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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Vidente de Sevenwaters (Juliet Marillier)

Uma vez mais, Juliet Marillier criou uma bela história situada no mundo pagão que inventou na Filha da Floresta. Este romance, que segue o verão que Sibeal, a jovem vidente de enorme talento que conhecemos no volume anterior, passa na ilha onde vive o seu primo Johnny antes de receber os seus votos finais. Quando um navio é destruído ao largo e os estranhos sobreviventes dão à costa, as crença e o talento de Sibeal são postos à prova de uma forma que não poderia ter previsto.
É uma história que decorre num ritmo lânguido e que se desenrola delicadamente. É contada sob dois pontos de vista, o da Sibeal e o do náufrago, Félix. É uma história sobre o despertar espiritual, emocional e físico.
Extremamente comovente e sempre viciante, Marillier prende os seus leitores e conduz-nos de forma privilegiada e introspectiva ao mundo interior dos personagens principais. Sentimos o que eles sentem, compreendemos as suas motivações e dúvidas pessoas e, desta forma, relacionámo-nos com eles de um modo que é muito pessoal, íntimo mesmo, e que assegura que ficamos junto deles ao final.
Ainda assim a história também nos confere oportunidades para reflectirmos. Damos por nós a fazer uma pausa e a considerar as palavras e as acções dos personagens de forma que não costumamos normalmente fazer. Algo que, possivelmente advirá do conhecimento que Marillier nos dá sobre os druidas e os tempos pagãos que ela infunda nas histórias e que nós, leitores, ao longo das diferentes obras da autora vamos assimilando. Uma tomada de consciência de uma vida interior que ressoa pela história fora. A acuidade história e encenação dos das práticas e crenças druidas, já para falar das dos curandeiros e guerreiros e de outros elementos que fazem parte da vida comunitária. É algo de fascinante e adiciona níveis à história e aos personagens, bem como localiza a história num tempo já esquecido.
Assim, quando Sibeal e Félix levam a cabo uma perigosa missão, somos levados a deambular por numa alternativa e maravilhosa tapeçaria de crenças que está próximo da sua extinção. Muitos dos personagens que já conhecemos e adoramos reaparecem neste volume, e nos é dado a conhecer mais sobre as suas vidas e ambições, e acompanhámo-los à medida que o futuro se desenrola.
Há sempre algo de imensamente prazenteiro num livro de Marillier. Após o lermos temos sempre uma sensação de paz que poucos livros nos conferem. É como, tal como Sibeal, quisemos descobrir uma lagoa negra ou um espaço tranquilo onde podemos simplesmente contemplar sossegadamente durante algum tempo. Alcançarmo-nos, alcançar o nosso passado e compreender o futuro.
Mas regressando à história da Vidente de Sevenwaters, este romance que pode ser lido de forma isolada tem necessariamente uma natureza diferente da trilogia original. O cenário remoto, distante e ominoso de Inis Eale, instila um tom sublime e misterioso como de qualquer livro de Sevenwaters. Embora custe não ter saudades do lago e da floresta de Sevenwaters, o enfoque no folclore está tão bem escrito que nos transporta completamente e bafeja-nos com algo de novo e refrescante.
Talvez mais importante, a profundamente espiritual e intuitiva Sibeal é exactamente o tipo de personagem com quem conseguimos imediatamente relacionarmo-nos, algo que atribuímos inicialmente às suas crenças muito enraizadas espiritualmente mas percebemos que o cerne das suas lutas interiores – a batalha entre o coração e a mente – é universal.
Na outra metade do livro em que temos a perspectiva de Félix, que é um personagem distinto, tem uma personalidade mais filosófica, o que é algo distinto do habitual protagonista masculino de Marillier, que é invariavelmente um guerreiro, lavrador ou mercador. Félix complementa Sibeal assim como vê além do seu exterior mais frio para encontrar uma jovem com sentimentos e paixões. Os obstáculos que Sibeal e Félix têm de vencer parecem menos pesarosos do que aqueles colocados sobre Red e Sorcha ou Bran e Liadan, mas, ainda assim, a sua relação é tão obstinada e sincera. Em cima de tudo isto são lançadas as sementes para uma futura e inevitável confrontação entre Cathal e Mac Dara em próximos livros e um vislumbre da ravina do Homem Pintado, do Filho das Sombra.
Em conclusão a Vidente de Seventwaters é um valioso e prazenteiro romance da série que mantém a qualidade elevada que Marillier se propôs ao escrever fantasia histórica.




