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terça-feira, 12 de abril de 2011

Anjo Mecânico (Cassandra Clare)

Nesta antologia Cassandra Claire vai contar-nos a história de Tessa, uma adolescente de dezasseis anos que, após a morte da sua tia, é obrigada a viajar para Inglaterra para ir ter com o seu irmão mais velho.
No entanto, as coisas não ocorrem bem como Tessa esperava pois assim que chega a Londres é raptada pelas Irmãs Escuras, descobrindo que pertence ao Mundo à Parte e que tem o poder de assumir não só a aparência de qualquer pessoa tanto viva como morta mas também de se ligar à sua alma e saber o que outra pensa. As Irmãs Escuras aproveitam-se do poder de Tessa, maltratam-na e submetem-na a treinos excruciantes, até que lhe comunicam que Magister o líder da sua organização secreta quer casar com ela.
Mas inesperadamente é salva por Will, um belo e arredio caçador de sombras, que a leva para morar no Instituto de Londres, onde recorre à ajuda dos caçadores de sombras para encontrar o seu irmão. Além disso embrenha-se num triângulo amoroso com Will e James, também ele lindo mas frágil caçador de sombras.
Este livro ajuda-nos a entender melhor a mitologia que envolve os caçadores de sombras e as personalidade de alguns personagens da saga Caçadores de Sombras, sobretudo Magnus Bane, personagem carismática dos anteriores livros que aparece também neste.
Embora as relações no triângulo amoroso sejam muito semelhantes às dos livros de Caçadores de Sombras tenho de confessar que gosto muito mais de James que de Simon.
A escrita da Cassandra está também muito mais madura, descrevendo com grande perícia e para nosso deleite os grandes momentos de acção, mistério e romance. Sem dúvida que o livro enriqueceu muito com a descrição dos espaços da famosa Inglaterra Victoriana dando ao livro uma mais sombria e gótica aopetência.
Uma pena mesmo é o final em suspenso para nos deixar a todos loucos até ao próximo livro. De resto para mim o livro só tem aspectos positivos e é altamente recomendável.




Autores: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 392


Género: Fantasia

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Cidade de Vidro (Cassandra Clare)

Tenho de confessar que as minhas expectativas para este livro eram muito elevadas. Pelo que já tinha lido dos outros dois, estava sedenta de resposta a mistérios que pareciam nunca mais chegarem...
Bem finalmente chegaram com este fantástico terceiro volume!
Não sei o que vocês acham mas para mim a saga foi ficando cada vez melhor a cada volume que passava.
Neste a autora desvenda finalmente os mistérios que nos perseguiram durante os dois volumes anteriores de forma fenomenal, e finalmente permite-nos concluir um puzzle mental com os pontos principais do enredo, dando-nos uma visão mais global do fantástico mundo dos Caçadores de Sombras.
Adorei o desenvolvimento das personagens e o desfecho perfeito para Jace e Clary. Concordo plenamente com a autora quando diz, que este livro é o mais romântico de todos, tem momentos de partir o coração que nos levam realmente às lágrimas, mas o final feliz de Jace e Clary compensa todos essas lágrimas.
Das personagens gostava de destacar a Clary que se tornou neste livro, definitivamente, a minha preferida, passando de uma rapariga aparentemente frágil para uma heroína cheia de garra e coragem que pode ser mesmo um exemplo para as leitoras adolescentes da autora e não só… A par dela, também as personagens secundárias foram muito bem desenvolvidas, mas sem dúvida que o destaque acapa por se Magus, hilariante, algo mais em que concordo com a autora…
Tal como nos outros livros a acção passa-se a uma velocidade cinematográfica, e batalha final é verdadeiramente épica.
O final foi simplesmente perfeito. Não podia pedir mais de um livro. Só posso dizer que vou sentir muitas saudades destas personagens .


E queria agradecer muito à Cassandra Claire (que é fabulosa) pela entrevista que me permitiu entrar ainda melhor no seu mundo e à editora Planeta por esta fantástica oportunidade.





Autor: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 406


Género: Fantasia

quarta-feira, 23 de junho de 2010

À conversa com Cassandra Clare (parte 3)

Ainda houve tempo para falar de outros assuntos com a autora. Desde logo, os seus próximos livros.

- Eu sei que o seu próximo projecto se chama Clockwork Angel e passa-se no universo dos Caçadores de Sombras mas na Época Vitoriana. Que tipo de personagens vamos ver aqui?
- Queria contar uma história que fosse paralela aos restantes livros pois precisa de ser independente para os leitores que não os tenham lido.
Somos apresentados ao universo dos Caçadores de Sombras por uma rapariga chamada Tessa, que é uma Warlock e o seu poder é de alterar a sua forma para se parecer com quem quiser.
Quando o irmão dela desaparece, ela tem de recorrer aos Caçadores de Sombras do Instituto Londrino para a ajudarem a encontrá-lo. À medida que o procuram, descobrem esta sociedade secreta chamada Pandemonium Club cujo objectivo é criar um exército de guerreiros mecânicos para destruírem os Caçadores de Sombras, pois os Caçadores de Sombras estão preparados para combater demónios e seres vivos mas não têm protecção contra criaturas que não estejam vivas.

