sexta-feira, 30 de abril de 2010

Precious - A força de uma mulher (Sapphire)


Este livro não é indicado a quem tenhaestômago fraco pois é uma história que nos mostra a realidade nua e crua de uma adolescente abusada pelos pais!
No entanto é um livro essencial para termos consciência do que acontece a milhares de crianças e adolescentes no mundo!
É um livro corajoso que não recorre a "paninhos quentes" mostrando a vida de Precious em toda a sua brutalidade e ignomínia!
Ela, no entanto, tem uma personalidade extraordinária e apesar de ser consecutivamente humilhada e torturada, não apenas pelos pais mas pela sociedade em geral que a marginaliza pela sua condição de vida de que não tem qualquer culpa, mantem-se inocente e pura refugiando-se no seu mundo de sonhos repleto das fantasias próprias de todas as meninas da sua idade. O mundo real é demasiado pequeno e mesquinho para ela!
Não quer dizer que com isso ela fuja às responsabilidades da sua vida.
Por isso mesmo, o livro transmite aos leitores uma grande mensagem de esperança e amor ao serem testemunhas do seu auto-sacrifício e amor pelos filhos, mesmo sendo o fruto do abuso sexual pelo seu próprio pai!
É também de destacar a personagem da mãe de Precious que ao longo do livros demonstra ser mais uma vítima da sua educação, da sociedade e do próprio marido, e não apenas o mostro que se manifesta relativamente à filha.
Uma leitura indispensável para entender em profundidade o filme tão polémico como elogiado.




Autor: Sapphire


Editora: Objectiva


Páginas: 184


Género: Romance

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Anões de Ann (Kalina Stefanova)

Em primeiro lugar tenho de discordar do subtítulo, não se trata de um conto de fadas e muito menos para um público adulto.
A autora parte da premissa de que os anões da branca de neve têm diferentes personalidades para criar uma história em que cada pessoa tem 7 anões que reflectem as diferentes facetas da personalidade de cada pessoa a quem pertencem.
Mas toda a história é uma grande parábola em que os anões são de facto diferentes partes da consciência de cada pessoa com que a autora nos convida a olhar para dentro de nós e nos conhecermos melhor, dando menos importância às coisas materiais cada vez mais importantes na nossa sociedade.
É um livrinho simpático e cheio de boas intenções que tenta recordar-nos do que é realmente importante e por vezes não temos tempo de nos lembrar sequer, devido aos nossos dias agitados. A linguagem, a história e o enredo são muito simples, a cair bem mais para o género infantil do que para o adulto.
Na verdade, acho que este pequeno livro faria as delícias de muitas crianças de 10 anos e de alguns adultos que queiram acordar a sua criança interior.




Autor: Kalina Stefanova


Editora: Vogais & Companhia


Páginas: 152


Género: Romance

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Hora Secreta - Passatempo



A partir de hoje e até às 10h30 de dia 9 de Maio vou ter, em parceria com a Vogais & Companhia, um passatempo onde ofereço um exemplar do livro A Hora Secreta, o primeiro volume da trilogia Midnighters de que já falei aqui.
Para se habilitarem a ele terão de responder correctamente a um conjunto de perguntas e esperar que a sorte esteja convosco, pois o livro será sorteado entre todos os que tenham o conjunto de respostas correctas.



Regras do passatempo

1) Ser seguidor do blog.
2) Preencher todos os dados solicitados correctamente.
3) Apenas participantes com moradas de Portugal.
4) Apenas uma participação por cada nome, email e morada.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Destaques Vogais & Companhia

Coisas estranhas acontecem à meia-noite, na cidade de Bixby, no Oklahoma. O tempo para. Ninguém se mexe.
Todas as noites, durante uma hora secreta, a cidade pertence às criaturas negras que vivem nas sombras. Apenas um grupo de adolescentes conhece a hora secreta - só eles conseguem mover-se livremente no tempo da meia-noite.
Designam-se a si próprios como midnighters.



