, pela miríade de géneros e pela sua abrangência.» David Kirby

Autor de Moby Dick, A Baleia Branca (Publicações Europa-América, colecção «Clássicos»), obra considerada como o maior romance americano, Herman Melville (1819-1891) foi sem dúvida um dos grandes romancistas, contistas, ensaístas e poetas da literatura do século XIX.
As suas duas primeiras obras atraíram muito a atenção do público e a obra Billy Budd: o Marinheiro (1924 — edição póstuma) não é excepção, muito pelo contrário, é uma das obras mais controversas que foram escritas no século XIX.
Testamento final de Melville, Billy Budd é, deste modo, uma fábula política e social, reveladora de várias facetas de uma época na qual vive um jovem e inocente marinheiro que se alistara à força num navio de guerra britânico, na altura da Revolução Francesa. Injustamente acusado de instigar uma rebelião, Billy tem de enfrentar um universo exclusivamente masculino em que as relações de poder se aguçam, ao ponto de o jovem marinheiro matar o delator Claggart diante do seu capitão Vere.
Inocente, Billy, cuja voz estava silenciada pela emoção, terá o destino ditado pela incontornável lei da Marinha: a morte.






«Uma súbita comoção de ansiosa impaciência percorreu as minhas veias e deu-me uma tal sensação de intensidade de vida como eu nunca sentira até então.»
Escrito em 1915, O Limiar da Sombra é baseado em acontecimentos e experiências que Conrad vivera vinte e sete anos antes e aos quais regressava obsessivamente na sua escrita. Um primeiro comando de um jovem comandante traz consigo uma série de crises: um mar sereno, a tripulação doente e um primeiro-imediato tresloucado que está convencido de que o navio é assombrado pelo espírito tenebroso de um antigo capitão.
É realmente uma obra de «súbita comoção», na qual Conrad consegue transmitir a pura intensidade de vida de um homem que, nas palavras do velho capitão Giles, está preparado para «enfrentar os seus erros, a sua má sorte, a sua consciência». Análise subtil e penetrante da natureza da Humanidade, O Limiar da Sombra investiga a masculinidade e o desejo num subtexto que contrapõe a superfície aparentemente convencional.
Joseph Conrad é um romancista e contista inglês de origem polaca. Nasceu em 1857 e morreu em 1924. Começou a escrever aos 30 anos, após ter servido na Marinha Mercante. Esta sua vivência foi determinante para alguns traços característicos da sua escrita, nomeadamente a predilecção pelo mar, pelas paisagens exóticas e pelo tema da heroicidade, tratado sempre com um certo cepticismo. Conrad é autor, entre outras obras, de Lord Jim (1900), O Coração das Trevas (1902), Nostromo (1904), O Agente Secreto (1907) e A Estalagem das Duas Bruxas (1913), todos publicados pela Europa-América.






O Roubo do Elefante Branco, originalmente um conto publicado em 1882, narra a história peculiar de Hassan Ben Selim Ebu Bhudpoor, um elefante branco que percorre o longo caminho que separa a Índia da Inglaterra.
Quando a corpulenta oferenda do rei do Sião à monarca inglesa desaparece em Nova Jérsia, resta ao inspector nova-iorquino Blunt e às suas forças policiais descobrir o paradeiro do infeliz Hassan.
Mark Twain é o pseudónimo literário de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), popular autor americano e jornalista famoso pelo seu humor. Foi tipógrafo e piloto de barcos a vapor no Mississípi durante a guerra civil americana.
Escreveu livros de viagens e celebrizou-se com as obras As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn.

domingo, 13 de junho de 2010

Alma de Isabel - De Aragão ao Chiado (Teresa Gomes Mota)