Autor: Juliet Marillier


Editora: Planeta Manuscrito


Páginas: 416


Género: Fantasia

quarta-feira, 27 de julho de 2011

À conversa com Juliet Marillier (parte 1)

A Planeta Manuscrito permitiu-me voltar a fazer algo que me dá enorme orgulho de apresentar aqui no blogue e foi com enorme prazer que pude estar algum tempo à conversa com uma das minhas autoras favoritas.
Muito simpática, apesar de ser já a enésima entrevista do dia, Juliet Marillier ainda conseguiu sentir-se em "dificuldades" com algumas das perguntas que tinha preparado, mesmo se está habituada a que os fãs lhe lancem todo o tipo de questões!
Espero que os restantes fãs da autora achem as perguntas e, sobretudo, as respostas interessantes. Fico à espera do vosso feedback!




- O que a levou, há mais de uma década, a tornar-se uma escritora a tempo inteiro?
Estava a trabalhar num escritório, como directora de um departamento governamental, e tive várias mudanças na minha vida pessoal e cheguei a um ponto em que queria escrever – já tinha escrito muito quando era mais nova e depois tive de ganhar a vida em diversos outros trabalhos – e eu adorava a lenda dos Seis Cisnes e decidi que adoraria escrevê-la sobre a forma de um romance com personagens ricos.
Não estava a pensar ser publicada ou em tornar-me escritora, apenas me apetecia escrever essa história e foi assim que comecei.

- O que a levou para o campo da Fantasia?
Acho que, simplesmente, caí na Fantasia. Sempre adorei Contos de Fadas e Mitologia e quando comecei a escrever foi esse tipo de coisas que escrevia.
Nessa altura não lia Fantasia, apenas queria escrever algo com muita magia envolvida.
Só comecei a descobrir o género muito tempo mais tarde quando as pessoas começaram a colocar os meus livros nessa categoria.
Não houve uma intenção particular de escrever Fantasia, apenas fui escrevendo.

- Então que autores a influenciaram mais quando começou a escrever?
Portanto, não foram escritores de Fantasia, apenas bons escritores, de todos os tipos.
Adoro o trabalho de Mary Stewart que escreveu nos anos 1970 uma excelente saga sobre Merlim e, também, autores clássicos. Adoro Shakespeare e Jane Austen e vários outros autores clássicos que estudei na escola.
Mas acho que a maior influência nas minhas histórias são as histórias clássicas dos Contos de Fadas e a Mitologia.

- Como chegou ao género de ambiente de Fantasia Histórica em que insere as suas histórias?
Acho que vem, provavelmente, dos meus antepassados serem Escoceses e Irlandeses. Apesar de ter crescido na Nova Zelândia fui educada numa cidade muito escocesa, Dunedin, e enquanto criança ouvi muitas lendas dos dois países e sempre me senti confortável a explorar esses ambientes e essas fantasias.

- Tinha concluído a trilogia Sevenwaters em 2001 e em 2008 voltou à saga com o Herdeiro de Sevenwaters. O que a fez voltar?
Na verdade, foi uma exigência dos editores e dos leitores. A trilogia tinha tido tal sucesso que todos queriam mais livros desse universo.
Apesar de ter adorado escrever todos os outros livros pelo meio e nem esperasse voltar a Sevenwaters, mal comecei a escrever Herdeiro de Sevenwaters descobri que era muito fácil voltar a mergulhar nesse mundo e trazer as personagens de novo à vida.