A trilogia Midnighters é uma das mais interessantes novidades editorais no campo da fantasia de tempos recentes.
Altamente elogiada por autores como Garth Nix ou Ursula K. Le Guin, a série promete conseguir enorme sucesso no nosso país.
Particularmente, mal posso esperar para começar a ler a série, sobretudo depois de ter visto o booktrailer que a editora preparou!
Ainda para mais, os leitores poderão criar uma bela relação com este autor, pois a editora já anunciou a sua intenção de continuar a publicar as melhores obras dele e que têm atingido o sucesso um pouco por todo o mundo.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Don Peregrino (Cecilia Samartin)



Este romance é bastante diferente do usual já que não se centra numa história de amor tradicional mas na história de um amor fraternal entre uma adolescente e um idoso internado num manicómio.A história em si tem um leve aroma de contos de fada e um estilo que se aproxima de livros como Como Água para Chocolate pelo grau de tragédia que por vezes comporta dentro desse ambiente mais sonhador.
Com uma escrita leve e fluída, o livro leva-nos a questionar sobre o que é a verdadeira beleza e o amor.
Don Peregrino é um personagem invulgar e misterioso que conta a sua história à sua jovem empregada, apenas um pouco de cada vez, conforme lhe apetece ou vai ganhando coragem.
Neste ponto do livro é inevitável lembrarmo-nos d'As Mil e uma noites em que simples histórias podem ter uma importância fucral para a vida de alguém. Mas neste caso é quem conta a história que sente o efeito terapêutico, livrando-se da sua amargura e dos seus fantasmas à medida que conta a história.
Tal como a jovem no livro que se silenciava, também nós lemos as páginas do romance com certa reverência, sequiosos para saber como tão fantástica vida se desenrola.
Um romance muito simples porém muito envolvente e bonito que, tal como um conto de fadas, deixa uma lição de moral que vale a pena ser lembrada.




Autor: Cecilia Samartin


Editora: Vogais & Companhia


Páginas: 304


Género: Romance

domingo, 18 de abril de 2010

A Aia da Rainha (Barbara Kyle)



Trata-se de mais um romance histórico passado na corte de Henrique VIII o que podia ser de facto cansativo e repetitivo não fosse a originalidade e frescura deste livro.
Ao contrário da maior parte dos romances relativos a esta época que se centram no rei, nas suas mulheres, amantes e intrigas palacianas, este romance preocupa-se em
mostrar a grande controvérsia religiosa que teve lugar na altura e as várias atrocidades que foram cometidas em nome da religião, não apenas tendo como cenário a Inglaterra, mas vários países da Europa que são percorridos pela jovem protagonista da história, uma rapariga com uma personalidade forte, ambivalente e em constante mudança.
Aí está outra das grandes qualidades do livro, em que as personagens nunca são personagens tipo, não se contentado a autora com personagens completamente boas ou más, tornando-as assim, mais reais e vivas aos nossos olhos.
Mostra-nos mesmo o lado sombrio e tortuoso de Sir Thomas More, canonizado pela Igreja embora tenha mandado queimar dezenas de pessoas que não cometeram outro crime senão terem crenças diferentes da dele.
Somos também confrontados com a vida difícil da burguesia e do pobre povo longe da glamorosa vida da corte, embora também no livro não faltem as grandes personagens da época.
Um excelente livro para quem quiser ter uma outra perspectiva desta época tão cheia de beleza como de horrores.




Autor: Barbara Kyle


Editora: Editora Planeta


Páginas: 504


Género: Romance Histórico

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Destaques Europa-América

Neste mês de Abril a Europa-América tem vários lançamentos e eu aproveito para destacar aqueles que eu acho serão os de maior sucesso, bem como um que acho particularmente relevante e que receio possa ficar esquecido.

O mais interessante de todos esses lançamentos é, sem dúvida, Entrevista com o Vampiro.
Embora seja um clássico do género, confesso que não conheço o livro mas antes o filme, com os inesquecíveis Brad Pitt e Tom Cruise.
Acredito que, como eu, muitas outras pessoas sofrem deste mesmo "mal" e numa época em que os vampiros voltaram em força ao imaginário popular, tenho a certeza que esta nova edição vai fazer sucesso!
Digam lá se este parágrafo não vos deixa logo tentados:
É com esta mescla de sangue, violência e erotismo ímpares, no pano de fundo da reflexão sobre a condição trágica que é a do vampiro condenado à imortalidade, que Anne Rice narra uma extraordinária história em que a crueldade e os sentimentos tenebrosos que percorrem as páginas resultam numa maravilhosa sinfonia poética que viria a inspirar muitos escritores, como Stephenie Meyer.



