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domingo, 19 de janeiro de 2014

Destaque Quetzal

A Quetzal começa a publicar os livros de Nelson Algren, verdadeiros clássicos americanos, que continuam a conter temas fortes e um profundo humanismo. A este título seguir-se-á The Man with the Golden Arm.


«O sonho de Algren era um sonho de humanidade: de como se pode viver uma vida plena mesmo quando se perdeu tudo e não se pode recuperar nada: através do humor, através das pequenas conquistas, através do amor dos outros.»
Richard Flanagan



Vidas Perdidas – A Walk on the Wild Side
Nelson Algren

Vidas Perdidas é uma obra-prima feita de bondade, raiva, graça e solidão, um livro que cativou o imaginário de todas as gerações desde que foi publicado, em 1956, e que evoca um mundo mais tarde imortalizado no clássico de Lou Reed, A Walk on the Wild Side. Esta primeira publicação da obra em Portugal é uma homenagem ao génio de Algren e um convite para que os leitores portugueses acedam ao universo singular de vidas perdidas retratado pelo escritor.
Esta é a história de um ingénuo rapaz do campo que foge de Hicksville, no Texas, para procurar uma vida melhor em Nova Orleães. Como pano de fundo, um país devastado pelo desemprego e pela pobreza da Grande Depressão. São os anos em que «o número de desempregados ascendeu a oito milhões, duzentos mil operários siderúrgicos tiveram um corte de quinze por cento nos salários, e isso levou um cardeal a perceber que o colapso económico do país era efetivamente um maravilhoso golpe de sorte, pois aproximava milhares de pessoas da pobreza de Cristo; em que foi pedido que se deportassem os desempregados de origem estrangeira; uma multidão linchou um homem em Atwood, no Kansas; uma crise no fundo de desemprego estava iminente; o preço do algodão subiu ligeiramente, acompanhando o do trigo; e o governador Huey Long disse que tinha chegado a hora de redistribuir a riqueza. Al Capone estava a caminho de Atlanta, e o preço do algodão voltou a cair, acompanhando o do trigo, mas o Congresso decidiu que não havia qualquer justificação para redistribuir a riqueza.»






Este livro já foi adaptado ao cinema em 1962 pela mão do realizador Edward Dmytryk e com um argumento a cargo do escritor John Fante.
Podem ver em vídeo a excelente sequência inicial que Saul Bass criou em torno da música de Elmer Bernstein e que é apenas uma das razões que tornam o filme memorável.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Destaque Quetzal

O romance que venceu o Prémio São Paulo de Literatura 2013 e que foi, igualmente, finalista do Prémio PT de Literatura chega esta sexta-feira às livrarias pela mão da Quetzal.

Poderá muito bem acabar na lista de melhores dos anos quando 2014 chegar ao fim.




Barba Ensopada de Sangue
Daniel Galera

Um professor de educação física procura refúgio em Garopaba, cidade balnear de Santa Catarina, após a morte do pai. Afasta-se da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha num isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, o misterioso Gaudério, que teria sido assassinado, décadas antes, na mesma Garopaba.
Barba Ensopada de Sangue resgata e leva às últimas consequências temas como a construção da identidade; as dificuldades que enfrentamos para entender e reconhecer os outros; a necessidade inconfessa de uma reparação talvez inviável; a busca da harmonia entre mente e corpo; o consolo que o contacto com a natureza e os animais nos pode proporcionar; e os diversos tipos de violência que podem irromper de uma existência domesticada.


«Barba Ensopada de Sangue é um livro muito forte e Daniel Galera, um escritor admirável – sério, robusto, tranquilo. E este é também um livro assim, desde a primeira página. Como alguém que sai de casa sabendo exatamente para onde quer ir. Vai firme, mas não apressa o passo.»
Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Destaque Quetzal

A grande retrospectiva de Julião Sarmento, intitulada "Noites Brancas", que inaugurará no dia 23 de Novembro no Museu de Arte Contemporânea de Serralves é antecipado pela Quetzal com o livro lançado hoje e que reúne diversos ensaios de autores tão diversos como Al Berto, António Damásio, Clara Ferreira Alves, João Lopes, Juan Muñoz e Armim Zweite, entre muito outros.
Os interessados na obra do artista não poderão deixar de ver a exposição e de ler este livro.