- Que tipo de diferenças podemos esperar relativamente à história?
- Quando disse que queria que Claire fosse uma rapariga forte capaz de se aguentar por si mesma, eu quero que Tessa também o seja mas reflectindo o tempo de onde vem. Para ela há muito mais conflitos relativamente a ser uma mulher e lutar, pois ela foi ensinada a ser uma boa rapariga Vitoriana e a ser submissa, obediente e angélica e depois, descobrir que tem de lutar é muito mais perturbador para ela.
Além disso, Claire é uma Caçadora de Sombras e quando conhece os restantes Caçadores de Sombras eles aceitam-nas de imediato. Tessa é uma Warlock e quando conhece os Caçadores de Sombras, apesar de haver um romance, eles estão proibidos de estarem juntos, pois isto é antes de ser permitido aos Caçadores de Sombras estarem apaixonados ou casarem com criaturas sobrenaturais ou mesmo seres humanos, portanto há essa diferente atitude dos Caçadores de Sombras para com ela.

- E a publicação do livro já está assegurada em Portugal?
- Sim, claro.

- Porquê a época Vitoriana?
- É um dos meus períodos favoritos da História pois estava em evolução muito rápida, tecnológica. No período da Raínha Vitória fomos do tempo de Orgulho e Preconceito para o tempo de todas as comodidades modernas - comboios, electricidade, esgotos.
É um período excitante para colocar um romance.

- E charmoso.
- Sim. É óptimo para um romance pois tudo está ao rubro e em mudança. E também há algo muito romântico na época, com Londres coberta de nevoeiro e chuva, repleta de lugares negros e misteriosos.

- Já agora estou curiosa sobre que época escolheria para viver se pudesse escolher qualquer uma.
- Hum...
Há muitas coisas atractivas sobre o Período da Regência, imediatamente antes da época Vitoriana. Mas há duas coisas que são problemas para mim: nada de antibióticos (risos) e nada de dentistas modernos.
Preocupava-me com isso. Se pudesse levar comigo uma caixa de medicamentos do presente para o passado, então iria viver naquele período da Regência, ali por volta de 1811, o período de Orgulho e Preconceito. Porque adoro a roupa, acho que em muitos sentidos era um período a olhar para o futuro e podia escrever e passear a cavalo.

- Fora do Universo dos Caçadores de Sombras, tem mais algum projecto?
- Bem, estou muito ocupada com os quatro livros que tenho a sair, mas tenho um projecto delineado que é uma actualização de Orgulho e Preconceito passando-se entre adolescentes na Califórnia actual.
Gostava muito de o escrever, tudo depende de quando tiver tempo para isso.


Sabendo que há uma adaptação dos livros da autora a chegar, aproveitei para fazer algumas perguntas.

- Os seus livros têm uma acção frenética, muito ao estilo cinematográfico. Isso não é comum neste tipo de livros. Isso foi intencional?
- Intencional no sentido em que é a forma como visualizo as cenas na minha cabeça, elas tendem a ser como um filme a passar e tento colocar essa sensação em papel para que funcione como um livro para os leitores.

- Algum filme influenciou a sua escrita?
- Diria que houve séries de televisão que me influenciaram, como Buffy, Caçadora de Vampiros e Dark Shadows.
E houve filmes como A Cidade das Crianças Perdidas e Dark City - Cidade Misteriosa que também influenciaram a minha escrita pela forma como encaram o conceito de cidade.

- É uma cinéfila?
- Adoro filmes mas sou uma cinéfila amadora, não consigo discutir filmes de forma muito inteligente, sobre grandes realizadores ou estilos de cinema!

- Que tipo de filmes costuma ver e quais são os seus favoritos?
- O meu realizador favorito é Guillermo del Toro. Um dos meus filmes favoritos é O Labirinto do Fauno.
Gostei muito do que ele fez com o Hellboy, no segundo filme, aquilo que ele fez com o mercado na cidade subterrânea, achei fantástico! Acho que é a mistura do belo e do grotesco que se destaca.
E adoro os filmes do Senhor dos Anéis!

- Sei que há uma adaptação dos seus livros para cinema. Pode dar-nos algumas novidades sobre o projecto?
- Sim, eles acabaram agora o guião. Mas eu estou em Lisboa, portanto só o vou ver quando voltar para casa.

- Como se sente relativamente à adaptação?
-Bem, tenho de esperar até ler o guião. Espero que seja bom. Eu sei que um guião não é uma transcrição exacta do livro, é a interpretação de alguém, mas espero que seja uma interpretação inteligente e apaixonada.
Estou esperançosa pois os produtores que compraram os direitos do meu livro são os mesmo de O Senhor dos Anéis e, portanto, eu sei que eles compreendem a Fantasia.