A mim particularmente, visto o seu autor ter a mesma formação em Psicologia que eu, mas julgo que à grande parte do público, também Quando a Vida Se Ilumina captará a atenção.
Uma história prometedora sobre a esperança, o amor incondicional e o milagre da vida a partir de uma tentativa de suicídio gorada por um golfinho que se torna amigo do jovem que salvou.
Há algo de O Principezinho nesta história, embora claramente apontado a um público já adulto, pois a história não se mostra feliz para com o protagonista.
Uma lição de vida que promete ser inesquecível.



Num registo diferente, destaco O Islão Explicado, uma obra que vem combater as ideias retrógadas do Mundo Ocidental que colocam o Mundo Islâmico todo num grupo sem distinção.
A riqueza desta religião merece toda a atenção de Malek Chebel, antropólogo, filósofo e antigo professor da Sorbonne, é, portanto, um dos mais conceituados estudiosos do Islão que tem vindo a desenvolver a sua actividade no sentido de divulgar esta religião junto do grande público e de desmistificar a ideia de que a cultura islâmica é obscurantista e fechada.
A obra recolhe dados importantíssimos, expõem-os de forma meticulosa mas igualmente acessível.
Uma obra que pode facilmente tornar-se de referência para o público geral.

sábado, 10 de abril de 2010

A Cidade das Cinzas (Cassandra Clare)

Depois de ler o primeiro livro foi com grande ansiedade e emoção que comecei a ler o segundo.
E embora não me tenha causado o efeito de grande surpresa do primeiro livro (o que é sempre muito agradável), revelou-se uma continuação à altura do primeiro volume.
As personagens continuam fascinantes e somos apresentados a novos personagens intrigantes e a mistérios tortuosos.
Tenho muita pena que o romance entre a Clare e o Jace não se tenha desenvolvido mais apesar de eles pensarem que são irmãos, pois sinto que isso apimentaria ainda mais o amor deles. Penso que ficará para um próximo livro pelo qual vale a pena esperar.
Em compensação, o livro está ainda mais repleto de acção que o primeiro, com a escrita muito leve e fluída da autora a servir muito bem esses momentos.
É de facto um livro viciante da primeira à ultima palavra, que só dá pena de não ser bem maior (e de eu não ter o dia todo para dedicar à sua leitura).
Esta saga está a revelar-se, para mim, uma obra-prima da fantasia no seu âmbito próprio.




Autor: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 360


Género: Fantasia

A Cidade dos Ossos (Cassandra Clare)

Quando comecei a ler este livro não tinha a certeza de como ia reagir, pois confesso que a maioria dos livros de fantasia que costumo ler acabam por ser mais centrados no romance e não na acção, como este me parecia ser.
Quando comecei a ler o primeiro capitulo, que começava com uma morte e personagens que mais me pareciam super-heróis do que seres saídos de um romance de fantasia, torci o nariz e pensei terminar a minha leitura logo ali, achando que poderia perfeitamente ter optado por um livro de banda desenhada.
Felizmente não o fiz e dei uma segunda oportunidade ao livro que se mostrou uma surpresa muito agradável.
Adorei a acção do livro, em que mal havia tempo para respirar pois os acontecimentos fantásticos ocorriam um após o outro, para além do próprio suspense do livro que lhe imprime um ritmo excelente e que nos leva a sentir integrados na história e nos obriga a uma leitura compulsiva do inicio ao fim.
Deixou assim de ser um livro que pensei que não ia ler até ao fim para se tornar desde logo uma das minhas sagas de fantasia favoritas.