Sobre Julião Sarmento
Vários autores

Trinta e cinco anos de carreira e a maior retrospetiva de sempre a inaugurar em Serralves no mês de novembro são pretexto mais do que suficiente para a Quetzal dedicar um pequeno livro a uma das obras maiores das artes plásticas portuguesas da contemporaneidade – a de Julião Sarmento. Sobre Julião Sarmento, assim se chama este livro que pretende ser uma narrativa sobre a sua obra, uma porta de entrada  para o seu universo, e que conta com o contributo de críticos, curadores, escritores, realizadores, cientistas nacionais e estrangeiros, tem uma particularidade altamente intencional: à exceção da capa, não tem uma única reprodução de nenhum dos seus quadros, fotografias ou instalações, pretendendo, assim, projetar no leitor uma premissa fundamental da obra de Sarmento – a promessa sempre adiada em mostrar o que não pode ser visto. 



Noites Brancas (1982) - Julião Sarmento

domingo, 5 de agosto de 2012

Destaques Quetzal

A Quetzal abriu o mês de Agosto com três lançamentos entre os quais mais um título de Kingsley Amis e um policial da escritora islandesa Yrsa Sigurdardóttir.


Lembro-me de ti (Yrsa Sigurdardóttir)


Três jovens propõem-se recuperar uma velha casa de uma aldeia abandonada, algures nos Fiordes Ocidentais islandeses. Mas não imaginam o cataclismo que este inofensivo trabalho vai desencadear. Na outra margem do fiorde, um psiquiatra investiga o suicídio misterioso de uma mulher mais velha que poderá estar ligado ao desaparecimento do seu próprio filho.
Estas duas intrigas vão convergir para uma história de um enorme suspense que os críticos têm considerado tratar-se da melhor que até agora saiu da pena de Yrsa Sigurdardóttir – Lembro-me de Ti foi galardoado com o Prémio de Ficção Policial Nórdica de 2011, e os direitos de adaptação ao cinema comprados pelo produtor islandês radicado em Hollywood Sigurjón Sighvatsson (Wild at Heart e The Killer Elite, entre dezenas de outros).

Um thriller policial arrebatador, uma leitura saborosamente arrepiante.




A Porta do Sol (Elias Khoury)


Há histórias que salvam vidas. Usando o método de Xerazade, o narrador de A Porta do Sol tece um longo e contínuo fio de histórias com que pretende resgatar a vida de um homem. Esse homem, em coma profundo na cama do hospital, é o seu pai espiritual e um herói da resistência palestiniana.
No furor de o reanimar através da memória, é todo um povo e a sua epopeia que o narrador faz reviver diante dos olhos do leitor: os acontecimentos da guerra civil no Líbano, os episódios mais marcantes da sua vida e os dolorosos itinerários de um punhado de homens e mulheres apanhados pela história, após a sua expulsão da Galileia em 1948.
Inspirado na estrutura narrativa de As Mil e Uma Noites, A Porta do Sol é um romance amplo, pungente, e considerado de forma unânime o grande relato do êxodo palestiniano.




Gosto Dito Aqui (Kingsley Amis)


Garnet Bowen, antigo jornalista e autor de um único livro, vive agora de alguns trabalhos avulsos e sustenta com dificuldade os seus três filhos. A mulher e a sogra convencem-no a aceitar um trabalho que implica passar uma temporada num país do Sul da Europa, investigando a verdadeira identidade de um escritor misterioso.
Bowen odeia sair de Londres e sempre desprezou a ideia de viajar pelo continente, mas não vai conseguir evitar a ida. E aí vai ele para um país em que o álcool é barato; o sol, opressivo; a comida estranha; e as raparigas, ilegíveis, nos sinais que dão de recetividade e repúdio – esse país é Portugal.
Neste fabuloso entretenimento que é Gosto Disto Aqui – o mais autobiográfico dos romances de Kingsley Amis –, o nosso perplexo herói vai passar por consecutivos apuros e desastres cómicos, que culminam numa situação amorosa com uma jovem mulher e um hostil representante da fauna de insetos locais.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Destaques Quetzal

Foi lançado no passado dia 27 de Abril o livro que faz a colectânea de crónicas que Pedro Vieira foi criando para uma rúbrica com o nome do seu blogue, irmaolucia, transmitida pelo Canal Q.