Este livro atraiu a minha curiosidade por duas razões, a primeira por falar na Rainha Santa Isabel que é uma personalidade histórica que sempre me despertou interesse e por se centrar num tema da reincarnação o que é para mim, igualmente, um tema que guarda algum mistério.
O que não deixa de ser engraçado e até irónico é o facto da autora deste livro ser uma médica.
A personagem principal do livro é também uma médica chamada Clara que, ao olhar para uma estátua da Rainha Santa Isabel, descobre que é a reencarnação da mesma. Assistimos então à evolução da personagem que passa de uma médica bastante racional e com um raciocínio cientifico, para uma pessoa quase com uma vida dupla onde além de médica explora o tema da reencarnação, leitura de auras, cartas astrológicas, meditação, hipnose etc… Gostei bastante destes paradoxos.
A história está muito bem contada e gostei da forma ousada e despreconceituosa como a autora conseguiu descrever a realidade de coisas tão opostas e como elas por vezes se tocam - a ciência e a racionalidade com as ciências alternativas ou sobrenaturais como lhe quiserem chamar - deixando por vezes o leitor com o mesmo dilema da personagem sobre perante qual das duas nos devemos debruçar.
Para além disso o livro é uma pequena enciclopédia e uma fonte de aprendizagem com diversos assuntos relacionados com a História, nutrição, reencarnação, auras, hipnose, meditação, religião…
Um livro muito recomendável a todos que se interessarem por ver um pouco mais para além da nossa realidade do dia-a-dia.





Autor: Teresa Gomes Mota


Editora: Edição de autor


Páginas: 336


Género: Romance Histórico/Esotérico

sábado, 12 de junho de 2010

O Mago - Aprendiz (Raymond E. Feist)

Eu nunca tinha lido nenhum livro deste autor, mas já tinha ouvido falar nele pela sua fama a nível internacional, sendo já conhecido como um dos maiores autores de fantasia de sempre.
Já era tempo de finalmente termos acesso em português ao inicio desta fantástica saga. De facto, a fama do autor não é indevida. Ao fim de lermos algumas dezenas de páginas logo sentimos que temos nas mãos um clássico de fantasia intemporal.
Nada falta a este livro para o ser, sobretudo com cenários deslumbrantes e arrojados que se percebe terem sido criados ponderada e detalhadamente pelo autor para nos dar acesso a uma janela para um mundo à parte, onde a fantasia e a magia são as rainhas.
As personagens estão construídas de forma soberba, sendo o lado emocional o âmago de toda a história. É também realmente interessante assistirmos há evolução de Pug de um simples menino órfão a aprendiz de um mago poderoso, estando cada mais ligado à magia.
É uma leitura que nos prende desde do inicio e difícil de largar, quer pelos personagens, quer pelo fantástico mundo criado pelo autor repleto de elfos, anões e mágicos, quer pelo suspense e pelo mistério presente no livro em boas doses que nos deixa a roer unhas ansiosos por um próximo volume.
O livro é, sem duvida, uma obra prima da fantasia levando-nos mesmo a desejar abandonar o nosso mundo real para habitarmos permanente no mundo mágico que ele construiu.




Autor: Raymond E. Feist


Editora: Saída de Emergência


Páginas: 416


Género: Fantasia

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Feitiço das Trevas - Passatempo


Com um número crescente de participações de pessoas não seguidoras do blog e alguns mails a falarem da vontade de participar sem terem a hipótese de serem seguidores via Google, decidi abrir alguns passatempos ao público geral.
Ainda assim, vou manter ofertas apenas para seguidores, para retribuir a fidelidade e a atenção.
Hoje, então, abro um passatempo a todos os leitores, bastando que respondam correctamente às questões colocadas.
Já falei deste livro aqui no blog, mas fica a sinopse para vos ajudar a responder a uma das perguntas lançadas (as outras exigem um pouco de pesquisa).