- E já tem confirmação sobre o realizador?
- Primeiro vem o argumento e depois o realizador. É preciso ter um argumento para mostrar para saber se o querem dirigir.
Mas perguntaram-me quais os realizadores que mais gostava e eu disse Guillermo del Toro e Peter Jackson, porque, claro, o Peter Jackson não anda ocupado com mais nada... (risos)

- Quais os actores que gostava de ver a interpretar as suas personagens?
- É muito engraçado, pois eu estou sempre a responder Johnny Depp e aqui neste hotel (Hotel Flórida, em Lisboa) todos os quartos têm um tema cinematográfico e o tema do meu quarto é o Johnny Depp.
(A editora, Berta Lopes, disse nesta altura que se tratava de um sinal, o que levou a muitos risos e à autora a dizer que era um pouco sinistro.)

- E quer que ele interprete as personagens todas? (risos)
- Bem, ele pode fazer de Claire, se quiser. Seria um espectáculo de um homem só! (risos)
Gostava de ver o Johnny Depp a fazer de Luke, o Robert Downey Jr. a fazer de Valentine e todos os meus fãs querem um actor britânico chamado Alex Pettyfer para interpretar Jace.
Veremos. Eu apoio-os.

- Está a trabalhar como consultora no filme?
- De acordo com o meu contrato eu tenho "Status de Consultora" mas isso, na verdade, significa aquilo que eles quiserem que signifique.


Aproximava-se o final, mas com a conversa tão solta e agradável, ainda houve tempo para algumas curiosidades.

- Há uma mão-cheia de autores portugueses traduzidos para inglês. Já leu alguma coisa?
- Não, penso que não. Não vemos muitas traduções por lá, e de língua portuguesa são mais os autores brasileiros.
Mas a quota de traduções é mesmo muito baixa e há livro que leio em francês que sei que nunca vão estar traduzidos em inglês. Por isso para ler algum autor português teria de aprender português.

- O que gosta de fazer no seu tempo livre?
- Viajar!

- E tem viajado muito. Dos países que já visitou quais gostou mais e quais ainda quer visitar?
- Bem, um dos meus países favoritos é a Inglaterra, pois se escrevi uma série de livros que se passavam lá tenho de gostar do país.
Adorei visitar Espanha e França. Passei seis semanas o ano passado a escrever o quarto livro da série e foi uma óptima experiência, as pessoas são muito simpáticas, a comida é muito boa e tudo é barato. Podia lá ficar para sempre.
E um sítio onde ainda quero ir, Austrália.

- Precisa de muita inspiração e imaginação para os seus livros. Como usa isso no quotidiano?
- Bem, essa é uma pergunta divertida!
Eu tento não guardar as minhas inspiração e imaginação para os livros e tento aplicá-las para outras coisas.
As pessoas perguntam sempre o que faço com o dinheiro dos livros e eu comprei uma casa e decidi construir o interior para reflectir a minha imaginação, por isso eu e o meu noivo estamos a construir uma grande sala que é uma biblioteca cobertas de livros e com as escadas que percorrem a sala toda.
Por isso diria que estou a aplicar a minha imaginação num ambiente onde possa estar o mais confortável possível.

- Que pergunta que nunca lhe foi feita gostaria que lhe fosse feita?
- (risos) Sinto que já me fizeram todas as questões possíveis! (risos)
Vamos dizer que é "Qual a coisa mais surpreendente no meu estilo de escrita?" e vou-te dizer que é o facto de eu só conseguir escrever com dois dedos (e levantou os indicadores).
Escrevo todos os meus livros assim. (Faz o gesto de teclar com os dois dedos.) É o meu segredo.

- E que mensagem quer deixar para os seus leitores portugueses?
- Adoro ter os meus livros traduzidos para português e espero que gostem tanto dos próximos como eu!

terça-feira, 22 de junho de 2010

À conversa com Cassandra Clare (parte 2)

Continuei a falar com a autora sobre o seu percurso como escritora, como se decidiu a escrever e quais as suas influências, além de muitos outros temas relacionados com a edição e com o processo de escrita.
Uma conversa muito rica que só não se prolongou porque o tempo era, obviamente, limitado.

- Antes de ser escritora a tempo inteiro, que fazia?
- Era jornalista. Durante muitos anos escrevi sobre celebridades, filmes, entretenimento, escândalos e boatos.

- Sempre sonhou ser escritora?
- Sim, sempre quis escrever ficção, mesmo quando era aquele género de má jornalista que se tornou jornalista por achar que é mais fácil do que escrever ficção...
Bem, não exactamente mais fácil, mas escrever ficção é demorado, depois tem de se esperar ser publicado mas sem certezas e ser jornalista parece mais seguro.
Fiz isso por uns anos mas depois comecei a escrever ficção novamente, porque é o que eu faço, não podia parar.

- Quais os autores que a influenciaram para se tornar escritora?
- A minha autora favorita é Jane Austen, o meu livro preferido é Orgulho e Preconceito.
Mas os autores que me levaram a escrever Fantasia foram Neil Gaiman, Manuel Mujica Lainez, escritor de The Wandering Unicorn (El unicornio), Philip Pullman que escreveu A Bússola Dourada, J.K. Rowling com o Harry Potter e Anne Rice que escreveu as Crónicas Vampíricas que eu conheço da minha juventude.