Autor: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 320


Género: Fantasia

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Despertar das Trevas (Karen Chance)

Em mais um dos muitos livros de vampiros que agora podemos ler em Portugal, O Despertar das Trevas está mais próximo do estilo de Charlaine Harris do que de Stephenie Meyer - só para situar bem por comparação com os dois modelos mais reconhecidos e vendidos.
A protagonista é uma jovem médium que tem visões do futuro e consegue contactar com fantasmas, revelando-se por isso uma arma muito útil.
Quando comecei a ler o livro comecei a sentir que ia ler apenas a tradicional e repetitiva história da relação de um vampiro com uma humana, mas o destino da rapariga vai revelar-se muito maior do que o que inicialmente poderá parecer.
Para lá da influência dos vampiros, o romance dela sofre uma viragem totalmente inesperada, revelando-se o seu apaixonado como o verdadeiro vilão e aquele que surgia como figura paternal (e, eventualmente, vilão ele próprio) no seu novo interesse romântico.
É fácil ligarmo-nos à personagem principal que prima pela inteligência, que complementa com um delicioso sarcasmo.
Um romance cheio de acção, sofisticação e com um final inesperado...




Autor: Karen Chance


Editora: Gailivro


Páginas: 304


Género: Fantasia

domingo, 28 de março de 2010

O Dardo de Kushiel (Jacqueline Carey)

Este livro é diferente, muito diferente de tudo o que eu já li, o que o tornou, de facto, numa enorme surpresa.
Não tendo gostado da capa deste livro - acho, sinceramente, que é muito pouco atractiva - se algo me moveu a lê-lo foi a sinopse.
E ainda bem que assim foi, pois este livro não é como a maior parte da Fantasia direccionada a um público adolescente ou mesmo jovem-adulto, este livro é sem dúvida para um público adulto, exigente e com uma mente aberta. Não é, de todo, um livro para toda a gente devido às suas especificidades.
O início é exigente, estabelecendo um mundo dividido em muitas facções, cada uma delas com uma mentalidade muito própria. O leitor, mesmo sentindo-se um pouco confuso com tanta informação, beneficia depois ao longo do livro da qualidades das bases estabelecidas.
Por outro lado, ao apresentar uma protagonista ainda criança mas já com fortes impulsos e desejos sexuais, estabelece uma caracterização a que a sociedade actual está pouco habituada e que poderá mesmo causar algum embaraço por nos vermos próximos do que seria uma descrição de uma criança por alguém com tendências pedófilas.
No entanto o desafio de uma personagem assim levou-me a mergulhar nas recordações da minha própria infância porque é óbvio que existe sexualidade na infância - embora não me recorde de alguma vez me ter sentido como a personagem.
Claro que à medida que vamos imergindo no mundo da Terra de Anelíne vamos sendo arrastados por uma onda de sedução e sofisticação que transforma aquilo que antes parecia uma realidade desajustada e estranha se torne preciosa, fazendo-nos vacilar entre a compulsão para ler tudo de seguida até ao final e a agonia prazerosa de fazer a leitura lentamente para não sair deste mundo




Autor: Jacqueline Carey


Editora: Saída de Emergência


Páginas: 400


Género: Fantasia

segunda-feira, 22 de março de 2010

A Rainha Branca (Philippa Gregory)


Mais uma vez Philippa Gregory prova que merece inquestionavelmente o título que lhe atribuem de Rainha da Ficção Histórica!
Desta vez o romance não é ambientado na Corte Tudor como é seu hábito, mas durante a monarquia dos reis Plantageneta, uma época conflituosa e em que imperava a guerra civil, uma guerra nascida no seio da mesma família em luta pelo trono e pelo poder que ele acarreta.
Mais uma vez temos uma personagem central feminina muito forte que se apaixona pelo jovem rei, uma personagem em que apenas a ambição se mostra superior a esse amor.
Verifica-se que a autora, como é sua marca, antes de escrever o romance procedeu a uma intensa pesquisa histórica o que eleva a qualidade do seu trabalho e a torna numa das minhas autoras favoritas pela forma como conjuga a qualidade da informação com a qualidade da escrita.
Evidência disso mesmo é o facto de ela tocar numa história bastante conhecido, porém poucas vezes explorada, a dos pequenos príncipes perdidos na Torre.
Igualmente, a história da deusa-sereira de quem a protagonista se acredita descendente surge muito bem integrada na narrativa central.
Devo confessar, no entanto, que não gostei que a forte personagem central reagisse tão brandamente às traições constantes do rei, justificando que apesar delas apenas ela era amada por ele e que, portanto, não tinham qualquer importância.
Penso que este tipo de mentalidade servil imposta por uma dominância machista condiz com a época mas não com o restante da personalidade da personagem.
O que não condiz com a época é apresentar a rainha com vinte sete anos como uma mulher muito nova no auge da sua beleza e juventude e o rei, com vinte e dois anos, como um rei-menino, numa época em que a esperança de vida rondava os quarenta anos, ela seria já considerada uma mulher de meia idade e ele um homem maduro.
Mas estes pequenos pormenores são irrelevantes comparados com a história profunda, intrigante e viciante que o livro nos oferece!