Esta é a primeira parte da história do herdeiro de Harmeling - com poderes para comunicar com todos os seres vivos do reino animal e vegetal - por terras de ninfas, elfos, gigantes e nocturnuns, onde os sentimentos mais nobres, como a lealdade, a amizade e o amor, vencem todos os obstáculos.
Numa luta contra o tempo e contra o feitiço das trevas que o matará ao completar a maioridade, o carácter e determinação do jovem príncipe conquistam a admiração de um grupo de amigos que o seguem na demanda da paz, dando por ele a sua própria vida.

Devem participar até às 20h00 de dia 17 de Junho e os vencedores serão sorteados entre aqueles que responderem correctamente.


Regras do passatempo

1) Preencher todos os dados solicitados correctamente.
2) Apenas participantes com moradas de Portugal.
3) Apenas uma participação por cada nome, email e morada.

O Feitiço das Trevas (Ana Paula Cabral)

Pode parecer estranho mas este livro fez-me lembrar o Senhor dos Anéis, na complexidade da história, no grande número de personagens que a protagonizam e pelos vastos cenários que rodeiam a história.
A leitura não é tão fácil como a maior parte dos livros de fantasia. Ao inicio é complicado acompanharmos toda a história e distinguirmos todos os personagens, devido ao ritmo alucinante do livro. Mas logo no inicio sentimo-nos fascinados pelo mundo de magia a que o livro nos transporta e sentimos uma grande vontade de absorver cada pequeno detalhe, não vá de alguma forma algum detalhe perdido impedir-nos de apreciar a história na sua totalidade.
Adorei os cenários de florestas misteriosas encantadas e de castelos medievais praticamente impenetráveis.
Destaca-se numa história a grande importância da tradicional temática do bem contra o mal, sendo o príncipe Igorj herói da história que vê depositados nos seus ombros a pesada responsabilidade de libertar os 8 reinos do malvado feiticeiro. Apesar deste personagem ser interessante e estar bem construído, tenho de confessar que não foi o meu preferido. As minhas personagens preferidas foram de facto as três fadas Tersa, Maary e Blua que a meu ver com as suas personalidades magnéticas acabam por eclipsar o protagonista.
É de louvar o talento da escrita sedutora e sem falhas desta autora portuguesa. E recomendo a todos uma viagem a este reino mágico.




Autor: Ana Paula Cabral


Editora: Guerra e Paz


Páginas: 352


Género: Fantasia

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Sacerdotisa da Luz (Trudi Canavan)

Ao começarmos a ler este livro julgamos que se trata apenas da história de Auraya, uma jovem que vive no reino imaginário da Ithania do Norte e que é escolhida pelos Deuses dos adoradores do circulo (assim denomina este culto do livro) para se tornar numa das suas representantes na Terra, tornando-se assim uma dos Brancos que são seres quase Imortais.
No entanto o livro contem uma realidade muito mais complexa do que poderia parecer à primeira vista e a história de Auraya é apenas uma das muitas histórias relatadas por este livro, embora todas estejam de alguma forma relacionadas com ela.
O livro cria um mundo de fantasia muito rico e complexo cheio de personagens marcantes, desde personagens centrais de cultos religiosos antagónicos aos tecedores de sonhos que se recusam a venerar os deuses mas são curandeiros e mágicos poderosos, desde criaturas aladas muito semelhantes aos humanos mas mais pequenas e frágeis ao povo do mar muito diferente das habituais sereias e que se mostram pouco amistosos e muito desconfiados.
Este livro destaca-se pela sua originalidade ao nível da fantasia, não recorrendo aos seres mais tradicionais da fantasia, a autora cria o seu próprio mundo mágico, complexo, rico e único.
Adorei a história de amor impossível entre Auraya e o seu antigo mestre Leiard que, por este ser um tecedor de sonhos e estes serem considerados inimigos dos adoradores do circulo que os ostracizam, está cheia de tensão, paixão e decisões difíceis de tudo ou nada.
Sinto que entrei no mundo que embora já em si tão rico ainda tem muito para dar ao leitor a descobrir nos próximos volumes da história. Esperemos que venha o próximo desta saga rapidamente.