- Porque começou a escrever Fantasia?
- Porque foi o género de livros que lia quando crescia e acho que escrevemos para o leitor ideal, o leitor na minha cabeça e eu pensei que este era o livro que eu queria ler com 16 anos e, por isso, fui criá-lo.

- O que lia em termos de Fantasia?
- O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Nárnia - que são importantíssimas para nós, não sei se cá é igual -, muita Fantasia britânica para crianças, tudo de Neil Gaiman - era uma grande fã dele -, Angela Carter que escreveu contos de fadas actualizados e só mais tarde é que li Philip Pullman mas foi muito influente na forma como combinar religião e mitologia na Fantasia.

- Sandman também?
- Sandman foi a primeira coisa do Neil Gaiman que li, ele ainda não tinha escrito os livros. E tinha um casaco com o Sandman pintado nas costas.

- Lê muita banda desenhada?
- Sim, adoro graphic novels e é por isso que as minhas personagens são grandes fãs de banda desenhada.
Fables, Y: The Last Man, por exemplo.

- As suas personagens são um pouco similares a heróis de banda desenhada também.
- Acho que os super-homens são heróis modernos. Os Mitos Gregos eram sobre Hércules e Teseu. Agora temos histórias sobre o Homem-Aranha e o Super Homem, cada cultura tem os seus heróis.

- Como é o seu processo de escrita? Tem um horário definido?
- Não um horário em termos de horas, mas em termos de palavras. 2000 palavras por dia.
Às vezes leva uma hora, outras oito horas. Depende do dia.

- Lê outros livros enquanto escreve?
- Bem, não ao mesmo tempo! (risos)

- Queria saber se evita ler durante os períodos de escrita.
- Leio, mas tento ler coisas bastante diferentes do que estou a escrever. Agora estou a escrever o Clockwork Prince e estou a ler policiais modernos. Para não haver influências, tento ler coisas completamente diferentes do que escrevo.

- Usa música para inspiração?
- Sim, muito, pois escrevo muitas vezes em público, em Cafés, por isso uso música para bloquear o ruído. E há uma secção no meu site com a lista das músicas que ouvi enquanto escrevia cada um dos livros.

- É um processo fácil, escrever em público? Ninguém a interrompe?
- Não, em Nova Iorque estão habituados a isso. Eu escrevi todo o Cidade de Vidro num café que fica na 8th Street e tinha um grupo de amigos escritores que iam para lá comigo e sentávamo-nos o dia todo à mesa e íamos pedindo café para os manter feliz e quando o livro saiu e eu dei a primeira sessão de autógrafos, todos os que trabalham no Café vieram e trouxeram café e disseram "Sabemos que precisa de café para aguentar o dia, por isso trouxemos especialmente para si".

- Quanto tempo leva a escrever um livro?
- O primeiro é sempre o mais longo porque estás a aprender a escrever um livro. O primeiro foram dois anos e meio. Agora levo um ano a escrever cada um.

- E o processo de revisão é duro? Longo?
- Sim, quando eu digo um ano a escrever, incluo a revisão. São seis meses para escrever o rascunho e o resto do tempo para rever. Pode ser ainda bastante tempo.

- Em Portugal os autores, muitas vezes não aceitam o trabalho de revisão com os editores. Como é nos EUA?
- Não sei qual será a questão com o Ethos americano mas é muito mal visto não aceitar as opiniões do nosso editor.
A ideia é que o escritor e o editor são uma parceria e já houve editores que se tornaram famosos por ajudarem a criar obras, como o editor do F. Scott Fitzgerald, do J.D. Salinger, o editor que trabalhou com um dos nossos mais famosos contistas, John Carver.
Todos eles são também famosos pelo trabalho que fizeram com esses escritores, por isso a ideia de rejeitar a opinião do editor seria muito mal vista.

- Até que ponto funciona o envolvimento do editor?
- Quando se entrega o livro recebe-se de volta uma carta do editor que pode ter de 12 a 50 páginas com tudo o que pensam do livro, as coisas que acham boas, as que precisam de ser alteradas, os fios narrativos que precisam de ser reforçados.
E depois, em cada página há comentários do editor, "Isto é bom", "Isto não é consistente", "Isto tem de ser corrigido".
Os editores podem fazer toda a diferença num livro. Alguns editores consideram-se artistas da edição.
A minha editora nunca me pediria para alterar algo só para vender mais, mas sei que me pediria que alterasse se achasse que era chato, demasiado longo ou que não se enquadra ali. Ela convenceu-me a mover uma coisa que acontece a um personagem de um livro para outro. Ela ajuda-me muito.

- E nunca discutem?
- Sim, discutimos.

- Mas têm uma boa relação.
-Sim, claro. É considerada uma relação muito importante.
Se nós vamos ter uma reunião sobre o marketing do livro ela estará ao meu lado, pois é o livro é considerado meu e dela. Portanto se não estás a ter uma boa relação com o editor arranjam-te outro pois a ideia é ter uma boa relação entre os dois.

