
A obra que aqui se apresenta é resultado de alguns anos de considerações. Não só porque se trata de uma antologia de textos redigidos em momentos distintos que não se deixam arrumar com uma cronologia linear, convidando o leitor a começar a aventura em qualquer ponto que entenda, mas também porque o projecto foi idealizado muito antes, pelo que, muitas das exigências e aspirações que tinha fizeram caminho, tornando-se neste desígnio de escrita.
Em boa verdade, poderia subsumir os meus textos a relatos de surfadas em diversos pontos do país e do estrangeiro, porque já são efectivamente muitos os momentos que registei como surfista. Porém, as reflexões neles inscritas significam que a necessidade de escrever é congénita à minha escrita, dando-lhe contornos que vão além da narrativa de uma prática que considero fabulosa. Seria redutor não atentar nesta faceta, já que muitas são as temáticas tratadas sob a forma de lirismo; muitos os relatos de viagens, lugares e histórias alheias a que senti necessidade de formar assentamento. Depois, a luta pela palavra adequada traduziu-se num duplo crescimento, sempre inacabado – como maturação pessoal e apuramento formal – que julgo ser perceptível ao longo dos textos.
Mas é evidente que o oceano surge invariavelmente como “pano de fundo” no livro., resulta do já exposto. Ele representa uma paixão, um modo de estar e dar forma à vida indissociáveis da minha vontade de escrever. Daí o título: Line Up.
Esta expressão é comummente utilizada pelos surfistas, e sinaliza aquele ponto distintivo onde eles (nós) se alinham no mar – em suma, o objectivo capitular quando se entra no oceano para surfar, já que ali é o local ideal para apanhar as tão desejadas vagas. E a escolha adveio exactamente do propósito filosófico e programático de relevar a importância do “Line Up”.
Na vida em geral e em todas as situações em que queremos chegar a algum lado ou a alguém, muitas vezes tendo que superar obstáculos que à partida parecem intransponíveis, como quando num dia de mar grande, antes de chegarmos ao outside somos literalmente varridos e, mesmo assim, persistimos porque valores (ou meras paixões) maiores se levantam. É nesses dias e nesses momentos que as nossas pretensões se nos tornam claras, além de – como lá diz o ditado – tudo acaba por saber melhor quando é conquistado.
Etapa a etapa, palmilhamos o caminho, porque a vida é isso mesmo, os centímetros à nossa frente que procuramos alcançar, os testes à nossa vontade, necessariamente porque se cedermos ficaremos no “quase” e, no mar, o “quase” significa aquele local que ninguém deseja, onde a ondulação quebra sem remanso e nos faz sentir insignificantes; na vida, chegados ao “quase” não implica que tenhamos alcançado o propósito, é decisivo uma nova investida, seja nas relações humanas, na dedicação e esforço imprescindíveis; no trabalho que exige a melhor prestação, no respeito pelo outro e pela mãe natureza que cada vez mais merece a devida reparação… são muitos os objectivos a alcançar, e todos eles são os tais centímetros à nossa volta a desafiarem a determinação – no mar a chegada ao Line Up.
Quando recebi o aval da editora, e percebi o seu genuíno interesse na edição, senti-me como uma criança que vê um dos seus devaneios prestes a realizar-se. Do diálogo e entendimento frutuoso resulta agora este livro que espero venha a ser do agrado de muitos.
Mais uma oportunidade que tenho para oferecer a um dos meus leitores um livro da Papiro Editora.
Duas perguntas a que terão de responder correctamente e, depois, é só esperar pelo sorteio.
A data limite é dia 1 de Novembro e as respostas estão no
site da Papiro. Boa sorte!
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