- Porque escolheu fazer estes novos livros como companheiros da trilogia inicial em vez de expandi-la para um quinteto de livros?
Quis fazer uma história que funcionasse por si mesma. Não me queria comprometer com uma extensão particular de livros da série – queria poder fazer um ou dois ou oito ou quantos fossem – mas há uma história que atravessará três livros – Herdeiro de Sevenwaters, Vidente de Sevenwaters e mais um livro – que é a história de Cathal e MacDara.
Há uma história ao longo dos três livros e há uma história independente para cada livro.

- Diria que foi uma decisão arriscada regressar a este universo que poderá ter-se cristalizado no coração dos leitores?
Sim, suponho que foi um pouco arriscado. Haverá sempre leitores que admiram o que escrevi na trilogia e não gostarão do que escrevo agora porque, não importa quão bom seja, nunca estará à altura do que eles sentem pelos outros livros.
Tendo dito isto, sinto que isso é a minoria dos leitores e a maioria dos leitores adoraram a trilogia e queriam voltar e estão a gostar muito dos livros novos.
Algumas pessoas dizem que estes livros estão escritos de maneira diferente e que são mais curtos e eu respondo-lhes que passaram oito anos e que aprendi muito sobre escrita e não quero fazer sempre o mesmo, quero desafiar-me a mim própria.
Por isso, ainda que estes livros sejam passados no mesmo universo, eu estou a tentar algumas coisas novas. Por exemplo, em Herdeiro de Sevenwaters cedi um pouco da narrativa a uma perspectiva masculina, dividindo-a entre feminino e masculino.

- Sente-se a voltar mais a Sevenwaters do que às suas outras sagas?
Não tenho a certeza, de momento.
Estou a escrever outra saga, chamada Shadowfell, passada na Escócia antiga e muito diferente desta. E estou a gostar muito.
Tenho mais três livros para escrever e ainda não sei o que vou fazer a seguir. Deixo-me ficar aberta às possibilidades.

- Qual a personagem da trilogia que se sente mais triste por ter de deixar para trás?
É muito difícil dizer. Muitas das personagens de que mais gosto permaneceram vivas apesar de não aparecerem nestes livros.
Eu adorava Bran e Liadan, eram provavelmente o meu casal favorito. No livro que estou a escrever agora, que sucede a Herdeiro de Sevenwaters, eles surgem apenas brevemente.
Mas evitei trazer as personagens muito fortes da trilogia para os novos livros porque senti que eles roubariam o miolo da história e queria que o novo e jovem protagonista fosse a personagem central.

- Como chegou à ideia de juntar os contos de fada com a cultura Celta?
Suponho que, com o primeiro livro, não estava muito consciente do que estava a fazer. Havia aquele conto de fadas sobre os cisnes, que eu adorava, e que assentava num ambiente Celta muito bem pois a mitologia Celta contem muitas imagens de cisnes. Apesar de ser um conto Germânico, servia muito bem aquele ambiente.
Mas acho que, na altura, não pensei nisto com cuidado, apenas comecei a escrever e lá estava esta união.

- Qual é o seu método de pesquisa para estes universos?
Leio muita História mas já cometi erros, sobretudo naqueles primeiros livros, mas na altura não me apercebi que estava a escrever Fantasia e que seria tão importante que a História estivesse correcta.
Mas aprendi com os meus erros e agora leio a História dos meus cenários a fundo e leio sobre Mitologia.
Como agora vivo na Austrália tenho igualmente de estudar a paisagem, as plantas, os peixes, as Estações… Tudo sobre viver naquele clima e naquela cultura.
Só visitei a Irlanda uma vez, portanto fiz muita da pesquisa em livros, mas para os livros Escoceses já voltei à Escócia várias vezes e fiz a pesquisa no local.

- Como encontra os cenários propícios às suas histórias? A Mitologia chega primeiro ou as personagens chegam primeiro e tem depois de encontrar o espaço apropriado para elas?
É diferente para os diferentes livros. Por vezes é algo do quotidiano que faz surgir a história, uma situação sobre a qual leio, algo comum do mundo actual mas dramático e que sinto ser uma excelente base para uma história.
Por vezes é algo que leio num livro de História e outras vezes algo de um conto de Fadas ou da Mitologia.
Normalmente muitas coisas diferentes combinam-se para construir a história.