- Será uma diferença geral entre EUA e Europa entre a Arte como uma conjugação entre escritor e leitor e a Arte auto-suficiente, respectivamente.
- Diria que é uma ideia do Autor, a produzir completamente sozinho contra a colaboração. Aqui se calhar tem-se a ideia de uma "Visão" e ela não pode ser alterada.
Há coisas boas e más em ambas as ideias. Porque se ninguém os trava, os artistas podem mesmo "sair dos carris".

- Sente alguma diferença na sua escrita do primeiro para os mais recentes?
- Nunca se é o melhor juíz do próprio trabalho, mas claro que noto que há coisas que se tornaram mais fáceis, truques que se aprendem para enfrentar as partes mais difíceis do livro, coisas que não se devem fazer.... E oiço os conselhos dos meus amigos e isso é útil, mas espera-se sempre que o próximo livro seja melhor que o anterior.

- Quando começa a escrever um livro já sabe como a história vai acabar?
- Sim, quando começo uma série de livros já sei quantos livros serão e como a história irá acabar. E sei o início. O meio é que não.
Sabe-se onde se começa e onde se acabar, é tudo uma questão de encontrar o caminho. Há vários percursos que se podem tomar. Mas se olhar para trás para o esboço da trilogia, é muito similar à forma como ficou na versão final.

- Alguma vez tem dúvidas sobre o caminho que a história tomou?
- Acho que os escritores que só têm dois estados de alma, miserável e em êxtase. Às vezes tudo vai bem e que tudo é brilhante. Outras que tudo o que se escreveu não presta. Por isso é preciso outras pessoas que olhem para o nosso trabalho, um editor.

- Até neste ponto em que é uma autora de sucesso, sente a sua própria pressão e dúvida sobre o seu trabalho?
- Sinto mais a pressão para agradar aos meus leitores, porque quando escrevi o Cidade dos Ossos não tinha leitores e eles não tinham expectativas. Agora sinto que têm expectativas e não os quero desapontar.
Mas às vezes tens de colocar isso de lado e dizer "Eu sei o que é melhor para este livro" e isso é escrever o melhor livro que puder e colocar de lado aquilo que penso que as outras pessoas podem querer.

- Agora que é uma escritora com tantos leitores sente que tem padrões a manter ou consegue escrever apenas pelo prazer sem se preocupar com as questões comerciais?
- Bem, nem sempre é prazer, escrever dá muito trabalho. O único padrão que sinto que tenho de manter é para com os leitores de escrever o livro mais entretido que consiga.
E tenho de esperar que as pessoas gostem porque as pessoas sempre me surpreendem com aquilo que gostam mais no livro e tentar prevê-lo seria um erro.

- O que gosta mais do seu trabalho como escritora?
- Os momentos em que se escreveu alguma coisa e achamos - mesmo que estejamos errados - que temos ali algo de maravilhoso.
E também receber letras de pessoas a dizer que gostaram dos meus livros ou que eles mudaram a vida deles. É muito recompensador.

- Os seus livros são agora um fenómeno mundial. Quando começou a escrever pensou em tal sucesso?
- Não, não! Quando comecei o livro, o que era popular era o Harry Potter. E eu pensei que o meu livro sobre vampiros e demónios não era o que as pessoas estavam a ler. Mas era o que eu queria escrever.
Mas depois vendi-o e levou cerca de dois anos até à editora o lançar, porque eles compram e depois esperam por um espaço na agenda de lançamentos, e nesse período saiu o Eclipse e, de repente, o Harry Potter estava acabado e tudo o que as pessoas queriam era vampiros e lobisomens. Por isso quando o meu livro saiu era o momento ideal, pois todos queriam ler aquele género de coisas mas não havia ainda muitos livros assim.
Portanto, ter tantos leitores foi um choque e na primeira semana que saiu nem quis acreditar que entrou logo na lista do mais vendidos do New York Times. Nem o meu agente. E o meu editor ficou tão surpreso que, de início, nem notou, pois não estavam à espera. Até que, finalmente, alguém telefonou a avisar-me!

- Quão difícil foi o processo de acabar o livro até o ver publicado? E que passos foram necessários?
- Bem, comecei a escrever o livro em 2003 até ao fim de 2004. Encontrei o meu agente através de outra escritora com quem partilhava a mesa do café - o seu nome é Holly Black e escreveu a série chamada As Crónicas de Spiderwick - que me apresentou ao agente dela. Eu mandei-lhe o manuscrito, ele gostou, disse que era muito diferente e que não tinham nada com vampiros. E ele levou-o e vendeu-o. Foi um processo mais rápido do que esperava, foram aí uns seis meses desde que completei o livro até o vender.

- Que conselho dava a alguém a tentar ter uma carreira internacional como a sua?
- Diria para não tentarem seguir tendências, pois não se pode prever quando essa moda vai começar e acabar. Deve escrever aquilo que quer escrever e não se preocupar com o que é popular num determinado momento.