Autor: Phillipa Gregory


Editora: Civilização


Páginas: 448


Género: Romance Histórico

domingo, 14 de março de 2010

Feitiços de Amor (Barbara Bretton)

Este é um livro de fantasia para um público mais adulto mas que tem uma escrita simples e acessível, por isso mesmo cativante.
É interessante a forma como a autora consegue juntar uma realidade absolutamente normal e semelhante à nossa com todo um mundo de fantasia secreto, que está mesmo à frente dos olhos dos humanos mas oculto por um poderoso feitiço.
A história é entretida mas é pena que, no entanto, pareça que a parte da fantasia seja, em muitos momentos, quase secundária para história, servindo apenas de justificação para o elemento proibido do romance.
Pareceu-me também que a autora deu demasiada importância ao tricot, quando este não era muito relevante para a história, para tentar alcançar alguma originalidade na história, mas apenas conseguiu com isso criar alguns momentos aborrecidos no livro.
Se o tricot, como a fantasia, tivesse servido a algo mais intricado na história, estaríamos perante um livro que se distinguia por uma grande originalidade.
Mesmo assim, é um livro que vale a pena ser lido por quem gosta de um bom romance e para quem ainda acredita, ou tem vontade de voltar a acreditar, no verdadeiro amor e numa pitada de magia salpicando a vida.




Autor: Barbara Bretton


Editora: Quinta Essência


Páginas: 296


Género: Romance/Fantasia

domingo, 7 de março de 2010

Ghostgirl - A Rapariga Invisível (Tonya Hurley)


Este não é apenas mais um livro de fantasia que copia qualquer outra história de sucesso, ou que se vende como livro de fantasia mas não passa de um romance erótico barato.
É um livro que, sem dúvida, prima pela originalidade, cheio de uma deliciosa ironia e humor negro.
Isto apesar de o espírito do livro fazer lembrar muito aquele da “Noiva Cadáver” de Tim Burton, pelo estilo gótico sombrio e a forma triste, porém doce, como os mortos ainda se encontram presos à vida.
Mas o livro distingue-se por uma forte componente moralista, que nos tenta transmitir a lição de que nem sempre aquilo que nós mais desejamos é aquilo que realmente nos faria felizes. Por outro lado, o livro é também uma sátira perspicaz e engraçada do funcionamento social dos liceus nos Estados Unidos.
A sua maior inspiração é, claramente, o romance gótico, sabendo fazer a sua leitura para o género de leitores a quem se dirige acima de tudo, mas sendo pelas mesmas razões mais transversal do que se poderia julgar.
É um bom livro para todos aqueles que gostarem do género de fantasia, livre dos clichés usuais.



Autor: Tonya Hurley


Editora: Contraponto


Páginas: 336


Género: Romance gótico/Fantasia

segunda-feira, 1 de março de 2010

Prazer da Noite (Sherrilyn Kenyon)