- Porque faz das suas personagens tão contemporâneas na sua mentalidade apesar de estarem inseridas numa época mais restritiva?
Elas são bastante contemporâneas em muitos aspectos. É muito difícil conseguir isso, sobretudo com Sevenwaters que se passa muito no início da Era Medieval.
No entanto, por se passar na Irlanda, como o país sempre foi muito avançado em termos do papel da mulher na sociedade e a Lei protegia a fundo a mulher – podiam divorciar-se dos maridos por vários motivos e tinham direito à propriedade –, era um cenário mais esclarecido e mais contemporâneo em termos de valores, para a época em questão.
Tenho de fazer um compromisso entre a exactidão histórica e o escrever algo que seja apropriado para as leitoras actuais, e talvez eu me incline mais para o segundo. Gosto que as minhas personagens femininas possam fazer escolhas.
Não fui ao ponto, como em muitos livros de Fantasia, de reproduzir o cenário da Europa Medieval com outro nome e ter mulheres guerreiras. Não fui tão longe, criei algumas limitações às minhas personagens femininas de acordo com esta sociedade, mas quero que elas sejam fortes.

- As suas personagens femininas têm personalidades muito fortes. Sente que tem de as usar para enviar uma mensagem às suas leitoras?
Acho que sim, que estou interessada em mostrar que as mulheres podem ser corajosas, que podem estar à altura dos desafios, viver boas vidas e ser influentes.
Algumas das minhas personagens femininas começam as histórias com muitas desvantagens, não tanto na série Sevenwaters mas certamente nas Crónicas de Bridei, sobretudo n’ O Poço das Sombras que com uma personagem que poderia perfeitamente ter desistido da sua vida e passar derrotada pelo mundo, e quis mostrar que mesmo quando as pessoas são confrontadas com situações terríveis podem erguer-se e viver uma boa vida ao encontrarem a coragem interior.
Portanto, sim, estou a mandar uma mensagem aos meus leitores.

- Sentiu-se sempre à vontade para escrever sobre sexo quando necessário. Também para quebrar tabus?
Depende… Não há muitas cenas de sexo nos meus livros comparados com os livros de outras pessoas.
Depende inteiramente da história e das personagens. Por vezes é adequado incluir uma cena de sexo, outras vezes não.
Outros escritores incluem muitas cenas de sexo e muito gráficas, eu não gosto disso em particular, pois dizer um pouco menos pode ser mais poderoso.
Há um local próprio para as cenas de sexo e eu uso-os quando é apropriado.

- As suas personagens são inspiradas por pessoas que conhece e por si própria? Que personagem te mais de si mesma?
Muito difícil responder. Provavelmente uma daquelas velhas mulheres sábias.
Não consigo pensar em nenhuma na saga Sevenwaters, apesar de haver uma contadora de histórias em Herdeiro de Sevenwaters chamada Willows, portanto talvez essa seja parte de mim. E também Frola, a mulher sábia, das Crónicas de Bridei, há muito de mim nela.

- Penso muito em si como Sorcha, por ser uma grande contadora de histórias também.
Haverá um pouco de mim em cada uma das personagens e um pouco das minhas duas filhas.

- Muitos dos seus livros falam da ideia de abnegação. É algo que procura conscientemente e para o qual está atenta no mundo actual?
Essa é uma pergunta difícil.
Acho que a abnegação é importante, mas ao mesmo tempo não quero que custe a alguém a sua vida ou a sua ideia de si mesma.
Certamente que n’A Filha da Floresta esse é o principal sentimento da personagem, porque no conto de fadas ela tem de abdicar de tudo pelos irmãos, eu não defenderia a abnegação por si mesma para praticar no dia a dia. Acho que temos de ter um balanço entre dar-nos aos outros e respeitar-nos a nós mesmos.
Odiaria pensar que alguém, no mundo real, seria chamado a fazer o que ela faz e abdicar de tanto de si.
Mas, mesmo assim, é uma qualidade admirável.