- O que sente de ser publicada em tantos países diferentes?
- É excitante! Gosto sobretudo de ver todas as capas diferentes!
Gostava de ir visitar todos os países onde os livros saem, apesar de por vezes não sabermos nada dos editores de lá. Eu sei que o meu livro foi editado na República Checa mas nunca vi uma cópia nem falei com o editor de lá, não sei se vendeu bem...


Aproveitei depois a já famosa frase da autora de Crepúsculo sobre o universo criado por Cassandra Clare para falar um pouco sobre a Fantasia actualmente publicada.

- Stephenie Meyer fez uma óptima crítica ao seu trabalho. Fiquei com a impressão que são amigas. É verdade?
- Isso é porque ela é muito humorada. Não quero dizer que somos amigas pois soa pretensioso, mas falámos ao telefone e email e simpatizamos uma com a outra.
Ela é uma pessoa muito simpática e divertida e fiquei muito contente quando descobri que ela gostava dos livros dos Caçadores de Sombras porque eu gostei muito do Crepúsculo e nunca terei oportunidade de lho dizer porque ela tem 90 milhões de fãs e nunca poderei falar com ela. Por isso quando consegui falar com ela foi muito bom.

- E o que acha dos livros dela?
- Acho que ela captou perfeitamente o sentimento de se apaixonar pela primeira vez, quando se tem 15 ou 16 anos e sentimos esta coisa que nos consome.
Se alguma vez o sentimos, quando lemos o livros somos levados a recordar tudo e acho isso fascinante.

- Que outros livros de Fantasia actuais recomenda para os seus leitores?
- Os Jogos da Fome, Beautiful Creatures, Sisters Red - que é uma actualização do Capuchinho Vermelho para raparigas que caçam lobisomens, muito divertido -, outro livro chamado Matched.

- Porque acha que a Fantasia Urbana tão associada ao público juvenil?
- Acho que é por incorporar tecnologia usada pelas gerações mais novas. No EUA, Fantasia Urbana está para os leitores de 40 anos e mais novos, adultos e jovens adultos. Envolve tecnologia topo de gama.
Leste o Crepúsculo, certo, no quarto livro eles têm de ir para a batalha e Edward leva o iPod. (risos)
As minhas personagens estão sempre a trocar mensagens, isto é algo com que as gerações mais novas se relacionam, enquanto que, por exemplo, os meus pais nunca mandaram nem nunca mandarão uma mensagem.

- O que torna os seus livros igualmente atractivos para uma audiência mais velha?
- Por uma audiência mais velha estamos ainda a falar de pessoas dos 25 aos 40 anos. Acho que a pessoa mais velha que já me escreveu tinha 90.
Acho que todos eles se podem relacionar com uma história sobre a entrada na idade adulta. Se se é adolescente é isso que estamos a viver no momento. Se se é adulto, é algo que ainda recordamos, que vivemos há pouco tempo.

- Fantasia é cada vez mais popular entre o público. Porque acha que é isso?
- Acho que vai e volta, em ciclos. Algo de excitante sobre escrever na Época Vitoriana foi ser uma época em que a Fantasia estava em alta com o público. Havia uma crença geral em Fadas, no Sobrenatural, em contactar Espíritos. E isso depois esbateu-se mas acabou por voltar a meio do século.
Acho que anda em ciclos, tivemos um ciclo em que estávamos muito mais interessado no realismo e agora voltamos à Fantasia.

- E a crise económica terá alguma relação com isso?
- Bem, o início deste ciclo surgiu antes da crise, com Harry Potter e o retorno a O Senhor dos Anéis, mas acho que a crise ajuda a manter este ciclo vivo, pois as pessoas aproveitam para fugir do quotidiano.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

À conversa com Cassandra Clare (parte 1)

Começámos por falar um pouco com a Cassandra sobre os aspectos turísticos da sua viagem a Portugal.

- O que acha de Portugal, até agora?
- Bem, eu apenas estou cá há um dia mas acho que é muito bonito. Até agora provei muito boa comida, mas acho que ontem, quando cheguei, era feriado?

- Ontem era Domingo.
- Eu caminhei um pouco e não havia ninguém na rua e então pensei "Ninguém vive em Lisboa". (risos)

- Aqui a zona é mais de lojas e hotéis...
- Pois, eu é que não sabia isso, pois não fui eu que fiz as reservas.

- E as pessoas têm andado ansiosas por um pouco de Sol para irem à praia...
- Ah, claro! Mas estava tudo tão sossegado que até me deu um pouco de medo. (risos)

- Então ainda não viu nada das zonas turísticas?
- Não, tenho estado a dar entrevistas desde manhã.

- E terá tempo para ver alguma coisa?
- Sim! Tenho entrevistas hoje e amanhã mas pedi para ter dois dias extras para ver Lisboa e o último jornalista com quem falei disse que tenho de ir a Sintra por ser muito místico.


Depois entrei logo naquilo que verdadeiramente me levou à entrevista e que trouxe a autora ao nosso país, a sua obra.