Apesar desta história em si mesma ser interessante, abordando mais uma vez a temática sobrenatural em que um vampiro e uma humana se apaixonam, tema que tem vindo a ser cada mais popular e comum na literatura, este livro distingue-se dos outros livros de fantasia com a mesma temática, por um forte investimento no conteúdo sexual e sensual do livro. E tenho de confessar que foi esta mesma distinção que não me agradou, porque, para mim, é levada ao extremo, ao ponto de estragar o livro e a história.
Embora eu, no início, tivesse pensado que o livro poderia ser prometedor, rapidamente fiquei com a sensação de que estava a ler o argumento de um filme pornográfico ou, na melhor das hipóteses, um daqueles romances de cordel, tipo novela erótica que se podem comprar com a revista Maria por mais 2 euros. Não é que um pouco de sexo não possa ser interessante num livro de fantasia, mas neste, tão levado ao exagero e com uma linguagem tão vulgar, acaba por se sobrepor à temática de fantasia do livro, tornando-se enjoativo e aborrecido.
É de facto uma pena, porque acaba por estragar aquilo que para mim são personagens misteriosas e engraçadas e uma história que podia ser realmente boa.
No entanto, isto é apenas a minha opinião, porque não duvido que quem aprecia o género da fantasia erótica vá, de facto, gostar muito deste livro.




Autores: Sherrilyn Kenyon


Editora: Chá das Cinco


Páginas: 304


Género: Fantasia/Erótico

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Marcada; Traída; Escolhida (Kristin Cast e P.C. Cast)

Penso que todos os leitores que gostaram da saga Luz e Escuridão acabarão por encontrar na saga Casa da Noite uma nova história que muito os atrairá.
Ao fim dos primeiros três livros da série torna-se evidente que esta recupera algumas das melhores características dos livros de Meyer, mas também apresenta uma personalidade própria.
Desde logo, este livro escapa mais rapidamente a uma classificação de "obra adolescente", embora seja uma mistura perfeita entre as qualidades de Crepúsculo e os livros do Harry Potter.
Mas consegue ao mesmo tempo ser mais profundo e sobretudo mais sensual, características que se diriam adultas nos livros deste género.
Entre aquilo que distingue esta saga, gosto particularmente do facto da personagem principal não ser totalmente boa.
Na verdade, ela comete uma grande quantidade de erros e erros graves, o que, por
vezes, até torna difícil sentirmos empatia por ela. O exemplo mais claro será a falta de escrúpulos de Zoey em manter três namorados.
Também gosto do facto dos personagens desta história nunca serem exactamente aquilo que parecem e conseguirem muitas vezes surpreender-nos pelas suas atitudes, o que resulta numa boa sequência de reviravoltas impressionantes e emocionantes na história.
Só resta dizer que a saga tem vindo a melhorar rapidamente, com o terceiro livro a ser ainda melhor que segundo e este melhor do que já tinha sido o primeiro.
A apontar um único defeito que o mais recente livro tem para mim é não ser mais longo, para nos dar ainda um pouco mais…
Um defeito porque, afinal, deixa uma vontade imensa de ler, já de seguida, mais umas dezenas de páginas e não ter de esperar pelo quarto volume.


Autores: Kristin Cast e P.C. Cast


Editora: Saída de Emergência


Páginas: 312


Género: Fantasia







Autores: Kristin Cast e P.C. Cast


Editora: Saída de Emergência


Páginas: 332


Género: Fantasia







Autores: Kristin Cast e P.C. Cast


Editora: Saída de Emergência


Páginas: 384


Género: Fantasia

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Cabana (Wm. Paul Young)


Talvez eu não seja a pessoa ideal para falar deste livro. Não sou uma pessoa religiosa e certamente duvido mais do que acredito na existência de Deus.
Quando me interesso por este tema, é pelo simples gosto e curiosidade acerca da mitologia de seja qual for a religião.
No entanto, será também por isso que consigo olhar com algum distanciamento para este livro.
Primeiro que tudo, é preciso dizer que classificar este livro é uma tarefa difícil, por simplesmente ser diferente de tudo o que já li.
O livro está escrito num formato que nos faz pensar que não se trata de uma ficção, mas de um testemunho verídico, tanto que acabou por levar-me a pesquisar sobre a narradora para saber se a história era ou não supostamente baseada em factos reais, o que não é o caso.
A história é curiosa ao dar-nos uma visão única e muito contrária àquela tradicional que se tem de Deus.
Qual de nós imagina Deus como uma mulher corpulenta que adora cozinhar? Ou o Espírito Santo como uma oriental que é uma hábil jardineira?
O autor de facto merece o mérito de nos confrontar com uma renovada visão da divindade, certamente mais completa e mais agradável que o Deus punidor e rigoroso em que muitas pessoas acreditam.
E isso, quer queiramos, quer não, leva-nos a reflectir: se Deus existir, será que é
como nos diz a Bíblia e/ou os padres, ou será na realidade mais parecido com o que relata este livro e, extrapolando, com aquilo que cada pessoa quer imaginar como Deus?
Ainda assim, a minha parte preferida do livro não foi a parte central do encontro do personagem principal com Deus, mas a história do assassinato da menina, que está bastante bem escrita dando ao livro um certo mistério e quebrando por vezes um pouco a monotonia de alguns dos princípios morais expressos no livro.




