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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Destaque Antígona

Lançado este mês com um prefácio de Teolinda Gersão, Ondina é um livro cuja influência convém conhecer e reconhecer. Uma leitura imperdível.


«Que adorável poema é Ondina! Este poema é, ele próprio, um beijo.»
HEINRICH HEINE


Na vasta obra de La Motte-Fouqué (1777-1843), que inclui desde poesia de inspiração diversa a contos, narrativas, romances e teatro, destaca-se Ondina – o conto maravilhoso agora publicado pela Antígona. Um dos textos mais lidos e celebrados no seu tempo, Ondina (1811) é a reactualização de um mito – o da ninfa e espírito das águas que abandona o seu admirável mundo subaquático, onde árvores de coral resplandecem com frutos azuis, e parte em busca de uma alma humana.

Elogiada por Heine e Poe, a obra Ondina exerceu um genuíno fascínio sobre os leitores no período romântico, pela mestria literária, pelos novos moldes a que a matéria mitológica foi sujeita e pelos temas intemporais: Ondina como metáfora da condição do Homem, como ser imperfeito e condenado à errância, dissolvendo-se simbolicamente nas águas ou perdendo-se no vento.

Como obra intemporal, o legado de Ondina reflectiu-se no campo literário (por exemplo, n’ A Sereiazinha, de Hans Christian Andersen, e em Ondine, de Jean Giraudoux) e em várias expressões artísticas, da ópera e do bailado (Undine, de E.T.A. Hoffmann) ao cinema, destacando-se recentemente Ondine, o filme de Neil Jordan.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Destaque Antígona

A Antígona acaba de lançar o ensaio Classe - Uma ideia política sob o signo de Walter Banjamin de Andrea Cavalletti, professor de Estética e Literatura Italiana na Universidade IUAV (Arquitectura) de Veneza, e orador convidado para conferências em todo o mundo.


Classe, palavra que tinha desaparecido da cena política e teórica, recupera aqui, pela mão de Andrea Cavalletti, a dignidade conceptual de outrora, revelando-se capaz de iluminar o nosso presente. A fulgurante actualidade de uma nota inédita de Walter Benjamin, escrita em 1936 – onde se pode ler que a solidariedade, ao fazer emergir a autoconsciência, cria a classe –, é um ponto de partida fundamental deste livro, que nos faz perceber como a massa informe e a multidão (dois outros conceitos típicos da modernidade) se transformam em classe, mostrando-nos como a multidão perigosa e excitada reemerge no espaço político.