Autor: Trudi Canavan


Editora: Editora Planeta


Páginas: 576


Género: Fantasia

terça-feira, 8 de junho de 2010

Meio-dia Azul - Vencedor do Passatempo


E assim se concluíram os passatempos relativos à trilogia Midnighters. O vencedor desta vez foi...

Susana

Parabéns! Vou passar os teus dados à Vogais e Companhia para receberes o livro em casa.
Espero também, em breve, ter mais novidades para os visitantes do blog!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os Laços que nos Unem (Linda Gillard)

Uma das coisas que mais gostei neste livro foi a forma como a autora nos descreve a paisagem da pequena ilha escocesa, sendo bastante detalhista e dando-nos uma ideia perfeita de como será a pequena ilha em que Rose se encontra refugiada, ao mesmo tempo bela, assombrosa e rude. Outra ideia, ainda dentro desta, que me agradou bastante foi a autora comparar algumas das características das personagens, com as características da natureza.
Esta autora tem um estilo de escrita muito particular, bastante lírico, parecendo por vezes que lemos verdadeiros poemas dentro da história. No entanto, este estilo de escrita apenas serve para enriquecer ainda mais o livro dando assim maior carga dramática à história.
Apesar das personagens deste livro serem poucas e apesar do estilo lírico da autora, todas elas são bastante realistas e plausíveis. Gostei bastante da forma como a autora abordou a doença mental de Rose, não procurando simplificar, ou usar os clichés usuais aplicados a este tipo de doença e antes aproveitando-a para aprofundar a personagem.
Este não é o único tema polémico abordado no romance, pois a autora aborda também com grande mestria o relacionamento amoroso com grande diferença entre idades, fazendo-o com ousadia, mas de forma emocionante e delicada.
Os flashbacks de Rose estão também muito bem conseguidos, dando a dose certa de mistério ao romance.
Uma bela leitura que recomendo sem excepção.





Autor: Linda Gillard


Editora: Europa-América


Páginas: 240


Género: Romance

sábado, 5 de junho de 2010

Os Filósofos no Divã (Charles Pépin)

Em primeiro lugar o que nos surpreende neste livro é a sua total originalidade e a grande ousadia de juntar no livro duas ciências tão opostas e rivais como a filosofia e psicologia (psicanálise).
Sendo eu psicóloga e uma grande apaixonada da filosofia, só o título já me deixa em pulgas e penso que acontecerá o mesmo com todos os amantes da psicologia e da Filosofia.
Quando pensamos em Platão, Kant e Sartre pensamos inegavelmente no seu legado para todo o pensamento ocidental e não só. Pensamos no seu génio, nas suas ideias, mas quase nunca pensamos no homem em si, em com ele era, como vivia, o que afinal tinha ele de tão diferente dos outros da mesma época e do que o levou a ter aquelas ideias que agora consideramos geniais, mas que no seu tempo, se calhar, não eram assim tão bem consideradas…
E é nisso que reside o mérito deste livro, mostrar-nos os filósofos não como génios perfeitos, mas como homens falíveis enquadrados na sua própria época, dando-nos assim uma visão única e real de cada um deles, o que nos leva a ficar ainda mais curiosos sobre a história de cada um destes personagens. E claro que não podia haver ninguém melhor para levar os filósofos ao divã com as suas questões impertinentes e conclusões perturbadoras, tornando assim o livro numa mistura deliciosa de personagens, ideias e humor.
Ao contrário do que se possa pensar o livro, não é pesado. Pelo contrário é uma forma agradável, leve e até engraçada de ampliar o nosso conhecimento sobre história do pensamento ocidental.