Autor: Wm. Paul Young


Editora: Porto Editora


Número de páginas: 248


Género: Ficção

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Raparigas de Xangai (Lisa See)


Quando comecei este livro, estava confiante de que ia gostar, porque há muito que me fascinam as histórias sobre o Oriente, pois guardam sempre algo de exótico e misterioso.
No entanto em momento algum pensei que ia adorar, tal como rapidamente aconteceu, o que me fez ler o livro de rajada.
A história tem, de facto, a sua parte exótica, mas o que me impressionou foi a sua dimensão humana. Por um lado, é a história do crescimento de duas jovens privilegiadas que, de repente, se vêem sem nada e são obrigadas e encarar um nova vida nos EUA, no início e meados do século XX.
A história não é verídica, mas baseia-se em factos reais do sofrimento dos imigrantes chineses nessa época.
Somos deparados com uma realidade completamente diferente da que estamos à espera, porque, naquela época, os EUA não eram um país de sonhos e tolerância como a estava instituído no imaginário dos que lá chegavam, mas antes extremamente duro e intolerante para os chineses.
A par disto, decorre a história das duas irmãs que são obrigadas a aprender a ser adultas, nas circunstâncias mais difíceis.
A mais velha, de facto, torna-se madura, tolerante e sábia, mas a mais nova permanece imatura e egoísta.
Devido a essas diferenças, este romance revela-se uma historia de amor emocionante e singela entre duas irmãs.
Quem gosta de um romance rico em detalhes e emoção, não deve perder Raparigas de Xangai, pois tal como eu arrisca-se a tornar-se fã da escritora.



Autora: Lisa See


Editora: Bizâncio


N.º de páginas: 352


Género: Romance

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Papisa Joana (Donna Woolfolk Cross)


Muitos negaram, ao longo dos séculos, a sua existência, mas é ainda considerável a quantidade de documentos que referem a sua passagem pelo trono papal.
Eu já tinha ouvido falar, muitas vezes, da lenda da Papisa Joana. Na verdade esta lenda fascinava-me e a ideia perseguia-me. Mas, por muita informação que pesquisasse sobre ela o que encontrava era sempre muito vago e sempre referido como uma lenda e apenas isso. Ao longo do tempo eu acreditei que a história da Papisa Joana era apenas uma lenda, inventada pela forte imaginação das pessoas da idade média.

Até que me deparei com o maravilhoso livro A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross.
A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos, do qual resultou um excelente romance sobre Joana de Ingelheim. Na galeria das mais extraordinárias e controversas figuras do Ocidente, a papisa assume contornos enigmáticos e fascinantes.

No entanto não esperem encontrar neste livro a história típica de uma rapariga da Idade Média. Esta é a história de uma mulher que nasceu fora do seu tempo. De uma mulher que via mais longe que a maior das mulheres e até que a maior parte dos homens dessa época. Esta é a história de uma heroína qualquer uma de nós hoje em dia se consegue identificar
Joana recusa-se a ter a vida típica de uma mulher do seu tempo, de quem apenas se esperava que casasse cedo, tivesse filhos e cuidasse da casa. A mulher é na Idade Média pouco mais do que um objecto que pertence ao marido e sobre o seu domínio.
Ela foi exactamente o contrário disso. Ela recusou-se a ser tratada como um ser sem inteligência. Ela escolheu ser livre.