- Quando inicia um romance já tem a estrutura na cabeça ou vai criando-a à medida que escreve?
Tenho um plano em mente. Nem todos os escritores fazem isso. Há muitos autores que conheço que preferem sentar-se e deixar correr o livro de forma orgânica.
Eu sou uma planeadora, gosto de ter os contornos gerais do livro prontos. Faço a pesquisa e depois preparo os contornos gerais e depois começo a escrever.
Dito isto, muitas vezes altero o plano à medida que avanço, uma certa personagem pode tornar-se importante ou posso mudar algo na forma como a história funciona, mas nunca altero o final que planeio, sei sempre para onde vou.
Acho que o tipo de escritor que não planeia acaba por ter de reescrever muitas vezes, fazer muita edição, enquanto eu não reescrevo. Trabalho muito e revejo à medida que avanço e, quando está pronto, não tenho de fazer quase nenhuma revisão.

- Há algum “click” que a leva a dizer que o livro está acabado?
Como estou a trabalhar com um plano, vou da página 1 ao final e deveria estar pronto, mas não é tão claro assim.
É difícil dizer em que momento ocorre, mas chega uma altura em que estou satisfeita com o livro mas não posso dizer que esteja acabado até que o meu editor o leia e me dê uma série de notas.
Quando chegar a casa, na próxima sexta [Nota: A autora referia-se ao dia 8 de Julho], tenho o relatório editorial do primeiro livro de Shadowfell à minha espera. E tenho de o ler mal volte à Austrália.
Não estou muito desejosa dessa parte. (risos)

- Qual foi o momento mais gratificante que já teve, como escritora, por parte dos seus leitores?
Há duas coisas que gosto particularmente.
Uma é quando um leitor me diz que ler os meus livros os encorajou a ler mais. Tenho leitores que não apreciavam ler há muito tempo, leram um livro meu e adoraram e, a partir daí, passaram a ler muitos mais.
A outra é quando alguém descobre os meus livros e começam a escrever as suas próprias histórias.
Adoro ouvir isso por parte dos meus leitores.



Infelizmente, como a autora estava no final de um longuíssimo dia de entrevistas, e ainda a sentir os nefastos efeitos do jet lag, a entrevista não pode ser tão longa quanto eu desejaria (e preparara).
Claro que a disponibilidade foi enorme e as restantes perguntas seguiram por email para a autora.
Assim que as respostas chegarem até mim poderão ficar com uma óptima segunda parte de entrevista. Pode ainda demorar um pouco (como leram na entrevista, a autora está cheia de trabalho) mas tenho a certeza que valerá a pena a espera para saberem ainda um pouco mais sobre Juliet Marillier!


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sangue-do-Coração (Juliet Marillier)

Criticar esta autora nunca será neutro da minha parte, uma vez que se trata de uma das minhas autoras preferidas.
Neste caso a Juliet trouxe-nos um reconto da história da Bela e o Monstro excepcionalmente conseguido. Pelo que tenho lido nas criticas grande parte dos leitores consideram este o pior trabalho da autora eu sou obrigada a discordar. Este não é para mim o seu pior livro apesar de para mim se distinguir bastante dos outros porque penso que se dirige a um público mais adulto.
Ambos os personagens Caitrin e Anluan tem um passado bastante sombrio que encobre segredos obscuros, ambos vivem no medo e não sabem como o evitar. E, ao contrário da maior parte das historias da Juliet, não se trata de um amor à primeira vista, mas de um amor pelo qual ambos vão ter de lutar.
Gostei muito da forma como esta história trata as aparências e nos mostra como são enganosas pois os aparentes vilões tornam-se os heróis no final da história e uma personagem aparentemente bondosa e inofensiva é na verdade a vilã da história. O final dá também uma reviravolta completamente inesperada que deixa o leitor de boca aberta.
Mas o que gostei mesmo mais nesta história é que o “Monstro” no final não se transforma num príncipe encantado, porque a sua “Bela” o ama exactamente como é com todas as suas qualidades e defeitos. E afinal não é isso o amor?




Autor: Juliet Marillier


Editora: Bertrand Editora


Páginas: 400


Género: Fantasia