Éramos felizes e não sabíamos, como é evidente. A 1 de abril de 2010, quando o irmaolucia se estreou na televisão (marginal) por cabo ao som de uma malha esgalhada pelo Vasco Palmeirim (pode-se usar “esgalhada” sem provocar cegueira?), os indícios de que o verbo “empobrecer” ia ganhar novo relevo já estavam todos à vista. Afinal, por esses dias a crónica de uma morte anunciada que é a nossa vida de todos os dias já havia deixado de ser propriedade intelectual daquele colombiano demasiado interessado nas curvas da Shakira, por oposição à estima que antes demonstrava por Macondo, quantos Aurelianos caberão naquelas ancas, por aí fora. Por oposição ao que se vive hoje e ao que se antecipa daqui em diante, éramos mais do que felizes, que saudades do Freeport, do manso é a tua tia, dos robalos e do Vara, do Santana primeiro-ministro e da vitória da Grécia no europeu de futebol, do Scolari e do José Barroso de malas aviadas para Bruxelas, do pântano guterrista, do desemprego abaixo dos dois dígitos e da primeira vitória presidencial de Aníbal Adoro Bolo-Rei Silva, altura em que Manuel Alegre era um barbudo simpático com o ego engordado em um milhão de votos e em que o Fernando Nobre era só um tipo que tinha visto demasiadas crianças, demasiados pães, demasiadas galinhas.

domingo, 7 de agosto de 2011

Destaques Quetzal



Ela Cantava Fados (Fernando Sobral)

Um crime brutal num condomínio de luxo é o ponto de partida do novo romance de Fernando Sobral. O assassínio de uma jovem estrela do fado vai levar o detective Manuel da Rosa a percorrer, de suspeito em suspeito, as ruas de uma Lisboa desconhecida.



Amor Livre e outras histórias (Ali Smith)

«Acordo febril e não sei porquê, não consigo ver nada, porque está muito escuro com as persianas corridas, e não me consigo lembrar por que tenho o coração a bater tão depressa. Depois oiço-te a respirar e sei que estamos de férias e que estás ao pé de mim. Oiço uma mudança na tua respiração, porque percebes que estou acordada. Sinto-te a virares-te para o meu lado. Antes de me enroscar em ti, antes de aconchegar a minha cabeça nos teus braços e encostar os meus olhos aos teus ombros, faço o que te tenho visto fazer desde sempre, ergo os braços acimas das nossas cabeças e para dar sorte, por amor, toco por um momento na madeira»

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Destaques Quetzal

Aqui fica a lista dos títulos que a Quetzal lançou (ou ainda vai lançar) durante este mês.


As Teorias Selvagens (Pola Oloixarac)

«O primeiro romance de Pola Oloixarac poderia ser visto como uma comédia, se não se tratasse de um romance filosófico que encontra os seus temas na razão, na modernidade e no sujeito universal. O leitor mais atento encontrará em As Teorias Selvagens pedaços de Humbert-Humbert, Rousseau e Wittgenstein, mas verá que as suas personagens estão mais próximas de heróis de comédia (dois adolescentes que encontram na sua respectiva deformidade física e moral um bom motivo para se unirem, por exemplo, ou uma jovem militante que escreve cartas a Mao) num mundo emaranhado de teorias impossíveis, iluminadas e inapreensíveis. As Teorias Selvagens é, entre outras coisas, um tratado da guerra da sedução na era dos blogues. Um romance ácido, demencial e divertidíssimo.»



A Magia dos Números (Yoko Ogawa)

Uma empregada de limpeza começa a trabalhar em casa de um velho matemático, cuja carreira foi brutalmente interrompida por um acidente de automóvel, que reduziu a autonomia da sua memória a oitenta minutos. A cada manhã, a jovem mulher deve apresentar-se como se se vissem pela primeira vez, e é com grande paciência, gentileza e muita atenção que ela consegue ganhar a sua confiança.

Também lhe apresenta o filho de dez anos. Inicia-se então um relacionamento maravilhoso: o rapazinho e a sua mãe vão não só partilhar com o velho amnésico a paixão pelo basebol, como também vão aprender com ele a magia dos números.

Neste subtil romance sobre a herança e a filiação – e em que três gerações se encontram sob o signo de uma memória extraviada e fugidia – a narrativa desdobra-se com a graça e o rigor de um origami. Lapidar e profundo como um haiku, A Magia dos Números é uma pequena obra-prima.

sábado, 11 de junho de 2011

Destaque Quetzal

A solidão é o tema da Quetzal para Junho.



Onze Tipos de Solidão (Richard Yates)

A partir da vida de empregados de escritório de Nova Iorque, de um taxista que ambiciona a imortalidade, de jovens romancistas frustrados, de professores desprezados pelos alunos, de homens dos subúrbios e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martinis e bares de jazz sem glamour nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio. Publicado a seguir ao romance que o consagrou – Revolutionary Road –, o conjunto de onze histórias – ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão – cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desajustamento social.