Foi com grande emoção que reconheci que, afinal, a lenda pode ter sido realidade através destas extraordinárias páginas. Somos levados a viajar no tempo e conhecemos Joana ainda pequena a aprender a ler e a escrever com o irmão mais velho. Mais tarde, com a sua morte resolve fazer o derradeiro sacrifício para ser livre, sacrificando a sua feminilidade. Joana passa a ser então Angelicus. Parte então em busca do conhecimento como se fosse um homem, mas a vida reserva-lhe muitas surpresas como tornar-se a primeira mulher a sentar-se no Trono Papal e um grande amor…

Se querem saber mais sobre esta história aconselho a que todos leiam este fantástico livro que brevemente poderão ver em filme. O romance apesar de ser ficcional baseou-se, de facto, em factos históricos. As personagens são fascinantes e estão muito bem construídas, principal e obviamente, a personagem principal que é uma mulher forte, inteligente e brilhante.
Um livro que nos faz acreditar que as lendas podem ser, afinal, reais…




Autora: Donna Woolfolk Cross


Editora: Editorial Presença


N.º de páginas: 460


Género: Romance Histórico

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A Paixão de Artemísia (Susan Vreeland)


“No século XVI o mundo era dos homens. Então apareceu uma mulher que ousou desafiar as leis, a sociedade, as artes... e o mundo nunca mais foi o mesmo.
Esta é a história verdadeira de Artemísia, a primeira mulher a ser aceite na prestigiada Academia de Artes de Florença. Violada pelo professor de pintura quando tinha 18 anos, leva-o a tribunal mas é ela quem acaba por ser humilhada publicamente. Abandonada pela própria família, a jovem decide partir à conquista do mundo numa época em que as senhoras respeitáveis raramente saíam de casa. Sangue, sexo, arte e dinheiro, a história de Artemísia podia ser a história de uma mulher dos nossos tempos. Depois de um casamento de conveniência com um pintor medíocre que inveja o seu talento, a jovem é forçada a sustentar-se não só a si mas também à sua filha. Cruzando-se com Galileu e ganhando o patronato dos Medici, Artemísia faz explodir o seu génio no auge do Renascimento e, ao recusar-se a ser menos do que os homens, torna-se numa heroína intemporal.”


O que mais me interessou inicialmente neste livro foi o facto de Artemísia não ser apenas o produto da imaginação de uma escritora ou simplesmente uma figura lendária. A sua existência é inquestionável e para o provar ficaram para a posteridade os seus quadros, verdadeiras obras de um génio renascentista, que nasceu mulher.
O livro oferece-nos uma viagem ao renascimento italiano, cheio de charme, arte, brilhantismo, intrigas e sexo. A escrita é agradável, simples e fresca.

O pai de Artemísia é um pintor com algum talento, por isso desde a infância ensinou a filha a pintar. No renascimento não era invulgar uma rapariga aprender pintura. Ao contrário do que acontecia na Idade Média era importante as mulheres da alta sociedade terem bastante cultura o que passava por aprenderem a escrever, música, dança e pintura. No entanto, toda esta cultura devia ser sobretudo um meio para agradar ao futuro marido e garantir um bom casamento…Uma mulher seguir pintura por profissão era algo completamente diferente e que estaria completamente fora de questão para a mentalidade da época.

Artemísia recusa vergar-se a estas regras e graças ao seu grande talento torna-se na primeira mulher admitida na Academia de Artes de Florença.
Mas nem tudo foram rosas na vida desta diva do Renascimento. Artemísia foi violada ainda adolescente, de forma atroz, pelo sócio do seu pai. Ao contrário de todas as mulheres do seu tempo - e até muitas do nosso - ela não se escondeu com culpa e vergonha. Esta é uma personagem inteligente e corajosa, que resolve fazer valer os seus direitos, mesmo que para tal ela tenha tido de passar por um teste humilhante e comprovar a perda da sua virgindade em pleno tribunal.

Artemísia enfrentou tudo e todos para fazer vingar o seu talento e seguir a sua paixão passando por cima do casamento por conveniência que lhe foi imposto e os preconceitos da sociedade.
O próprio livro é em si uma obra de arte que consegue mesclar na dose certa factos históricos com romance, sensualidade e autênticas lições de Arte.





Autora: Susan Vreeland


Editora: Chá das Cinco


N.º de páginas: 286


Género: Romance Histórico