- Li numa outra entrevista que teve a ideia para a história num salão de tatuagens. Pode dizer-me exactamente como isso aconteceu?
- Uma amiga minha é artista de tatuagens e quando me mudei para Nova Iorque ela levou-me ao seu salão para me mostrar os seus designs e eu perguntei-lhe sobre o seu significado e ela disse-me que eram baseados nas mais antigas tatuagens que conhecemos e que eram usadas por guerreiros de civilizações antigas, que acreditavam que os tornariam fortes e indestrutíveis.
Foi aí que tive a ideia de actualizar essa história, pois ainda usamos tatuagens, e pensei em guerreiros modernos que usam tatuagens mas que, neste caso, resultam realmente.

- E tem alguma tatuagem?
- Não, não tenho tatuagens, tenho medo de fazer uma, o que é engraçado pois os meus livros estão cheios de pessoas cobertas de tatuagens.

- Alguns dos seus cenários, como a Cidade de Ossos, Cinzas e Vidro, fazem-me pensar num estilo um pouco surrealista. Como tem ideias para eles?
- Tive a ideia para a Cidade dos Ossos nas catacumbas de Paris. É uma cidade literalmente feita de ossos.
Vi a Necrópole, a cidade dos mortos, e comecei a pensar como seria tê-la como parte da civilização, com um sentimento muito espiritual, então eu comecei a imaginar a Cidade dos Ossos de forma a ter um aspecto similar mas com um sentimento mágico e estranho, que acho que é o que o torna surreal.

- As suas personagens inspiradas em pessoas que conhece?
- Às vezes sim. Clarey é inspirada na minha amiga que desenha tatuagens, também é muito pequena mas muito teimosa e destemida. Já a vi esmurrar um homem. Sempre achei que seria muito divertido escrever uma personagem que era muito petite mas muito dura.
O Simon, o melhor amigo dela, é um pouco inspirado no meu melhor amigo.
Eu acho que, por vezes, retiras pedaços de pessoas que conheces e combina-los para criar novas personagens.
O único que diria não ser baseado em ninguém que eu conheça é o Jace.

- A maioria dos autores, tirando, por exemplo, o Jorge Luís Borges que escrevia a partir apenas da sua própria mente, escrevem a partir do que conhecem. É difícil escrever a partir do abstracto?
- Bem, dizem que o Marcel Proust vivia como recluso num quarto e escreveu tudo a partir da sua imaginação.

- Eu usei Borges como um exemplo...
- Um bom exemplo!

- E também o Calvino.
- Exactamente o que ia dizer!
Mas é por isso que as suas histórias perduram, eles escrevem histórias sobre o processo de contar histórias! É tudo muito interno, eles não estão a recolher grande coisa do mundo à sua volta. Torna-se uma conversa sobre a intenção do escritor e quanto isso importa.
Acho que todos pegamos em estímulos do mundo exterior, mesmo inconscientemente, e transformamos isso na nossa obra.
Às vezes olho para trás e não sei de onde uma dada imagem surgiu.

- Com qual das suas personagens se identifica mais?
- Simon.

- Porquê?
- Bem, ele é o rapaz comum, ele não tem magia ou poderes, mas tem uma grande imaginação!

- Mas depois transformou-o num vampiro...
- Bem, identifico-me até um certo ponto. (risos) Depois disso...
Ele é uma vampiro relutante. Ele não quer ser vampiro, quer ser um rapaz comum.
Quando primeiro o encontramos, ele é o único que é uma pessoa normal e ele tem uma enorme imaginação.
Sempre sonhou que haveria magia e vampiros e lobisomens à solta, e quando ele descobre isso fica muito excitado. E eu sempre achei que se descobrisse isso não teria medo ou raiva, mas ficaria contente e excitada!

- E qual é a sua favorita?
- Não tenho uma personagem favorita, pois isso é como perguntar que filho se ama mais, mas a personagem mais divertida de escrever é Magnus Bane, pois ele está sempre em festa. (risos)

- Claire é uma jovem que, perante os desafios da sua vida, é forçada a tornar-se independente muito nova. Vê-a como modelo para as suas leitoras adolescentes?
- Eu espero que as minhas leitoras adolescentes não tenham de enfrentar esse género de perigos, mas espero realmente que a Claire seja o modelo de uma rapariga forte que não precise de ser salva por um rapaz. Ela é que está sempre a salvá-lo a ele.

- Num certo ponto da história entre Claire e Jace eles acreditam estar a partilhar um amor incestuoso. Considerou a possibilidade de os tornar realmente irmãos?
- Apenas ocasionalmente quando recebia cartas de pessoas a dizer "Estou tão zangada que Claire e Jace sejam irmãos e nunca mais vou ler os seus livros!" e então dizia "Talvez os faça mesmo irmãos"! (risos) Mas eu já sabia que eles não eram.
As pistas estão todas lá desde o início. Claire tem um irmão, se não é o Jace tem de ser alguém, daqui que surja Sebastian.

- E como teria terminado o romance se eles fossem irmãos?
- Fugir juntos? Hum...
A ideia da história surgiu-me porque li um artigo de jornal sobre duas pessoas que estavam apaixonadas e iam casar, mas nos EUA tem de se fazer um teste sanguíneo antes de se casar, e durante esse teste descobriram serem irmão e irmã. E eu pensei que era tal e qual uma tragédia grega!
Por isso se tivesse de os tornar irmão e irmã, provavelmente teria juntado-os por pouco tempo e depois matado um deles, porque não vejo forma de terminar essa história sem ser em tragédia.