Autor: Charles Pépin


Editora: Europa-América


Páginas: 264


Género: Divulgação

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Alice Eu Fui (Melanie Benjamin)


Este livro pretende contar a vida de Alice Lidell, a rapariga que inspirou Lewis Carroll a criar a famosa história da Alice no País das Maravilhas. Não nos pode escapar o facto da Presença ter sabido aproveitar a oportunidade nascida da estreia do filme de Alice no País das Maravilhas da Disney para lançar quase em simultâneo este livro.
Livro este que tem uma premissa muito semelhante ao filme Dream Child, a que aliás o livro faz referência, em que uma Alice idosa nos anos 1930, no auge da fama do livro Alice no País das Maravilhas, recorda a sua infância, a sua história com Mr. Dodgson (o verdadeiro nome de Lewis Carroll) e a sua restante vida até àquele momento.
Relativamente à velhice de Alice e à sua infância a história parece-se, de facto, muito com o filme e penso mesmo que a autora deveria referir que se baseou (em parte) no filme, não apenas referir o que existe sobre a vida de Alice como algo fantasioso, quando ela própria está a fazer o mesmo.
No entanto, gostei da ousadia da autora de ter ido mais longe que o filme e ter criada a sua Alice ainda criança mas já com alma e sentimentos de mulher, estando perdidamente apaixonada por Mrs. Dodgson e tendo, inclusivamente, a ousadia de o beijar.
Mas a autora não se fica pela infância e pela terceira idade de Alice, indo mais longe e pela primeira tentando contar a história da sua vida adulta que desperta um menor interesse nas pessoas. Foi de facto um bom investimento da autora pois Alice teve uma vida longa e bastante interessante, desde um suposto romance com um príncipe a um casamento tardio e à morte de dois dos seus filhos na primeira guerra mundial.
O livro está muito bem escrito, com uma escrita flúida e clara, cheia de ricos detalhes sobre a sociedade vitoriana, desde dos detalhes da vida quotidiana à forma de pensar das épocas que vão mudando com o evoluir da história, além das descrições casas e das roupas, dando uma perfeita noção ao leitor dos cenários da história.
Além disso, este livro foi notoriamente baseado numa rigorosa pesquisa que se pode notar não apenas pelas referências da autora, mas pelas detalhes que revela na história que em grande parte são desconhecidos do grande público.
É um bom livro não apenas para os interessados na história da Alice no País das Maravilhas, mas também para quem gostar de ler um bom romance histórico baseado numa figura inesperada.




Autor: Melanie Benjamin


Editora: Presença


Páginas: 336


Género: Romance Histórico

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Está Tudo na Cabeça (Alastair Campbell)


Um livro surpreendente, ousado e fascinante. Eu sou psicólogo e nunca pensei que fosse possível retratar o tratamento terapêutico e a relação terapeuta-doente de forma tão intensa num livro.
Não é um livro fácil ou que tenta tratar os problemas mentais de forma simplista como fazem a maioria dos livros romanceados para o grande público! Pelo contrário, trata de forma séria os problemas psicológicos de cada um dos seis pacientes, descrevendo cada um deles de forma vincada e individual, não uniformizando assim o doente mental como há tendência para fazer.
Penso que este livro pode ser muito útil para pessoas a sofrer de depressão ou alcoolismo, por exemplo, pois iriam sentir-se identificados e ver o que outras pessoas com um problema semelhante tentam fazer para resolver esses problemas.
É impressionante a forma como, à medida que vamos lendo, as personagens se vão tornando reais e humanas ao ponto de pensarmos nelas como pessoas que conhecemos, de facto.
Por outro lado, este livro não nos dá apenas a perspectiva dos paciente mas também de um terapeuta não como a pessoa neutra que a generalidade das pessoas tem em mente mas como um ser humano com tantas fraquezas e problemas como as de qualquer outra pessoa e que não tem apenas um relacionamento neutro com os pacientes como dita a ética. Pelo contrário, como mostra este livro, o psiquiatra pode aprender muito com eles e eles podem mesmo ser uma grande ajuda.
Ainda estou fascinada e tornei-me uma leitora afincada deste brilhante autor.




Autor: Alastair Campbell


Editora: Bizâncio


Páginas: 352


Género: Romance