- Disse que recebe cartas com alguma raiva. Nos EUA onde ainda há pressão de comunidades muito conservadoras, como lida com a pressão?
- Eu recebo mais cartas sobre as minhas personagens homossexuais do que sobre as minhas personagens a viver um amor incestuoso! Eu acho isso sempre muito estranho... (risos)

- Pois...
- O incesto é um tema que vai até muito atrás, até à Mitologia, muitos livros óptimos têm o incesto como tema. Terminei agora o livro A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón que tem o incesto como tema central e há muitos livros como esse.
Acho que é um tema perfeitamente aceitável para se escrever mas acho estranho ter mais cartas de protesto quanto às minhas personagens homossexuais do que quanto ao incesto.
Mas é uma "coisa" americana.

- E no resto do mundo?
- Ninguém se importa! (risos)

- Desde que a história seja boa...
- Eles adoram as personagens homossexuais. Acabei de vir de Espanha onde dei autógrafos e as pessoas vestiam-se como elas e queriam falar da relação entre eles. Estavam contentes, ninguém tinha problemas com isso.

- Curiosamente, em Portugal, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado mas ainda há muitas pessoas descontentes a quererem anular a situação.
- Oh, não aceitem isso! Na Califórnia votaram primeiro Sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo mas depois repetiram a votação e o Não ganhou, então todas as pessoas já casadas permaneceram casadas mas mais ninguém se pode casar!

- Voltando aos seus livros, qual dos três gostou mais de escrever?
- O último porque foi o mais divertido. Sempre quis escrever uma grande batalha. E também é o mais romântico.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Especial Cassandra Clare


A Editora Planeta trouxe esta semana a Portugal a autora Cassandra Clare que é um sucesso em todo o mundo e que em Portugal vem criando uma sólida legião de fãs.
Tive a oportunidade de falar com ela numa entrevista que correu muito bem e onde a autora se revelou extremamente simpática e igualmente culta.
A conversa, pois foi disso que acabou por se tratar, mais do que uma entrevista, valeu muito a pena e acho que todos os fãs, bem como aqueles que ainda têm dúvidas sobre se devem ler os livros da autora, ficarão muito satisfeitos com aquilo que a autora tem a dizer.
Até que comece a semana dedicada por inteiro à autora, podem ir lendo a crítica a Cidade dos Ossos e Cidade das Cinzas.
E fiquem atentos à próxima semana pois valerá a pena e haverá surpresas!

sábado, 10 de abril de 2010

A Cidade das Cinzas (Cassandra Clare)

Depois de ler o primeiro livro foi com grande ansiedade e emoção que comecei a ler o segundo.
E embora não me tenha causado o efeito de grande surpresa do primeiro livro (o que é sempre muito agradável), revelou-se uma continuação à altura do primeiro volume.
As personagens continuam fascinantes e somos apresentados a novos personagens intrigantes e a mistérios tortuosos.
Tenho muita pena que o romance entre a Clare e o Jace não se tenha desenvolvido mais apesar de eles pensarem que são irmãos, pois sinto que isso apimentaria ainda mais o amor deles. Penso que ficará para um próximo livro pelo qual vale a pena esperar.
Em compensação, o livro está ainda mais repleto de acção que o primeiro, com a escrita muito leve e fluída da autora a servir muito bem esses momentos.
É de facto um livro viciante da primeira à ultima palavra, que só dá pena de não ser bem maior (e de eu não ter o dia todo para dedicar à sua leitura).
Esta saga está a revelar-se, para mim, uma obra-prima da fantasia no seu âmbito próprio.




Autor: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 360


Género: Fantasia

A Cidade dos Ossos (Cassandra Clare)

Quando comecei a ler este livro não tinha a certeza de como ia reagir, pois confesso que a maioria dos livros de fantasia que costumo ler acabam por ser mais centrados no romance e não na acção, como este me parecia ser.
Quando comecei a ler o primeiro capitulo, que começava com uma morte e personagens que mais me pareciam super-heróis do que seres saídos de um romance de fantasia, torci o nariz e pensei terminar a minha leitura logo ali, achando que poderia perfeitamente ter optado por um livro de banda desenhada.
Felizmente não o fiz e dei uma segunda oportunidade ao livro que se mostrou uma surpresa muito agradável.
Adorei a acção do livro, em que mal havia tempo para respirar pois os acontecimentos fantásticos ocorriam um após o outro, para além do próprio suspense do livro que lhe imprime um ritmo excelente e que nos leva a sentir integrados na história e nos obriga a uma leitura compulsiva do inicio ao fim.
Deixou assim de ser um livro que pensei que não ia ler até ao fim para se tornar desde logo uma das minhas sagas de fantasia favoritas.




Autor: Cassandra Clare


Editora: Editora Planeta


Páginas: 320


Género: Fantasia